Leste Europeu

Com sabor de vitória

Duas linhas de quatro bem definidas, um playmaker que voltava para marcar o tempo todo, e um atacante habilidoso que também reforçava a marcação. Some-se isso à aplicação dos jogadores e, em alguns momentos ao fator sorte, e assim podemos descrever o “ferrolho” armado pelo técnico do Rubin Kazan Gurban Berdyev, responsável direto pela ascensão nacional e continental do clube.

O jogo de volta contra o Barcelona, em Kazan, serviu para coroar, mais uma vez, o sucesso de sua estratégia e mostrar os méritos de uma equipe que realmente sabe se defender. O empate sem gols conquistado na base de muita entrega e sacrifício do time deu aos Tártaros a segunda colocação do Grupo F na Liga dos Campeões, e a possibilidade de passar à próxima fase eliminando o próprio Barça é real.

O jogo em si foi um massacre territorial dos espanhóis, que tiveram, durante todo o tempo, mais de 70% de posse de bola e várias chances para finalizar em gol. Mas, exceto a bola na trave de Ibrahimovic no início do primeiro tempo, as tentativas foram todas pífias, ou bem marcadas pela zaga, ou mesmo defendidas pelo bom goleiro Sergei Ryzhikov, líder técnico do time que deu algumas broncas na defesa durante a partida.

Durante a maior parte do tempo, porém, os blaugranas trabalharam a bola de um lado para o outro do ataque, sem objetividade, tentando furar um rígido sistema de marcação. O filme foi parecido com o do primeiro jogo entre as duas equipes, com a diferença que os kazanianos, dessa vez, não acertaram nenhum pombo sem asa aos dois minutos do primeiro tempo, e, retraídos demais, tiveram pouquíssimas chances de contra atacar.

E Berdyev teve muitos méritos nesses dois resultados, pois alterou o time taticamente em relação à equipe que joga no Campeonato Russo. Ao tirar o atacante Alexandr Bukharov para a entrada do lateral esquerdo Vitali Kaleshin, que atuou como meia e teve como única missão marcar Daniel Alves, diminuindo a velocidade da principal saída de bola dos espanhóis.

Os contra-ataques, assim como em Barcelona, foram escassos, mas, dessa vez, mal aproveitados. Com a efetivação de Karadeniz como armador e sua atuação abaixo da média, Domínguez acabou sendo o único atacante do time. E era auxiliado apenas por Alexandr Ryazantsev, que quase fez um belo gol na única finalização da equipe durante todo o primeiro tempo, que parou nas mãos de Victor Valdés.

No segundo tempo, com a entrada de Bukharov no lugar de Karadeniz, os contra ataques passaram a ser mais perigosos, e a equipe teve até algumas chances de abrir o placar. O quadro só foi alterado quando Thierry Henry entrou em campo no lugar de Seydou Keita, e o Barça passou a ter dois atacantes efetivos. Henry inclusive teve a bola do jogo nos pés, no finalzinho, mas não dominou a bola, que acabou nas mãos de Ryzhikov.

Domínguez de saída

A decisão do atacante Alejandro Domínguez de sair do Rubin Kazan ao final da temporada foi recebida, obviamente, com tristeza entre os fãs do clube, que o têm como ídolo. Afinal de contas, é o fim de uma relação que, ao todo, durou quatro anos – com o interlúdio de duas temporadas pelo Zenit – e sua história no futebol russo se confunde com o próprio crescimento do Rubin.

O jogador, revelado no River Plate, afirmou que quer viver em um lugar mais próximo do estilo de vida ao qual ele e sua família estão acostumados. Essa angústia deve, certamente, passar pela cabeça de muitos brasileiros que estão por lá, e tomar a decisão de ir embora certamente não foi fácil para Domínguez, que, aos 28 anos, não atrai tanto a atenção das grandes ligas e pode pintar até na próxima Taça Libertadores da América.

Sua passagem pela Rússia, porém, pode ser considerada vitoriosa, com quatro títulos já conquistados – todos pelo Zenit -, um Campeonato Nacional prestes a ser vencido, e o prêmio de melhor jogador estrangeiro da Rússia em 2006. Além disso, fica para os torcedores do Zenit a memória de sua excelente atuação nos 4 a 0 contra o Bayern de Munique pela Copa da UEFA 2007/08, quando Domínguez substituiu um suspenso Andrei Arshavin e deu duas assistências para gol.

O jogo não acaba aos 40

Se para o Rubin o empate teve sabor de vitória, o CSKA não pode dizer o mesmo do 3 a 3 contra o Manchester United, em Old Trafford, na terça-feira. Os russos venciam por 3 a 1 até os 39 minutos do segundo tempo e tinham tudo para sair da Inglaterra com a vitória, encostar no Wolfsburg e entrar na briga pela segunda posição do Grupo B. Mas os gols de Paul Scholes Antonio Valencia espantaram a zebraclassificaram os Red Devils para as oitavas de final.

Pelo CSKA, Alan Dzagoev foi novamente o destaque, com dois gols. O sérvio Milos Krasic completou a contagem. Para o goleiro e capitão do time, Igor Akinfeev, a equipe fez sua melhor partida na competição. “Estamos satisfeitos com nosso desempenho, apesar dos gols sofridos no fim. Nosso time demonstrou, durante os 90 minutos, muita aplicação e motivação. Não é qualquer um que faz três gols em Old Trafford da maneira que fizemos”, analisou.

A vida foi um pouco mais cruel com o Dynamo Kiev, que vencia a Inter de Milão por 1 a 0 até os 40 minutos do segundo tempo, em Kiev, cedeu a virada, e, como consequência, ocupa agora a lanterna do Grupo F. O destaque positivo fica por conta da boa atuação de Shevchenko, que fez o gol do time e incomodou muito a zaga nerazzurra no primeiro tempo. Os ucranianos precisam vencer seus dois próximos compromissos, contra Barcelona e Rubin, para seguirem adiante no torneio.

Disputa segue indefinida

Pelo Campeonato Russo, a briga pelo título concentrou-se de vez entre Rubin Kazan e Spartak Moscou. O Rubin segue na liderança com 56 pontos, um a mais do que o rival. Na última rodada, os Tártaros venceram com tranquilidade o Krylia Sovetov por 4 a 1, com dois gols de Alexandr Bukharov, um de Karadeniz e um do equatoriano Noboa.

O Spartacus, por sua vez, fez 5 a 1 no Rostov. O meia Alex destaque do jogo com dois gols, foi muito bem assessorado por Zhano Ananidze, Pavel Yakovlev e Welliton, que completaram o placar. O atacante ex-Goiás chegou ao 20º gol na competição e segue no topo da tabela de artilheiros.

No próximo fim de semana, o Rubin viaja a Moscou para enfrentar o CSKA, enquanto o Spartak vai até Samara enfrentar o Krylia Sovetov. Na teoria, a vida está mais fácil para o time de Valery Karpin, mas não se pode, de maneira alguma, ignorar o retrospecto do Rubin fora de casa nessa temporada.

O FC Moskva entrou de vez na briga pela terceira posição, que garante vaga na fase preliminar da próxima Liga dos Campeões ao vencer o Zenit por 1 a 0 na última rodada. O próprio Zenit é, por enquanto, o dono da vaga, que, além do Moskva, também é cobiçada por CSKA e Lokomotiv Moscou.

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Equipe Trivela

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