Leste Europeu

Clube da Luta da vida real: Ultras búlgaros assinam “código de ética” para suas brigas

O filme “Clube da Luta” se consagrou como um clássico do cinema cult nos anos 1990. E a ideia de uma organização para promover embates entre os seus membros não é tão alheia à realidade. O bar de Edward Norton e Brad Pitt, com o seu próprio “código de ética” para as brigas, serve de paralelo para o que começa a acontecer ao redor dos estádios na Bulgária. Os ultras dos principais clubes do país se reuniram na última sexta, na cidade de Plovdiv, e assinaram um acordo sobre a conduta em seus confrontos, com 12 regras a serem seguidas.

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A atitude dos ultras búlgaros não é exatamente inédita, e seguiu códigos existentes em outros países do Leste Europeu, como Polônia e Rússia. A decisão de estabelecer as regras responde ao aumento do número de mortes e lesões graves nas lutas, por causa do uso de armas, além de tumultos que afetam outros torcedores e pessoas não necessariamente envolvidas com os movimentos. A intenção dos organizados não é exatamente controlar a violência, mas manter o seu “estilo de vida” sem atrapalhar a vida dos outros grupos de torcedores.

Durante a rodada do final de semana, o estabelecimento do acordo foi motivo de festa nas arquibancadas. Durante seu jogo pela terceira divisão, os ultras do tradicional CSKA Sofia estenderam um bandeirão em alusão ao código, além de levantarem centenas de placas defendendo a proibição das armas – como socos ingleses, facas e tacos.

A questão, obviamente, gera bastante polêmica. Se por um lado estabelece a violência, por outro ela se limita a ser praticada apenas por quem se dispõe. E, sem querer entrar nos méritos da opinião de cada um sobre o assunto, vale ao menos tentar entender como pensam os ultras ao fazerem um acordo do tipo. O regulamento foi apresentado pelo site Ultras-Tifo.net:

As 12 regras dos ultras na Bulgária

1 – Proibição total a armas nas lutas com outros ultras;
2 – Não atacar “muitos contra poucos”, tentar brigar em números iguais;
3 – Oponentes nocauteados ou caídos, sem chance de defesa, não devem ser atacados;
4 – Não atacar mulheres, crianças ou torcedores comuns;
5 – Não buscar lutas com seus oponentes em seu local de trabalho, sua casa ou quando ele estiver com a família;
6 – Não lutar com outros ultras em feriados nacionais, jogos da seleção ou outros eventos similares;
7 – Não pegar pertences pessoais que não sejam associados a clubes ou grupos organizados, já que isso representa roubo;
8 – Não prestar queixa à polícia contra outros ultras que não violarem o código de conduta;
9 – No caso de não seguir o código, os grupos devem cuidar e punir os seus próprios membros;
10 – Parar a propagação do uso de armas;
11 – Promover a luta limpa com as mãos;
12 – Não destruir grafites dos oponentes se estiver na região de seu estádio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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