Maksim Tsyhalka teve uma carreira modesta como futebolista profissional. O atacante belarusso passou grande parte de sua trajetória no , sem ir muito além. Rodou por outros clubes do país, assim como atuou no Cazaquistão e na Armênia. Além disso, disputou duas partidas com a seleção principal de Belarus, mais vezes presente pela equipe nacional sub-21. No entanto, a fama de “” (grafado desta maneira) superou bastante sua qualidade. O jovem foi um dos primeiros craques do Championship Manager no início dos anos 2000. A quem curtia o game, uma lenda que se perde neste 25 de dezembro, aos 37 anos.

A morte de Tsyhalka foi confirmada pelo Dinamo Minsk, onde o atacante iniciou a carreira e atuou por quatro temporadas como profissional, entre 2001 e 2004. “Em seu 38° ano, o coração de Maksim Tsyhalka parou de bater”, foi a mensagem dos alviazuis. O belarusso atuou em 65 partidas pelo clube, anotando 28 gols. Conquistou títulos do Campeonato Belarusso e também da Copa de Belarus. De qualquer maneira, foi mesmo na tela do computador que o craque colecionou seus maiores feitos.

Nascido em Minsk, ainda na antiga União Soviética, Tsyhalka era visto como um fenômeno nas categorias de base do Dinamo. Tinha ótimos números com os juniores e também quando passou a atuar no segundo quadro dos alviazuis. Veloz e artilheiro, acabou chamando atenção do produtor do Championship Manager 2001/02 durante a construção dos atributos. Virou um fenômeno por sua qualidade no game e também por sua capacidade de evolução. Assim, vários usuários passaram a fazer o mesmo negócio certeiro: compravam por um preço baixo o prodígio belarusso, que logo se transformaria em craque no jogo e empilharia gols.

Dentro de campo, a carreira de Tsyhalka não seguiu a mesma progressão. Teve bons momentos como profissional do Dinamo, mas não a ponto de se transferir a centros maiores da Europa. A maior chance aconteceu quando recebeu o convite para ser testado no Marítimo, de Portugal. Logo no primeiro treino, sofreu uma séria lesão no ligamento cruzado do joelho e nunca se recuperou completamente. Ali, suas perspectivas começavam a se fechar. Sua passagem pela seleção sub-21 não garantiu tantos gols e, pela equipe principal de Belarus, seu único tento veio num amistoso contra o Uzbequistão em 2003. Neste momento, ficava claro que a promessa se restringia ao game.

Campeão nacional em 2004, Tsyhalka deixou o Dinamo Minsk pouco depois. Atuou ainda no Naftan Novopolotsk, uma equipe menor de Belarus. Também passou por Kaisar, do Cazaquistão, e por Banants, da Armênia, sem durar muito. Em 2008, encerrou a carreira aos 25 anos com a camisa do Savit Mogilev em seu país. As seguidas contusões minaram o seu caminho, sobretudo pelos problemas no joelho. O fenômeno dos games levaria depois uma vida comum, tentando se virar longe da bola.

Sem que o CM se popularizasse tão cedo por Belarus, Tsyhalka soube de sua fama apenas anos depois, através de jornalistas. Ficou em choque diante da informação de que era mundialmente conhecido. O ex-atacante sequer tinha um computador ou um videogame na época. E não pôde capitalizar com o sucesso, mesmo aclamado por muitos como lenda. “Infelizmente, nunca ganhei um centavo com isso. Por outro lado, eu também não sou uma lenda. Lendas são pessoas que alcançaram grandes feitos – mas na realidade”, declarou, à revista 11 Freunde.

Curiosamente, quem teve uma carreira um pouco mais longa foi o irmão gêmeo de Maksim, Yury Tsyhalka. O goleiro também começou no Dinamo Minsk e atuou em 61 partidas pelo Campeonato Belarusso. Depois rodou por diferentes clubes do país, com destaque ao Dinamo Brest, onde chegou a vencer a copa nacional. Também passou pelo futebol da Romênia e do Cazaquistão. Além disso, entre 2010 e 2013, manteve-se como titular na meta do Shakhtyor Soligorsk, em Belarus. Pela seleção principal, foram três aparições do arqueiro. Aposentado aos 30 anos, virou sócio de Maksim em um restaurante que logo faliu.

Além do restaurante, Maksim Tsyhalka também trabalhou na construção civil para garantir o sustento da família – com esposa e duas filhas.  Ainda buscou uma oportunidade para trabalhar no futebol ao pendurar as chuteiras, mas viu as portas se fecharem nos clubes belarussos. O esporte virou apenas um passatempo de final de semana, mesmo com os movimentos limitados nos joelhos. As dores nas pernas também impediam que o ex-jogador realizasse trabalhos mais pesados.

A causa da morte de Tsyhalka não foi divulgada, mas o ex-atacante enfrentava problemas de saúde nos últimos anos. Por conta de sua situação financeira, fãs do CM criaram uma petição pedindo que o belarusso ganhasse uma oportunidade de trabalho em 2018. A glória sempre foi virtual a um jogador que enfrentou dificuldades como tantos outros. Ao menos, há uma legião de fanáticos que ajudará a preservar seu nome durante anos além de sua vida.

Fica a sugestão de leitura também ao obituário do amigo Emanuel Colombari, no sempre ótimo Última Divisão.