Leste Europeu

Confusão à vista

Aos 36 minutos do segundo tempo, Dick Advocaat resolveu tirar o cansado Pavel Pogrebnyak de campo e colocar o atacante turco Fatih Tekke. Dois minutos antes, o Lokomotiv teve o zagueiro montenegrino Basa expulso. A partida, disputada no domingo, estava empatada em 1 a 1 e uma vitória manteria o Zenit na liderança da Premier Liga, após cinco rodadas.

No entanto, aos 40 minutos, o técnico holandês percebeu o erro. Com a entrada de Tekke, a equipe estava com sete estrangeiros em campo. Além dele, o sul-coreano Dong-Jin (autor do gol), o português Fernando Meira, o croata Krizanac, o ucraniano Anatoliy Tymoschuk, o húngaro Huszti e o português Danny já estavam jogando. Segundo os regulamentos do Campeonato Russo, somente seis, em campo, são permitidos.

Advocaat rapidamente chamou o meia Shirokok, seu único russo no banco, e o mandou para o jogo. O estrago, de qualquer modo, já estava feito. Após a partida, a polêmica dominou tudo. A federação russa vai analisar o caso e há a possibilidade de o placar ser anulado e ser decretada a vitória do Lokomotiv por 3 a 0.

O primeiro a sair em defesa de Advocaat foi Pogrebnyak. “Não devemos culpar o Dick Advocaat, todos os jogadores e assistentes compartilharam com o erro. Claro que não pensei sobre as regras na hora, fui alertado nos vestiários. Não é justo que tenhamos que aceitar uma decisão técnica por causa de quatro minutos. Por outro lado, não temos nada a fazer, já que violamos as regras”, afirmou o atacante, um dos pivôs da confusão.

Entre os jogadores adversários, a sensação era de que infelizmente isso aconteceu, mas eles não tem nada a ver com isso. “É difícil dizer algumas coisa sobre esse problema com o limite de estrangeiros no Zenit, porque não foi um erro nosso e não se refere propriamente ao jogo”, opinou o goleiro tcheco Marek Cech.

O meia da seleção russa e do Lokomotiv, Bilyaletdinov, foi mais direto. “Espero que nos dêem os três pontos, mas não nos parabenizem por uma vitória”.

Enfim, no final das contas, o mais provável é que o regulamento seja cumprido e o Zenit perca o ponto conquistado e o Loko some três, com o placar de 3 a 0. Obviamente a responsabilidade total pelo ato é do clube que o protagonizou, neste caso escancarado pelo pessoa de Advocaat, que é quem decide as mudanças na beira do gramado.

Ao mesmo tempo, porém, é impossível culpar apenas o treinador holandês pelo erro absurdo. Ele tem uma comissão técnica capacitada e que é responsável por prestar-lhe todo apoio possível – e isso inclui, naturalmente, o controle sobre o número de estrangeiros em campo. E há, até mesmo, uma certa culpa dos jogadores, que não podem se considerar fora do espetáculo e da responsabilidade. De qualquer forma, compartilhada ou não a culpa, a maior parte dela recai sobre Advocaat.

O fato, no entanto, leva a outra discussão, que já rendeu colunas antigas e certamente ainda vai servir para muita discussão no mundo futebolístico: o excesso de estrangeiros em alguns campeonatos.

Na Rússia o limite já é grande e muitos são a favor da teoria que, por causa dessa troca de culturas e experiências que o futebol russo ressuscitou para o mundo nos últimos anos. Os atletas russos passaram a ficar mais competitivos, almejar passos maiores na carreira e consequentemente a seleção, comandada por um holandês (Guus Hiddink), voltou a figurar no topo.

O Zenit, especificamente, é uma Torre de Babelm imensa. Tanto que Advocaat tem dificuldades para escalar russos, e na pré-temporada foi buscar reforços em alguns rivais ou teve que apelar para jovens promessas. Mas, como já foi dito, essa é outra discussão.

ATUALIZAÇÃO, ÀS 14h31 (23/04)

A federação russa julgou nesta quinta-feira o caso e decidiu não punir o Zenit. Foi apenas aplicada uma multa ao clube no valor de 500 mil rublos (€ 11,3 mil). Segundo a federação, não havia uma punição direta e bem definida no regulamento para este tipo de situação. Ficou marcada, também, para o próximo dia 24, uma reunião para corrigir esse item nas regras da Premier Liga.

Quem gostou da decisão foi Advocaat. “Acho que são boas notícias para nós esses 500 mil rublos. Estou feliz com a decisão e a acho correta. Não seria justo nos tirar o ponto que ganhamos em campo por causa de um erro que não teve influência. Todo homem pode cometer um erro como esse em uma situação de estresse”, disse o treinador.

Por outro lado, Nikolai Naumov, presidente do Lokomotiv, já garantiu que vai recorrer da decisão.

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Equipe Trivela

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