Leste Europeu

Ele é o cara e pode fazer história

Quando Alex se mudou do Internacional para o Spartak Moscou, muita gente deve ter dito que ele estava cometendo um grande erro com a própria carreira. Afinal de contas, ele era um dos melhores jogadores em atividade no país e começava a ter oportunidades na seleção brasileira. De acordo com os críticos, ao se mudar para a Rússia, ele “jogava fora” a chance de disputar uma Copa do Mundo com a amarelinha em troca da independência financeira.

Ao final da temporada, porém, pode-se dizer que ele reverteu essa situação dentro de campo. Eleito o melhor jogador da Premier Liga pelo jornal Sovetsky Sports, Alex chamou a atenção de grandes clubes do Velho Continente, além de ter sido convocado por Dunga para jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo. E vive a perspectiva de fazer história, pois pode ser o primeiro jogador de um clube da Rússia – e de todo o leste europeu – a defender a seleção brasileira em um Mundial.

No início do campeonato, parecia que as coisas iriam dar errado. Cheio de caras novas, o Spartacus tinha dificuldades de entrosamento sob o comando de Michael Laudrup, demitido após perder para o Dynamo Moscou por humilhantes 3 a 0 pela Copa da Rússia. Com a saída do treinador que o havia indicado, as coisas poderiam piorar muito para Alex, mas aconteceu justamente o contrário quando Valery Karpin, um ex-meia bom de bola, mas bem menos brilhante do que Laudrup como jogador, assumiu o cargo.

Os sintomas de melhora apareceram na oitava rodada, quando o Spartak venceu, fora de casa, o Rubin Kazan, que viria a ser bicampeão, por 2 a 0. Alex não marcou, mas arrebentou com o jogo, dando as assistências para Martin Stranzl e Welliton e comandando todas as ações do meio-campo. Ele atuou durante a temporada inteira como o meia central de um 4-2-3-1, posição atualmente ocupada por Kaká na seleção brasileira, mas sem um reserva definido.

Depois do jogo contra o Rubin, Alex passou a ter um papel muito mais decisivo no time. O meia brilhou com dois passes para gol na vitória por 3 a 2 contra o Terek, um gol e uma assistência na vitória contra o CSKA e terminou a temporada com a impressionante marca de 11 gols e dez assistências, sendo o quinto goleador do torneio e o líder em passes. Além disso, mesmo quando não brilhava, organizava e liderava a equipe dentro de campo, como nos 3 a 0 contra o Lokomotiv Moscou.

Ele também exerceu um papel importantíssimo na metade do segundo turno, quando uma série de lesões, somadas à venda de Vladimir Bystrov, desmontou o meio-campo do time justamente às vésperas da partida contra o Rubin Kazan em Moscou. A derrota por 3 a 0 poderia ter abalado o grupo, mas Alex novamente entrou em cena e foi fundamental na reação que colocou o Spartacus de volta na briga pelo título e garantiu o retorno da equipe à Liga dos Campeões, objetivo do início da temporada.

Por esses e outros motivos, pode-se dizer que foi uma escolha justa, mesmo com a concorrência qualificada de Alejandro Domínguez, campeão com o Rubin Kazan e eleito o melhor jogador do ano na Rússia em outras votações. O atacante argentino, que se transferiu para o Valencia recentemente, também fez uma excelente temporada e tem muitos méritos, mas entrou em um time montado e já estava adaptado ao estilo de vida russo antes de chegar à Tartária.

Para ir à Copa do Mundo, porém, Alex precisa manter, no primeiro semestre de 2010, o mesmo nível de atuações exibido em 2009. E poderá fazê-lo com uma equipe mais estruturada, pois Karpin e a maioria dos jogadores seguirão no clube. Se somarmos essa continuidade com o amadurecimento de jovens promessas, como Pavel Yakovlev e Zhano Ananidze, poderemos chegar a uma equação que leve o Spartak Moscou de volta ao topo da Rússia após um jejum de nove anos. Quem viver, verá.

Krasic de saída

Principal nome do CSKA na temporada e eleito o jogador sérvio do ano, Milos Krasic admitiu que quer mudar de clube no verão europeu. Ele alega que, para continuar evoluindo na carreira, precisa jogar em uma liga mais forte, e pretende ir para o futebol espanhol ou italiano. Até agora, o Milan foi quem se demonstrou mais fortemente interessado em contar com os serviços do extremo direito para a temporada 2010/11.

Krasic, no entanto, disse que as possibilidades de deixar o Exército Vermelho em janeiro são muito pequenas. Ele quer jogar as oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Sevilla, e afirmou ao jornal Sovetsky Sport que “não vai deixar os companheiros na mão”. O CSKA tem chances de seguir adiante, e sair do clube agora significa perder a oportunidade de se projetar em nível continental.

 

O colunista deseja um feliz ano novo a todos e aproveita a oportunidade para agradecer todo o apoio recebido nesses quatro meses.

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Equipe Trivela

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