Leste Europeu

Fifa suspende contratos de jogadores e treinadores estrangeiros na Ucrânia e na Rússia, bem como libera novas assinaturas

Contratos na Ucrânia estão suspensos automaticamente até o fim da temporada, enquanto na Rússia podem ser suspensos unilateralmente

A Fifa anunciou nesta segunda-feira uma exceção na janela de transferências, reaberta para jogadores estrangeiros provenientes de clubes da Ucrânia e da Rússia. Os contratos de jogadores e treinadores estrangeiros com clubes ucranianos estão automaticamente suspensos até o final da temporada, para que assinem com equipes de outros países. Tal suspensão só não acontecerá em caso de manifestação expressa das partes. Já os contratos de jogadores e treinadores estrangeiros com clubes russos podem ser suspensos de maneira unilateral até o final da temporada, caso não haja acordo até 10 de março. Esses atletas e técnicos ficam livres para, até 7 de abril, assinarem com qualquer clube – mesmo que a janela de transferências esteja fechada. Cada equipe de destino poderá adicionar ao seu elenco, no máximo, dois futebolistas nessas condições específicas.

A situação deverá abranger diversos jogadores brasileiros em atividade na Ucrânia que retornaram ao país desde a última semana e ficam livres para assinar com novos times, inclusive no próprio Brasil. Além disso, durante os últimos dias, treinadores e jogadores estrangeiros saíram do futebol russo por discordarem da intervenção militar do governo de Vladimir Putin.

“Após a escalada dos acontecimentos na invasão da Rússia na Ucrânia, que levou a uma crise humanitária contínua e angustiante, o Conselho da FIFA decidiu – em coordenação com a UEFA e após consulta a várias partes interessadas – alterar temporariamente os Regulamentos sobre o Status e Transferência de Jogadores (RSTP), a fim de proporcionar segurança legal e clareza em vários assuntos”, pontua a Fifa.

Sobre a Ucrânia, a Fifa coloca: “No que diz respeito à situação na Ucrânia, a fim de proporcionar aos jogadores e treinadores a oportunidade de trabalhar e receber um salário, e para proteger os clubes ucranianos, a menos que as partes no contrato relevante concordem explicitamente o contrário, todos os contratos de trabalho de jogadores e treinadores estrangeiros com clubes afiliados à Associação Ucraniana de Futebol (AUF) serão considerados automaticamente suspensos até o final da temporada na Ucrânia (30 de junho de 2022), sem a necessidade de qualquer ação das partes neste efeito”.

Já sobre a Rússia, a entidade determinou: “A fim de facilitar a saída de jogadores e treinadores estrangeiros da Rússia, caso os clubes afiliados à União de Futebol da Rússia (UFR) não cheguem a um acordo mútuo com seus respectivos jogadores e treinadores estrangeiros antes ou em 10 de março de 2022, e a menos que seja combinado de outra forma por escrito, os jogadores e treinadores estrangeiros terão o direito de suspender unilateralmente seus contratos de trabalho com os clubes afiliados à FUR até o final da temporada na Rússia (30 de junho de 2022)”.

“A suspensão de um contrato de acordo com os parágrafos acima significará que jogadores e treinadores serão considerados ‘sem contrato’ até 30 de junho de 2022 e, portanto, terão a liberdade de assinar um contrato com outro clube sem enfrentar consequências de qualquer tipo”, complementa o texto, sobre as duas situações.

A Fifa reafirma que qualquer clube estará apto para contratar esses atletas: “Além disso, a fim de dar flexibilidade aos jogadores cujo registo foi realizado na AUF ou na UFR e, que deixaram ou pretendem sair do território da Ucrânia ou da Rússia em consequência da guerra na Ucrânia, os jogadores estrangeiros cujo registo anterior estava na AUF ou na UFR poderão se inscrever mesmo que o período de inscrição esteja encerrado na associação do clube com o qual celebrem um novo contrato. Para que essa exceção seja aplicável e para proteger a integridade das competições, o registro no novo clube precisa ocorrer antes ou até em 7 de abril de 2022. Para proteger ainda mais a integridade das competições, os clubes têm o direito de registrar no máximo dois jogadores que se beneficiaram da exceção”.

Por fim, a Fifa ainda apontou a situação específica de menores de idade: “Em relação à proteção de menores, aqueles que fogem da Ucrânia para outros países devido ao conflito armado serão considerados cumprindo os requisitos do artigo 19, parágrafo 2 d) do RSTP, que isenta os menores refugiados da regra que impede a transferência internacional de jogadores antes dos 18 anos”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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