Leste Europeu

Derrota inaceitável

A Rússia não pode perder para a Eslováquia em casa. Por mais que os eslovacos tenham feito um bom papel na última Copa do Mundo, os russos tinham a obrigação de vencê-los em Moscou. Ainda mais em uma competição como as eliminatórias da Eurocopa, onde derrotas como essa podem pesar muito mais pra frente.

Na sexta-feira o time, agora sob o comando de Dick Advocaat, estreou com uma magra vitória sobre Andorra por 2 a 0, com dois gols de Pavel Pogrebnyak. Entre os torcedores e jornalistas russos, ficou a sensação de que a equipe poderia ter rendido muito mais, mas como era apenas a primeira partida, “permitiu-se” a atuação mediada. Já contra os eslovacos esperava-se muito mais.

Esse tropeço por 1 a 0, gol marcado pelo bom Miroslav Stoch, aos 27 minutos da primeira etapa, em uma falha de Igor Akinfeev, relembrou os russos do passado triste recente. A eliminação para a Eslovênia, nos playoffs europeus para a Copa do Mundo, ainda não foi totalmente digerida por todos.

Ninguém criticava o trabalho de Guus Hiddink, mas após a tragédia diante dos eslovenos e a saída do treinador holandês, as pessoas queriam ver uma Rússia mais imponente, jogando mais pra frente e, em casa, mostrando sua força. Afinal, a equipe possui uma geração talentosa, liderada por Andrei Arshavin e com Alan Dzagoev como a estrela em ascensão.

Com a chegada de Adovcaat, um treinador que ganhou tudo com o Zenit São Petersburgo jogando um belo futebol, a expectativa gerada foi grande. Com as duas partidas ruins, logo no começo, as cobranças já podem surgir. Até porque, vale lembrar, a federação russa acertou um contrato com o treinador vinculdo a resultados, onde ele pode ser sacado a qualquer momento – existem cláusulas que permitem isso.

Como nestas eliminatórias para a Euro classificam-se as campeãs dos nove grupos, mais a melhor segunda colocada diretamente, enquanto as oito segundas colocadas restantes disputam playoffs pelas quatro vagas restantes, a Rússia precisará compensar agora fora de casa. Em um grupo (B) com Irlanda, Armênia, Macedônia e Andorra, russos e eslovacos são os favoritos. E para evitar maiores surpresas, como no Mundial, é bom garantir o primeiro lugar logo.

Sobre o time

Dick Advocaat, porém, montou um time ofensivo. Realmente não funcionou, principalmente contra a Eslováquia, quando a equipe não soube furar a retranca armada por Vladimir Weiss. Mas nesse seu começo de trabalho o treinador holandês parece apostas demais no tridente formado por Dzagoev, Arshavin e Pogrebnyak.

Além disso, conta ainda com a ajuda ofensiva de Igor Semshov, além da marcação eficiente de Roman Shirokov e o bom central midfieldes Konstantin Zyrianov. E no banco há boas opções para trocas nessas posições, como Diniyar Bilyaletdinov e Vladimir Bystrov para o meio e Dmitri Torbinskiy e Roman Pavlyuchenko na frente.

A defesa, talvez, precise ser um pouco revista. Akinfeev, apesar da falha, é intocável. Yuri Zhirkov na lateral-esquerda foi uma invenção de Guus Hiddink na Eurocopa de 2008. Sinceramente, acho que ele rende muito mais jogando pela esquerda do meio-campo, portanto, deveria ser adiantado. Além deles, Vasili Berezutski e Sergei Ignashevich, a dupla de zaga do CSKA, já não passa a mesma confiança de alguns anos atrás.

De qualquer modo há talento suficiente para Advocaat arrumar essa Rússia. Mas os resultados precisam aparecer logo, até para voltarem a ter o apoio de todos.

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Equipe Trivela

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