Leste Europeu

De vilão a herói, Marlos decide Copa da Ucrânia com golaço no fim e vai às lágrimas

Marlos é um dos símbolos do momento atual vivido pelo Shakhtar Donetsk. O meia não possui a grife de muitos de seus antecessores no clube, como Douglas Costa e Henrikh Mkhitaryan. Chegou em um período de transformação na política de mercado, em que os Mineiros passaram a investir em jogadores de outros clubes ucranianos, cessando as contratações internacionais em meio à guerra civil. E não que isso desse menos valor ao brasileiro. Pelo contrário, ele assumiu o protagonismo e se tornou um dos destaques do elenco. Até viver o ápice das emoções nesta quarta, na decisão da Copa da Ucrânia. Médico e monstro, o camisa 11 garantiu a dobradinha nacional ao seu time.

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Como de praxe, o Shakhtar enfrentou o Dynamo Kiev na final, disputada em Kharkiv. E, aos sete minutos, Marlos teve a primeira oportunidade de resolver o clássico. Pênalti que caiu sob a sua responsabilidade. Na cobrança, o meia foi ousado o suficiente para bater com cavadinha. Mas exagerou na força. A bola tocou no travessão antes de ser neutralizada pela defesa. O placar zerado persistia. Até o camisa 11 se redimir da maneira mais brilhante possível, aos 35 do segundo tempo. Recebeu uma bola longa do goleiro na ponta direita, costurou a defesa, limpou a marcação e soltou o balaço. Indefensável, sem chance até de reação. Na comemoração, o brasileiro não escondeu que estava emocionado, indo às lágrimas. A noite em que poderia ser vilão terminou com final feliz.

Desde 2014 em Donetsk, Marlos exerceu papel importante nos tempos de Mircea Lucescu, e segue com moral sob as ordens de Paulo Fonseca. São 23 gols e 28 assistências em 124 partidas, em desempenho que o levou a ser sondado para se naturalizar à seleção ucraniana. Agora, fica ainda mais em evidência. Após ajudar seu clube a voltar ao topo do Campeonato Ucraniano, ratifica a hegemonia na temporada doméstica, com o 11° título na Copa da Ucrânia. De uma forma que os próprios torcedores guardarão com carinho. Vai ser a final de Marlos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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