Finalmente, mudou

Há muito tempo o debate já existia, e nesta semana, após muito tempo de discussão, a federação russa (RFU) comunicou a decisão: a partir da próxima temporada os russos adotarão o calendário utilizado por todo futebol europeu, que se inicia no outono e acaba na primavera. A mudança, como bem destacou o Sport-Express na sua edição online, marca o início de uma revolução para o futebol do país.
Agora, a temporada iniciará em meados de julho e terminará em maio. A transição será gradual e, naturalmente, demandará paciência e compreensão de todos.
Em 2011, os 16 times jogarão a competição em turno e returno, normalmente. Após isso, os oito primeiros disputarão o título de 2012 na primavera e os oito da parte baixa da tabela lutarão contra o rebaixamento. No outono, então, inicia a temporada 2012/13, com 16 times – a segunda divisão será reduzida para 18 times (hoje tem 20).
A decisão da mudança foi tomada após uma reunião do Comitê Executivo da RFU, onde o assunto foi posto na pauta. Dos 31 membros, 29 votaram a favor da alteração, um se absteve e um votou contra. O primeiro grupo é “liderado” por Evgeni Giner, presidente do CSKA Moscou. Os descontentes com o novo regulamento são “chefiados” por Sergey Sidorkovsky, presidente da federação de futebol de Moscou, e Nikolay Tosltykh, presidente da liga profissional de clubes, responsável pela administração das divisões menores e que, teoricamente, representaria a opinião dos times pequenos.
Quem é contrário levanta a bandeira da falta de infra-estrutura. A própria federação russa anunciou que construirá de dez a 20 estádios ou reformará, pelo menos, essa quantidade, construindo gramados artificiais. Tudo isso é motivado, também, pela candidatura da Rússia a sediar as Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Já os argumentos dos favoráveis à alteração são mais conhecidos: os clubes russos não enfrentarão mais problemas com as saídas de jogadores no meio do campeonato, assim participarão, também, mais ativamente no mercado de transferências, e terão uma melhor preparação para as competições europeias.
Dos três dirigentes citados mais acima, dois se manifestaram para defender seus pontos de vista.
Sergey Sidorkovsky: “Há apenas um argumento contra a mudança do sistema, mas a decisão sobre isso foi tomada mais vezes no passado e ninguém se importou com a infra-estrutura”.
Evgeni Giner, por sua vez, falou bem mais: “Então tomamos uma decisão e damos mais cinco anos para o desenvolvimento da infra-estrutura. Esses cinco anos passam, mas nada é feito e damos mais cinco, dez anos… e nada mudará”.
“O principal é que o bom senso prevalesceu e não importa quem deu a sugestão primeiro. Não quero que o torneio se chame 'Campeonato do Giner'. Quais são as desvantagens da mudanças? Eu não sei. Demos o passo certo, e estou certo que é apenas o começo”, completou.
Giner ainda aproveitou para criticar os muitos clubes russos apoiados por prefeituras, estados (oblasts) e repúblicas autônomas – que são a maioria na “defesa” da falta de infra-estrutura. “O futuro está na administração privada e não em situações onde os clubes existem do dinheiro de repúblicas ou regiões. Só um dono privado pode se tornar um verdadeiro proprietário. Este pensará nos interesses do time não só na Rússia, mas internacionalmente também. Tentará contratar jogadores internacionais e então vendê-los aos clubes estrangeiros”.
A Rússia realmente dá um passo à frente. Não adianta remar contra a maré, se é óbvio que isso não lhe trará vantagens.
Agora os russos terão que se adaptar a essa nova realidade. A Ucrânia, por exemplo, que tem médias de temperatura similares ao país vizinho, já mantém o calendário outono/primavera há um bom tempo. O mais provável é que a Premier Liga comece em meados de julho mesmo, pare entre dezembro e fevereiro e retorne em março. Sim, a infra-estrutura terá que ser melhorada, mas talvez só assim, com a corda no pescoço, essas mudanças aconteceriam.
Ah, sim: obviamente que a mudança feita pelo Campeonato Russo é um exemplo para o nosso Campeonato Brasileiro. Só não vê quem não quer.


