Leste Europeu

De volta às raízes: Podolski assina com o Górnik Zabrze, o clube de seu coração na região onde nasceu

Aos 36 anos, Podolski cumpre uma promessa antiga e defenderá o clube pelo qual torcia desde a infância

Lukas Podolski nasceu na cidade de Gliwice, na Polônia, mas deixou o país muito cedo. Filho de um jogador de futebol e de uma jogadora de handebol, o garoto se mudou com a família para a Alemanha Ocidental quando tinha apenas dois anos. Cresceu na região de Colônia e por lá iniciou sua carreira, sem passar pelo futebol polonês. No entanto, aos 36 anos, o atacante vai jogar no país onde nasceu. Nesta terça-feira, o Górnik Zabrze anunciou a contratação de Podolski para a próxima edição do Campeonato Polonês. O atacante estava sem contrato, após o fim de seu vínculo com o Antalyaspor, da Turquia. O veterano cumpre uma promessa antiga, de encerrar a carreira no time de sua terra e para o qual torcia na infância ao lado do Colônia.

Quando era mais jovem, Podolski chegou a ser sondado pela seleção da Polônia. Entretanto, o atacante recusou o chamado da equipe nacional. Afirmaria que os poloneses só se interessaram por seu talento quando ele já despontava com o time sub-21 da Alemanha e preferiu defender as cores do país onde cresceu. Isso não o impediu de se recusar a comemorar um gol contra a Polônia na Euro 2008. E o veterano cultivou paralelamente suas raízes polonesas.

Com dupla nacionalidade, Podolski é fluente em polonês e se casou com uma mulher de origem polonesa, em matrimônio celebrado no país. Além disso, com familiares na região de Gliwice, seguiu acompanhando o Górnik Zabrze. O clube está situado próximo do distrito onde o atacante viveu seus primeiros anos de vida. Mesmo no início da carreira, o astro já manifestava sua simpatia pela equipe.

O namoro de Podolski com o Górnik Zabrze teve alguns episódios no passado. O atacante continuou visitando a Polônia durante a carreira, especialmente para ver seus avós. Sem esconder sua ligação com o clube, também aparecia de vez em quando no estádio. O atacante arranjou um contrato para os tricolores com a Adidas, garantindo o fornecimento de material esportivo, e emprestava sua imagem às categorias de base. Já em 2014, depois da Copa do Mundo, recebeu uma homenagem da equipe pela conquista com a Alemanha. A aguardada transferência, ensaiada em 2019, se concretizou desta vez.

O Górnik Zabrze está entre os clubes mais tradicionais do Campeonato Polonês. O Tricolor é o segundo maior campeão nacional e acumula 14 títulos na liga. Porém, a equipe não desfruta do sucesso desde a década de 1980 e atravessa 33 anos sem faturar a Ekstraklasa. Uma das bases da seleção polonesa durante o auge dos anos 1970 e 1980, o Zabrze contou com craques do porte de Wlodzimierz Lubanski e Andrzej Szarmach. Entretanto, a estagnação mantém o time longe do topo da liga e até uma passagem pela segundona aconteceu durante a última década. Na temporada passada, os tricolores ficaram apenas no décimo lugar da elite nacional.

A chegada de Podolski tem sua relevância pela própria história do atacante, um jogador marcante na seleção alemã, e também por efeitos de marketing. Porém, o veterano ainda precisará se provar dentro de campo como um bom acréscimo do Górnik Zabrze. Embora titular do Antalyaspor, o medalhão marcou apenas seis gols nas duas últimas edições do Campeonato Turco. Vinha um pouco melhor quando defendeu o Vissel Kobe na J-League, mas longe de ser aquele ponta goleador dos tempos de Colônia. Nos últimos anos, inclusive, tem sido usado com frequência como centroavante.

O mais forte na chegada de Podolski é mesmo o enredo. A quem ainda esperava um retorno ao Colônia, o alemão tomou outra decisão e escolheu uma paixão menos conhecida. E há uma clara empolgação no Górnik Zabrze, por tudo o que o atacante representa dentro do futebol. É esperar para ver se tal ligação com o time de sua infância na Polônia poderá render um gás a mais no fim da carreira e muitos gols na Ekstraklasa. Sem dúvidas, vai ser uma das histórias a se acompanhar nas ligas menos badaladas nesta temporada.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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