Leste Europeu

Dedo na ferida

A Eurocopa de 2012 na Ucrânia se tornou uma enorme dor de cabeça para a Uefa há muito tempo. Atrasos nas obras, problemas com o cronograma, falta de investimentos, enfim, Michel Platini quebra a cabeça para não mudar uma das sedes da competição (a outra, a Polônia, está em situação bem melhor). E nos últimos dias mais um problema surgiu.

O presidente da federação ucraniana de futebol (FFU), Hrigory Surkis, não possui muitos amigos na entidade. Sua administração, vigente desde 2000 com duas reeleições, é muito contestada e acusada de corrupção – motivo pelo qual, aliás, chegou a ter o visto de entrada nos Estados Unidos negado em 2004. Ele, constantemente, aparece em listas de homens mais poderosos e influentes da Ucrânia. Já foi, também, deputado do Parlamento ucraniano em duas oportunidades, e é irmão de Ihor Surkis, presidente do Dynamo Kiev.

Só que suas atitudes na FFU cansaram os demais membros da entidade, que montaram uma espécia de motim e pedem sua saída do cargo, antes do término de seu mandato, que expira no final do ano que vem. Os 11 membros do Comitê Executivo publicaram uma carta pedindo pedindo a renúncia do dirigente. O Governo ucraniano não se manifestou à época.

Com isso, a Uefa, mais uma vez, foi obrigada a agir. Afirmou que não aceitaria qualquer interferência na FFU e que, se isso ocorresse, acarretaria na imediata suspensão da entidade e, consequentemente, da seleção ucraniana, a qual não participaria da Euro 2012. O emprego dos verbos no futuro do pretérito surtiram efeito.

Com a real ameaça, os ucranianos declinaram das ideias. Os 11 revolucionários mandaram uma outra carta à imprensa, desta vez deixando claro que eles “não pedem uma substituição do comando da FFU antes do fim da Euro 2012 e antes do término do mandato do presidente da FFU”. Para não parecerem frouxos demais, ao menos pediram a realização de um congresso emergencial.

Com a necessidade de explicações maiores, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, também apareceu em público para acalmar os companheiros da Uefa. Lembrou dos problemas das obras, falou que o país superou esse atraso e que não corre qualquer risco de perder a Euro. “Não perderemos o direito de sediar o torneio por causa do conflito na FFU”, garantiu, de forma direta, clara e já mandando um recado para os dirigentes. E ainda disse que todos devem resolver os problemas apenas no ano que vem.

Ou seja, varra-se tudo para debaixo do tapete. Pelo menos até acabar a Euro 2012.

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Equipe Trivela

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