Leste Europeu

Estreante aos 33

Ao longo de toda sua carreira, Andriy Dykan nunca conseguiu se destacar. Nascido em Kharkiv, na Ucrânia, até os 32 anos contentou-se em jogar por clubes pequenos russos e ucranianos. Trajetória simples, sem nenhum brilho e que estava fadada a ser apenas mais uma entre tantas outras. Mas a vida resolveu sorrir para o goleiro aos 33.

Dykan começou a jogar no Avanhard Rovenky, em 1995. Ficou no clube por quatro temporadas, quando transferiu-se para o Shakhtar Makivka. Em 1999, então, conseguiu dar o primeiro passo à frente na carreira, com uma transferência para o SKA-Energiya Khabarovsk, da segunda divisão da Rússia. Sim, não era nada demais, mas já era algo bem melhor do que ficar perambulando por micro-clubes da Ucrânia.

Foram cinco anos de muita dedicação ao SKA, que lhe renderam a idolatria da torcida e chamaram a atenção de equipes maiores do país. Com 27 anos, foi contratado pelo Kuban Krasnodar, e assim como fez por todos os lugares onde havia passado, ficou um bom tempo e conquistou o amor dos torcedores.

No entanto, por causa de uma lesão e a chegada de Vladimir Gabulov, da seleção russa, Dykan foi obrigado a deixar Krasnodar por não querer ser apenas um reserva. Voltou para a Ucrânia, para defender o Tavriya Simferopol, e segundo suas próprias palavras, algo forçado.

“Com todo respeito ao time de Simferopol, foi um passo atrás na carreira, mas eu tive a oportunidade de jogar”, garante Dykan. “Não fiquei no Kuban por muitas razões. Primeiramente o contrato acabou e não foi renovado, e eu não queria sentar no banco de reservas. Entendi que Vladimir Gabulov, da seleção russa, precisaria jogar também”.

No Tavriya foram necessários poucos meses para se destacar novamente e retornar à Rússia, desta vez para jogar pelo Terek Grozny, da Chechênia. E aos 32 anos, teve a melhor temporada da carreira. Em 2009 foi extremamente seguro, e no primeiro semestre de 2010 conseguiu uma sequência de grandes jogos pela equipe chechena.

Com isso, aos 33 anos (fez aniversário em julho), Dykan teve o trabalho de toda carreira premiado com dois convites: o primeiro, um pouco antes, em julho, a convocação para o amistoso da Ucrânia contra a Noruega – vitória por 1 a 0 – e a titularidade no jogo; depois, em agosto, para defender o Spartak Moscou, que havia negociado o croata Stipe Pletikosa com o Tottenham e estava apenas com jovens arqueiros no elenco.

A estreia ocorreu em 10 de setembro, contra o Saturn, no estádio Luzhniki – vitória por 2 a 1. Na sequência, o duríssimo compromisso com o Olympique de Marseille, pela Liga dos Campeões, fora de casa – outra vitória, desta vez por 1 a 0. E no último final de semana, mais um triunfo: 2 a 0 sobre o Spartak Nalchik, longe de Moscou.

Em poucos meses, Andriy Dykan trocou a monótona vida de goleiro de times pequenos russos e ucranianos para ser protagonista em partidas da competição entre clubes mais importante do mundo. E, logicamente, que toda essa mudança assusta. Até mesmo um “novato” de 33 anos.

“Comparando com o Terek, senti muitas diferenças principalmente no interesse dos jornalistas comigo. Agora tenho que dar entrevistas todos os dias e de vez em quando mais de uma vez no dia”, fala, sinceramente, o goleiro ucraniano. “Não gosto de ser o centro das atenções. Dentro de mim, é claro, estou orgulhoso dessa fama. Mas sou apenas mais um no campo”.

Para muita gente os jogadores com mais de 30 anos já precisam ser colocados de lado, em detrimento dos mais jovens. Andriy Dykan, certamente, não concorda com isso.

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Equipe Trivela

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