Leste Europeu

Foi injusto?

A derrota por 1 a 0 para a Alemanha, no último sábado, em Moscou, mais do que jogar os russos para a repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo, abalou o país inteiro. Após o fim do jogo, o sentimento de todos na equipe é de que haviam sido vítimas de uma grande injustiça, cometida, em comum acordo, pelo árbitro da partida, Massimo Busacca, pelo goleiro alemão, René, Adler, e, é claro, pelo destino.

Nas entrevistas, o discurso de que os russos mereceram a vitória era adotado pela maioria – entre eles, obviamente – e havia uma tristeza muito grande pelo resultado. O técnico da equipe, Guus Hiddink, que foi quem mais falou, disparou todos os clichês futebolísticos possíveis nesse tipo de situação para valorizar seu time e desvalorizar a vitória adversária.

“Jogamos um futebol bonito, com criatividade e técnica, mas infelizmente não vencemos. Os alemães não mostraram tanta qualidade técnica e jogaram um futebol mais mecânico, tático. Mas, como quase sempre, foram mais pragmáticos, vieram focados em conquistar o resultado e conseguiram seu objetivo”, analisou, para depois comentar sobre a partida. “Jogamos quase todo o tempo no campo deles, criamos muitas chances, mas não conseguimos converte-las em gol”.

Mesmo com a derrota, Hiddink conseguiu observar pontos positivos na equipe. “Depois do jogo, no vestiário, todos estavam muito tristes. Alguns estavam chorando, e demorou mais ou menos meia hora para que eles fossem ao chuveiro. Isso mostra o comprometimento dos atletas, que antes mostravam uma postura de “tanto faz” em relação aos resultados, e me deixa confiante para conseguir a classificação na repescagem”.

Conteúdos relacionados

Questionado sobre a arbitragem da partida, o holandês mudou o tom das palavras e criticou duramente o suiço Massimo Busacca. “Ele não estava moralmente preparado para apitar esse jogo. Em campo, pareceu relaxado, desconcentrado. Tivemos dois pênaltis a favor que ele não marcou. Se ele achou que não foi pênalti, teria que dar cartão amarelo aos nossos jogadores por simulação, mas isso também não aconteceu. Fica difícil de entender a atitude dele”, finaliza.

Nos lances em questão, os envolvidos foram os meias Vladimir Bystrov e Andrei Arshavin. Pode-se dizer, com tranquilidade, que ao menos o de Bystrov existiu, enquanto o de Arshavin é discutível. Uns afirmam que ele foi empurrado pelas costas, outros, que ele valorizou demais o lance, e por isso a falta não foi dada.

O meio-campista Konstantin Zyryanov, do Zenit, fez coro com o comandante. “Os alemães vieram para jogar defensivamente e se fecharam mais ainda após o gol, jogando nos contra ataques. Nós fomos prejudicados pela arbitragem e merecemos a vitória”, afirma Zyryanov, que, aos 32 anos, terá em 2010 provavelmente a última chance de jogar uma Copa do Mundo, caso a Rússia se classifique.

Para Igor Semshov, remanescente da Copa do Mundo de 2002, os russos não têm do que reclamar: “Não adianta culpar a falta de sorte ou qualquer outra coisa pela nossa derrota, até porque não convertemos as oportunidades que tivemos. O fato é que agora o resultado não pode mais ser modificado e temos que nos concentrar na repescagem”.

Em que pese as oportunidades criadas pelos russos, os erros de arbitragem e as boas defesas de Adler, o jogo em si não foi tão desigual assim a favor da Rússia. A Alemanha, que jogava pelo empate, entrou em campo muito bem armada taticamente pelo técnico Joachin Löw e controlou o jogo em boa parte do primeiro tempo, ganhando as disputas no meio-campo.

O gol marcado por Klose veio em um momento em que os alemães estavam superiores na partida, e, depois, a pressão pelo empate foi inevitável. Os russos tropeçaram nas próprias pernas, não fizeram os gols que deviam, e, exceto Semshov, não aceitam isso. É mais cômodo colocar a culpa na arbitragem, no “pragmatismo alemão”, na falta de sorte, no vento, e, eventualmente, na bola, do que reconhecer o mérito do adversário, que tem uma equipe reconhecidamente experiente e com muito poder de decisão.

Possível confronto

Com as vitórias sobre Inglaterra e Andorra por, respectivamente, 1 a 0 e 6 a 0, a Ucrânia conseguiu roubar a segunda colocação do Grupo 6 da Croácia e também irá disputar a repescagem. O sorteio é dirigido, de maneira que, entre os oito melhores segundos colocados classificados, os quatro mais bem colocados do Ranking da Fifa não se enfrentem. Assim, França, Rússia, Grécia e Portugal ficam em um pote, enquanto Ucrânia, Irlanda, Bósnia e Eslovênia ficam no outro.

A possibilidade de um confronto entre Rússia e Ucrânia é, portanto, real, e, no que diz respeito ao aspecto técnico, o duelo tem significado diferente para as duas equipes. Para os ucranianos, é um bom negócio, pois além de fugir de França e Portugal, a rivalidade com os russos equipara as forças e pode ajudar os mais fracos a crescerem no duelo. A Grécia, no entanto, continua como melhor adversária possível, ao menos na teoria.

Para a Rússia, porém, essa equiparação de forças é um mau negócio, e alguns jogadores, como Andrei Arshavin já declararam que preferem enfrentar a Eslovênia, time tecnicamente mais fraco entre os oito que disputam. De qualquer maneira, a sorte será, literalmente, lançada, e, se houver um confronto entre os dois, será, certamente, o mais equilibrado entre os quatro jogos.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo