Final feliz

Foram horas angustiantes, cheias de reviravoltas. Na retomada das negociações há alguns dias, dirigentes de Zenit e Arsenal não conseguiam se entender. Pedidos iniciais de € 22,5 milhões eram rebatidos com propostas de € 13,5 milhões. E o impasse continuava. Arshavin, no meio de tudo isso, se mantinha longe da confusão, mas já tinha advertido seu clube que não ficaria feliz se a negociação não fosse concretizada.
Mais tensão. As horas finais da janela de transferência da Premier League se aproximam. A noite de segunda-feira congela Londres, enquanto os negociadores parecem não chegar a um consenso. Dos céus vem a ajuda. Neva. Neva como nunca nevara antes na capital inglesa há décadas. A Football Association estende o prazo em mais dois dias para os negócios em andamentos serem fechados e a documentação regularizada na entidade.
Em um quarto de hotel em Londres, Arshavin sua frio. Tenso sobre seu futuro, sabe que sua carreira está em jogo. Retornar ao Zenit seria lutar contra o desgosto da torcida e a má vontade dos dirigentes. Jogar no Arsenal pode ser o impulso para sua carreira finalmente deslanchar em nível europeu, deixar de ser apenas “o melhor jogador da Rússia naquela Eurocopa”.
Boas notícias começam a aparecer. Zenit e Arsenal chegam a um acordo sobre os valores. O clube londrino irá pagar aproximadamente € 16,8 milhões pelo jogador sem cláusulas extras. Ele terá também que ceder. Arshavin, pela multa de seu atual contrato e uma quantia que ele recebeu anteriormente como bônus pela renovação, devolverá aos cofres do time russo pouco mais de € 2 milhões. Assim a negociação é fechada em cerca de € 18,5 milhões. Foi a maior quantia paga pelo Arsenal por um jogador, assim como o maior valor recebido pelo Zenit por um atleta seu.
Outro impasse anterior foi resolvido. Seu salário na Inglaterra será menor do que na Rússia. Arshavin assinou um contrato de três anos e meio de duração, com salário anual de € 2,8 milhões. Ele queria € 3,9, um valor próximo de seu antigo soldo.
No final das contas, Andrei Arshavin vestirá a camisa número 23 do Arsenal e tem tudo para ser um enorme sucesso na Premier League – como está sendo seu compatriota Pavlyuchenko no Tottenham, artilheiro da equipe, apesar de muitos torcerem o nariz para ele. Arshavin já provou seu valor na última Eurocopa e no título da Copa Uefa conquistado pelo time de São Petersburgo. É rápido, habilidoso e muito inteligente. Não terá problemas para se adaptar ao esquema de Arsène Wenger e, rapidamente, se tornará fundamental nele.
O outro lado da história
Dissecada a negociação com Arshavin e já feito os comentários sobre o que será do jogador no Emirates Stadium, chega a hora de analisar a situação do Zenit St. Petersburg. Afinal, a equipe não perdeu somente seu melhor jogador, também o segundo melhor: Anatoliy Tymoschuk.
A transferência do volante ucraniano para o Bayer de Munique já era esperada há algum tempo. O Zenit não impôs muitas dificuldades e aceitou vende-lo basicamente pelo mesmo preço que pagou há dois anos (cerca de € 15 milhões). Os valores oficiais da negociação não foram revelados pelas partes, mas a imprensa alemã divulgou que o acordo teria sido de € 14 milhões e três anos de contrato.
Assim, a temporada 2009 do clube não começa com boas perspectivas. Além dos dois, o Zenit também emprestou o zagueiro francês Puygrenier ao Bolton e fez uma única contratação: o meia húngaro Szabolcs Huszti, do Hannover, que assinou um contrato de quatro anos e meio com a equipe – ele vem para suprir as perdas no meio-campo.
Para piorar a situação, o técnico Dick Advocaat também não conta mais com o atacante argentino Alejandro Domínguez. Ele abandonou a pré-temporada do time em Dubai e já não aparece mais nos planos do técnico holandês. Com a janela de transferências europeia fechada, resta ao jogador buscar um novo clube na Rússia ou América do Sul.
O elenco do Zenit permanece de ótima qualidade. Dois jogadores fundamentais que tiveram sua permanência questionada continuam no clube, casos do goleiro Malafeev, que teve o contrato renovado, e do centroavante Pogrebnyak, desejo de alguns clubes ingleses. Jogadores como Danny e Denisov certamente terão que chamar a responsabilidade para si, caso o Zenit deseje realmente lutar por títulos neste ano.


