Em busca da redenção

Dentre os grandes clubes de Moscou, o Lokomotiv briga com o Torpedo pelo posto de quarta força histórica da cidade, atrás dos rivais Spartak, CSKA e Dynamo. Como nos últimos anos o Torpedo afundou vertiginosamente, o status passou a ser automaticamente creditado ao Loko. O clube, no entanto, tem sofrido com péssimas campanhas na Premier Liga russa.
Nesta semana, após mais um tropeço na competição, desta vez para o Kuban, por 1 a 0, em Krasnodar (gol de Traoré, emprestado pelo próprio Lokomotiv), a diretoria decidiu demitir o técnico Rashid Rakhimov. O time ocupa apenas a 12ª posição, com seis pontos e somente uma vitória. E para seu lugar, ao menos interinamente, o clube aposta suas fichas no ídolo Vladimir Maminov.
Nascido no Uzbequistão há 34 anos, Maminov foi jogador do Lokomotiv de 1992 até o ano passado, quando resolveu se aposentar. Disputou 291 jogos pelo clube e marcou 31 gols. Ganhou, então, o cargo de assistente técnico de Rakhimov. Logo…
Com a indicação do ídolo, o Loko busca em suas raízes a tentativa de sair da estagnação que o clube se encontra – nas duas últimas temporadas foi apenas o sétimo colocado e nas outras duas anteriores terminou em terceiro. Em termos de título, a equipe não vive um período de vacas magras tão longo, afinal, levou a Copa da Rússia de 2007 e a Premier Liga em 2004. O problema é que os investimentos feitos não têm mais rendido resultados em campo.
Maminov ou o treinador que for escolhido de forma definitiva (a imprensa russa especula Yuri Semin, atualmente no Dynamo Kiev) lidará com um ótimo elenco. O goleiro é o veterano Marek Cech, que comanda a defesa formada pelos bons zagueiros Basa e Rodolfo. Este último, inclusive, afirmou em uma entrevista para este colunista há pouco mais de um mês, que a pressão interna no clube atrapalha um pouco.
No meio, a equipe conta com os selecionáveis russos Torbisnki e Bilyaletdinov, além da jovem revelação Glushakov, de 22 anos. Na frente, o rápido e goleador atacante nigeriano Peter Odemwingie forma dupla com o experiente Dmitry Sychev. Isso sem falar em outras opções do elenco, como o volante brasileiro Charles, ex-Cruzeiro, o zagueiro Yanbaev, o meia georgiano Mujiri, entre outros.
Enfim, há um bom tempo que o Lokomotiv tem um time para figurar bem acima da sétima posição da Premier Liga. Talvez não no mesmo nível de Zenit, CSKA e Spartak, mas não fica devendo tanto para o atual campeão, Rubin Kazan. O que leva à conclusão de que realmente o problema deve ser extra campo.
Com jogadores e comissão técnica pressionados, os resultados naturais não têm aparecido, e a equipe desperdiça pontos fáceis contra adversários teoricamente mais fracos. Já nos clássicos, o Loko não tem ido mal e normalmente consegue obter vitórias ou empates. De qualquer modo, a temporada ainda está no começo. Assim, se Maminov for confirmado no cargo ou outro técnico acabar contratado, o comandante do time terá tempo para acertar os problemas e dar confiança ao grupo. O ano não está perdido.


