Leste Europeu

Disputa em aberto

Depois de vencer o Spartak Moscou com tranquilidade no final de agosto, tudo indicava que o Rubin Kazan caminharia rumo ao bicampeonato russo com tranquilidade. A equipe conseguia manter uma regularidade nos resultados, e a diferença de pontos para os adversários mais fortes permitia até alguns deslizes no confronto direto contra eles. Um mês depois, porém, tudo mudou, a diferença para o Spartacus voltou a ser de apenas um ponto e agora existem mais três concorrentes pelo título: o Zenit, o CSKA e o Lokomotiv Moscou.

Tudo porque, neste domingo, o Loko venceu o Rubin, por 2 a 1, em Moscou, e quebrou a invencibilidade fora de casa do rival na temporada. Os moscovitas foram soberanos no primeiro tempo e construíram uma vantagem de 2 a 0. Com o resultado, os kazanianos agora somam três jogos sem vitória no Campeonato Russo. Até a semana passada, eram oito partidas sem derrota.

O primeiro gol saiu logo no início, em uma jogada confusa, e foi creditado a Dmitri Sychev, que recebeu belo lançamento de Dmitri Torbinski e cruzou a bola para Peter Odemwingie, que dividiu com o zagueiro e viu a bola entrar. No segundo, Odemwingie aproveitou uma lambança do goleiro Sergei Ryzhikov, que recebeu um recuo do zagueiro e quis dar um chutão para frente, mas acertou o peito do centroavante nigeriano. A bola rolou mansamente até o fundo das redes.

O Rubin ainda reagiram na segunda etapa, e diminuíram o placar com o georgiano Lasha Salukvadze, de cabeça, aproveitando belo cruzamento do argentino Alejandro Domínguez. E ainda tiveram chances de empatar, mas esbarraram nas próprias limitações do elenco. Com o desfalque do turco Gökdeniz Karadeniz, a equipe se viu completamente dependente dos lampejos de Domínguez e Sergei Semak, que, pelas próprias características, não foram capazes de imprimir a velocidade necessária ao jogo.

No Loko, destaque para o sólido sistema defensivo montado pelo técnico Yuri Semin e liderado pelo brasileiro Rodolfo, capitão da equipe. O goleiro Guilherme, ex-Atlético Paranaense, mostrou que está recuperado das seguidas lesões no joelho que prejudicaram sua carreira e teve uma exibição muito segura. Outro que teve excelente atuação foi o meia Dmitri Torbinski, que volta à seleção russa após logo tempo inativo por contusão.

O Spartak se consolidou na vice-liderança com uma difícil vitória de virada por 2 a 1 sobre o Amkar, algoz do Rubin na rodada anterior. O atacante Welliton, que fez o gol de empate, quebrou um jejum de quatro partidas sem marcar e continua como artilheiro do campeonato, agora com 16 gols. O meia Alex, convocado por Dunga para os dois jogos das Eliminatórias da Copa, deu o passe para os dois gols e foi eleito o melhor em campo.

Quem chega ao páreo definitivamente é o Zenit, que venceu o Dynamo Moscou por 2 a 1 e ampliou sua sequência de triunfos para cinco. Os recém-contratados Vladimir Bystrov e Mateja Kezman deram um acréscimo de qualidade ao time, que subiu da nona para a terceira colocação nas últimas sete rodadas. Os confrontos diretos contra Spartak Moscou e Rubin Kazan decidem a sorte da equipe, que corre atrás de um novo técnico e precisa voltar à Liga dos Campeões para ter mais opções no mercado.

Outro que ainda está na briga é o CSKA, que só perdeu uma partida no campeonato desde a chegada de Juande Ramos, e goleou o vice-lanterna Kuban por 4 a 0 neste fim de semana, com dois gols do chileno Mark Gonzalez.. A equipe se manteve na quarta posição com 42 pontos, um a menos que o Zenit e cinco a menos que o Rubin.

Faltando seis rodadas para o fim, os confrontos diretos podem ser decisivos nessa disputa de cinco equipes. O Spartak, em tese, tem a pior tabela, pois ainda enfrenta Lokomotiv, CSKA e Zenit, e, se perder pontos em dois desses jogos praticamente dá adeus à disputa. O Loko, por sua vez, encara apenas o Spartak na próxima jornada e depois poderá se beneficiar contra adversários mais fracos.

Para continuar na briga Zenit e CSKA terão que vencer o Rubin, pois os kazanianos, além dos confrontos diretos, encaram os últimos colocados nesta reta final. Mas, apesar da vantagem teórica que ainda existe, fica a impressão de que o bicampeonato poderia ser garantido com muito mais tranquilidade, se não fossem uns pontos bobos perdidos no meio do caminho.

Rússia x Alemanha

Às vésperas da partida contra a Alemanha que decide a classificação para a Copa do Mundo de 2010, o técnico da Rússia, Guus Hiddink, afirmou que sua equipe buscará o ataque durante os 90 minutos. Em entrevista ao jornal “Sovietsky Sport”, ele disse que confia em sua seleção e quer a vitória a todo custo, para evitar a repescagem.

“Minha filosofia de vida não se baseia no medo. É claro que nós respeitamos os alemães, mas iremos para cima, e o empate não nos deixará satisfeito”, analisou, para depois elogiar a bravura de sua pátria adotiva. “A coragem é um atributo natural do povo russo, e é assim que devemos jogar no sábado para sairmos vencedores”, observa o técnico, que confirmou a presença do meia Yuri Zhirkov na partida.

Ainda na entrevista, Hiddink minimizou a preocupação existente no país, sobre a diferença física entre os jogadores russos e alemães. “Eles têm força, mas nós temos jogadores rápidos e podemos envolvê-los tocando a bola com velocidade. Nosso time está muito bem fisicamente”, disse.

A preocupação da imprensa local vai ao encontro do pensamento do centroavante sérvio Mateja Kezman, que disse, logo após sua estreia, que o futebol russo é “mais técnico que o francês e privilegia as jogadas trabalhadas, ao invés da ligação direta entre defesa e ataque”. Quando observamos que vários dos melhores do campeonato têm menos de 1.80m, vemos que o raciocínio de Kezman tem boas chances de estar correto, ainda que o caminho mais fácil – e mais seguido – seja o de colar nos russos os estereótipos de “futebol força” e “violentos”.

Ucrânia

Os ucranianos decidem, contra uma já classificada Inglaterra, a possibilidade de depender de si na última rodada para poder se classificar para a repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Isso por que estão na terceira posição da chave, com 15 pontos, dois a menos do que a Croácia, e um jogo a menos. Se vencerem os ingleses, eles precisarão de uma vitória simples contra Andorra, em casa, na última rodada.

O atacante Andriy Shevchenko, do Dynamo Kiev, tratou de dar um fim às especulações sobre um possível sentimento de revanche contra os ingleses em razão da passagem apagada pelo Chelsea nas últimas temporadas. “Não tenho nada a provar para a Inglaterra”, disparou.

Sheva apontou as lesões como motivos do seu fracasso na terra da rainha, além da incompreensão do técnico José Mourinho. “Mourinho é um grande organizador e presta muita atenção nos detalhe do jogo, mas talvez ele precise falar mais com os jogadores”, analisou, para depois falar do seu atual momento. “Voltei ao Dynamo Kiev e vou fazer as pessoas perceberem que ainda tenho alguns anos de carreira em alto nível”, concluiu.

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Equipe Trivela

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