Leste Europeu

Federação russa taxará clubes treinados por estrangeiros

A União Russa de Futebol lançou uma medida polêmica para valorizar o material humano do país. A partir da próxima temporada, os clubes da primeira divisão que contratarem técnicos estrangeiros terão que pagar € 120 mil à federação, enquanto os times da segunda divisão serão taxados com metade do valor.

Atualmente, nove dos 16 técnicos do Campeonato Russo são estrangeiros, entre eles Luciano Spalletti (Zenit), Guus Hiddink (Anzhi), Dan Petrescu (Dynamo Moscou) e Lokomotiv Moscou (Slaven Bilic). Dos seis primeiros colocados, o único time comandado por um russo é o líder CSKA Moscou, de Leonid Slutskiy. Os Armeytsy também contam com o último técnico russo campeão nacional: Valery Gazzaev, em 2006.

Presidente da federação, Nikolai Tolstykh afirmou que a ideia foi dada por Mikhail Gershkovic, que dirige a União de Técnicos da Rússia. “Ele sentiu que deveríamos apoiar os nossos conterrâneos”, declarou Tolstykh.

O anúncio desagradou alguns dirigentes do país, entre eles Sergei Galitsky, dono do FK Krasnodar: “Comunistas puros. Eles pensam que os clubes russos têm muito dinheiro, então encontrar diferentes formas de nos roubar. Podem chamar isso de ‘salário de Gershkovich’. Nosso clube não pagará nada a ele”.

A medida pode até gerar algum resultado, mas é um tanto quanto extrema. Em um país marcado por manifestações racistas e xenófobas nas arquibancadas, a decisão pode abrir espaço para novos tipos de discriminação. Além disso, a federação russa cai em uma grande contradição. Afinal, os últimos três técnicos da seleção são Guus Hiddink, Dick Advocaat e Fabio Capello, todos nascidos bem longe do território russo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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