Leste Europeu

Ele é o cara (em Moscou)

Vagner Love chegou ao CSKA Moscou em 2004. Nos cinco anos seguintes, conquistou quase tudo que podia pelo time russo, tornou-se ídolo da torcida, cansou de marcar gols, mas a transferência para um grande centro europeu não veio. Em determinados momentos, as propostas apareceram, mas Evgeni Giner nunca aceitou qualquer valor. Há cerca de 12 meses, no entanto, o brasileiro pediu para retornar ao Brasil. Para isso, aceitou prorrogar seu vínculo com o CSKA até a metade de 2014.

Foram alguns turbulentos meses no retorno ao Palmeiras. No Palestra Itália não foi feliz e seguiu para o time do coração, o Flamengo. Na Gávea, fez uma excelente parceria com Adriano. Queria permanecer no Rio de Janeiro, mas o CSKA não chegou a qualquer acordo e o atacante pegou o avião para Moscou há cerca de um mês.

A imprensa russa criticou muito a postura do jogador. Entre os torcedores, um sentimento misto predominava. Vagner precisaria dar a resposta em campo, e o fez com preciosismo.

Sua reestreia foi no dia primeiro deste mês, no maior clássico do CSKA, contra o Spartak Moscou. Vitória por 2 a 1, com o gol decisivo marcado pelo brasileiro nos acréscimos da partida. Uma semana depois, goleada sobre o Anzhi por 4 a 0 e outro gol do atacante. Nesta quarta-feira, pela primeira vez, não marcou desde que voltou – o CSKA fez 4 a 0 no Anorthosis Famagusta, pelo jogo de ida dos playoffs da Liga Europa (tudo bem que ainda perdeu um pênalti, mas já mostra a moral de ser o cobrador oficial).

Com isso, Vagner Love rapidamente apagou qualquer mágoa que poderia existir com ele em Moscou. Responde com futebol, gols. E ele já se tornou o cara desse time.

O técnico Leonid Slutsky gosta de jogar com somente um atacante mais fixo, e essa posição é de Vagner Love. O treinador nem titubeou em tirar Tomás Necid do time e, com o retorno do brasileiro, não fez muitos esforços para segurar Guilherme, que retornou ao Dynamo Kiev.

A importância da chegada de Vagner Love ao CSKA é tão grande que mesmo os rivais apontam que o clube, agora, volta a ter chances de desbancar o Zenit São Petersburgo do topo da tabela – lidera com 40 pontos após sete rodadas, sete a mais que o Exército Vermelho.

Nesta semana entrevistei o meia Alex, do Spartak Moscou, e o ex-jogador do Internacional disse o seguinte, questionado se algum time terá condições de bater o Zenit:

“Eles começaram muito bem, não param de contratar, pegam os melhores russos. Aqui há a necessidade de escalar sempre cinco russos, e por isso é preciso suplência para eles. E não nascem tantos russos talentosos como os brasileiros e espanhóis, por exemplo. A linha do Zenit é essa, de investir, não controlam muito o dinheiro. Já o Spartak investe mais em jovens, gasta menos. Para esse ano vai ser muito difícil tirar o título deles, mas o CSKA, com a chegada do Vagner Love, voltou a ficar muito forte”.

E é por aí mesmo. Com Necid e Guilherme como opções o CSKA tinha apenas um bom ataque, mas que não era respeitado pelas defesas adversárias. Com Love o respeito também voltou, além dos muitos gols – já foram 97 pelo Exército Vermelho, além de 11 títulos conquistados e a artilharia do Campeonato Russo 2008 e da Copa Uefa de 2008/09.

Vagner Love, no entanto, ainda sonha com a possibilidade de alguma transferência antes do fechamento do mercado europeu (31 de agosto). Algo bem improvável. Caso isso realmente não aconteça, o jogador pode entrar mais um pouco na história do clube se conseguir o feito de levar o CSKA ao título desta temporada. Isso sem falar na Liga Europa…

Vexame na Ucrânia

Nesta semana, Metalist Kharkiv e Karpaty Lviv foram punidos com a perda de nove pontos. São acusados de manipular um resultados no Campeonato Ucraniano em 2008, quando o Metalist goleou o Karpaty por 4 a 0.

Todas as punições o leitor encontra aqui. De qualquer modo, é um vexame que mancha demais a competição e coloca em dúvida a credibilidade do torneio. Uma pena.

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Equipe Trivela

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