Leste Europeu

Clássico estranho

Há dez dias, uma segunda-feira, Valery Karpin deixou o comando do Spartak Moscou, lanterna do Campeonato Russo. Retomou unicamente sua atividade administrativa no clube e já anunciou a busca por um novo treinador. Nos dias seguintes, Andrey Kobelev, ex-Dynamo Moscou, era o nome mais cotado, mas não acertou. Louis van Gaal, demitido pelo Bayern Munique, chegou a ser especulado. Só que, no final das contas, o elenco pediu e Karpin retornou ao banco de reservas. Com ele, a equipe foi a campo para enfrentar o Krasnodar pelas quartas de final da Copa da Rússia, e venceu por 2 a 1. Na sequência, recebeu o Spartak Nalchik pelo Russão, triunfou por 1 a 0 e deixou a última colocação bem longe.

Assim, em um curto período, o Spartak Moscou conseguiu afastar uma crise iminente, se recuperar nos torneios que lhe restam e chegar com outro status para o clássico deste final de semana contra o CSKA Moscou.

As duas equipes foram expurgadas pelo Porto da Liga Europa. Humilhadas pelo campeão português, sofreram o baque. O CSKA, como caiu antes, nas oitavas, teve mais tempo para se recuperar, assimilar o golpe e seguir adiante. Já o Spartak sofreu consequências maiores, e com a quase saída de Karpin (oficialmente o Spartak ainda procura um novo técnico), imaginava-se que o time demoraria para reencontrar o caminho. Logicamente que a lanterna era um acaso, os Krasno-belye têm time para brigar pelo título, e certamente o farão.

No entanto, a torcida passou a questionar demais alguns atletas, principalmente os brasileiros. Ibson e Rafael Carioca foram muito questionados, assim como o atacante welliton, que não repete as artilharias das duas últimas temporadas na Rússia. A verdade é que a equipe neste ano tem sofrido demais para se adaptar ao 4-4-2. Tão acostumada como estava a atuar no 4-2-3-1, o time tem rendido pouco e o atacante brasileiro é quem mais sofre, por não ser mais a referência na frente, posto ocupado hoje por Artem Dzuba.

A diretoria do Spartak, no entanto, tomou uma medida que conseguiu drenar as atenções da torcida para ela. E, no final das contas, ajudou essa reviravolta do time: tirou da aposentadoria Andrei Tikhonov, de 40 anos, ídolo do clube entre 1992 e 2000. Tikhonov havia se aposentado no ano passado, após defender o Khimki. Retornou ao Luzhniki no início de 2011, inicialmente para atuar como integrante da comissão técnica. Na Copa da Rússia, contra o Krasnodar, entrou em campo com a camisa 99, para delírio dos fãs. Assim, todos ficaram felizes e os problemas foram esquecidos.

Com todo esse cenário armado, o Spartak Moscou chega para o clássico com o CSKA com condições de igualdade, algo que seria inimaginável há dez dias, dados os acontecimentos. Já o time do Exército – que terá o retorno de todos seus contundidos, como vagner Love e Evgeni Aldonin – está longe de enfrentar uma má fase, mas apesar da boa colocação na tabela – terceiro colocado, com 11 pontos, dois a menos que o líder Zenit, mas com um jogo a menos – a equipe ainda não empolga.

Deu sinais de melhora justamente contra o time de São Petersburgo, nas quartas de final da Copa. Fez 2 a 0, fora de casa, com um bom futebol. Assim, chega confiante para o clássico deste sábado, e já se prepara para o próximo, nas semifinais da Copa da Rússia…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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