Leste Europeu

Com uma campanha assombrosa, o Estrela Vermelha conquista o primeiro tetra nacional de sua história

O Estrela Vermelha conquistou o Campeonato Sérvio nesta quinta-feira e sacramentou uma inédita dinastia na história do clube. Pela primeira vez, os alvirrubros emendaram um tetracampeonato nacional. Nem mesmo nos tempos de Iugoslávia os Crveni tinham conseguido uma série de títulos tão grande. Tal afirmação é fruto de um trabalho sólido nos últimos anos, que repercute também nas copas europeias, e que desde a temporada passada é conduzido pelo agora treinador Dejan Stankovic. São 34 jogos oficiais consecutivos sem perder, incluindo a vitória por 1 a 0 sobre o Vojvodina, que consumou a festa no Marakana. E pela forma como a equipe vem demolindo recordes na liga, parece difícil para o rival Partizan Belgrado reverter tal hegemonia no curto prazo.

Restando mais quatro rodadas para o fim do Campeonato Sérvio, o Estrela Vermelha abre 12 pontos de vantagem e não pode ser mais alcançado pelo Partizan, já que tem a vantagem no confronto direto. E não é que os alvinegros fazem uma campanha ruim, com um aproveitamento de 84,3% dos pontos. A questão é como os alvirrubros demoliram quem aparecesse pela frente. O Estrela Vermelha ainda está invicto. São 32 vitórias em 34 rodadas, beirando a pontuação centenária. O time possui o melhor ataque da competição, com 96 gols, e ainda sustenta a melhor defesa, só vazada 16 vezes. Seria difícil para qualquer um competir, diante de tal supremacia.

O Estrela Vermelha permaneceu na liderança do Campeonato Sérvio desde a primeira rodada. O time passou 20 partidas sem ser vazado, enquanto marcou pelo menos três gols em 21 oportunidades. O aumento no número de participantes da liga, após a suspensão do rebaixamento na temporada passada por causa da pandemia, pode até ter impactado no nível técnico. Mas não é isso que coloca em xeque a superioridade dos alvirrubros, ainda mais se comparados os resultados com os principais concorrentes. Somente Partizan e Javor Matis foram capazes de arrancar um empate contra os tetracampeões.

Mesmo além das fronteiras, o momento do Estrela Vermelha é espetacular. O time perdeu apenas um jogo nesta temporada, contra o Hoffenheim, na fase de grupos da Liga Europa. Os Crveni foram eliminados nas preliminares da Champions pelo Omonia Nicósia, mas somente nos pênaltis. Repescados à Liga Europa, encerraram a campanha nos 16-avos de final, com dois empates diante do Milan e desvantagem por causa dos gols fora. A equipe ainda pode assegurar a dobradinha nacional, garantida na final da Copa da Sérvia contra o próprio Partizan. A decisão acontece em 25 de maio.

Stankovic assumiu a equipe em dezembro de 2019 e mantém um nível de desempenho altíssimo, a um clube que, antes de sua chegada, disputou duas edições seguidas da fase de grupos da Champions. O antigo ídolo só perdeu três dos 59 jogos em que dirigiu os alvirrubros, com o assombroso aproveitamento de 84% dos pontos disputados. Molda uma equipe que, além de competitiva, se tornou mais agressiva na atual temporada. E não é apenas pela maneira como dominou o Campeonato Sérvio, mas também pela forma como quase despachou o Milan na Liga Europa, num momento em que os rossoneri vinham bem na Serie A.

Dentro de campo, alguns destaques se mantém. Nomes como o goleiro Milan Borjan, o zagueiro Milos Degenek, o meia Mirko Ivanic e o atacante El Fardou Ben são velhos conhecidos da torcida. Porém, algumas outras peças ganharam espaço, sobretudo no ataque. Aleksandar Katai voltou da MLS e virou um dos protagonistas nesta campanha. Diego Falcinelli também foi uma importante adição à linha de frente, assim como o volante Sékou Sanogo. E num clube com vocação para revelar talentos, o meia Veljko Nikolic e o ponta Zeljko Gavric são as principais promessas da atual jornada.

Somando os títulos do Campeonato Iugoslavo, o Estrela Vermelha chega aos 32 troféus. A sequência recente foi importante para se distanciar do Partizan, que chegou a encostar no total de títulos na última década, mas agora tem cinco taças a menos. Além disso, os alvirrubros aumentam sua relevância considerando o período desde que a Iugoslávia se estilhaçou. A partir de 1992/93, o Partizan levou 16 títulos, incluindo um hexacampeonato selado em 2013. O Estrela Vermelha chega a 12 taças no mesmo intervalo, com um tetracampeonato que nem o timaço do início dos anos 1990 tinha conseguido. No máximo, o clube havia faturado dois tricampeonatos – em 1970 e 1992.

O Estrela Vermelha ainda iniciará sua campanha na próxima Champions League a partir das preliminares. O time entra na primeira fase, a mesma de clubes como Olympiacos, Malmö, Ferencváros, Legia Varsóvia e Bodo/Glimt. Os alvirrubros pelo menos já sabem que o bom ranking garante uma posição como cabeça de chave. E a tendência é que os sérvios sejam um dos candidatos a alcançar a fase de grupos através da Rota dos Campeões. O elenco é forte e está acostumado a jogos de peso. A premiação do torneio continental, aliás, é mais um motivo para acreditar numa hegemonia duradoura no Campeonato Sérvio, permitindo investimentos mais altos que os dos concorrentes. Os méritos são vários e a roda da fortuna gira no Marakana.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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