Leste Europeu

Chegou o fim

No início de fevereiro do ano passado, quando Roberto Carlos acertou sua transferência do Corinthians para o Anzhi Makhachkala e garantiu que seguiria trabalhando no clube russo após sua aposentadoria, muita gente duvidou. Quase 18 meses depois, o ex-lateral-esquerdo da Seleção Brasileira, União São João, Palmeiras, Internazionale, Real Madrid e Fenerbaheçe, anunciou sua aposentadoria e a manutenção do trabalho como diretor do Anzhi.

Aos 39 anos, Roberto Carlos confirmou que não jogará mais futebol profissionalmente, algo que ele já não faz desde 2011. Em outubro disputou duas últimas partidas no Campeonato Russo e, após algumas lesões, acabou fora do elenco profissional para o ano seguinte. Passou, então, a atuar como assistente da comissão técnica – primeiro com Gadzhi Gadzhiev, depois com o interino Andrei Gordeev e atualmente com Guus Hiddink. Manteve o suspense nos últimos meses sobre a possibilidade de retornar, mas optou por permanecer longe dos gramados.

A decisão do brasileiro se deve, em muito, à amizade construída com Suleyman Kerimov, proprietário do Anzhi desde o início de 2011. O bilionário russo, natural da região do Daguestão, cuja capital é Makhachkala, sempre viu em Roberto Carlos o maior símbolo de internacionalização do Anzhi possível. Por isso sempre tratou bem demais o agora ex-jogador, chegando a lhe dar no aniversário de 39 anos um presentinho simples: Bugatti Veyron.

Roberto se tornou então diretor do Anzhi, e hoje tem muita influência em contratações e nos novos projetos do clube. Kerimov lhe ouve muito quando pensa em novos jogadores, e até mesmo as obras do novo estádio e do futuro centro de treinamentos têm o “aval” de Roberto Carlos.

E mesmo morando e treinando em Moscou, viajando a Makhachkala somente para os jogos, o brasileiro pensa em fazer seu jogo de despedida no Daguestão – região eleita pela BBC, em 2011, como a mais perigosa da Europa, por causa do separatismo presente no Cáucaso. Na conferência de imprensa em que comunicou oficialmente sua aposentadoria, Roberto garantiu que já negocia com Florentino Pérez a realização de um amistoso entre Real Madrid e Anzhi, em Makhachkala.

A carreira do lateral no Anzhi foi curta, apenas 25 jogos na temporada 2011/12. Aliás, de lateral essa carreira não teve momento algum, afinal, Roberto jogou de volante em praticamente todas as partidas. Em algumas, tinha tanta liberdade para se movimentar pelo meio-campo que eu brincava durante as transmissões na ESPN de que ele era o típico dono da bola, que não toca, não marca e não pode ser substituído. Teve momentos tristes também, como os de racismo em jogos contra Krylya Sovetov e Zenit São Petersburgo – sempre confrontados pelo jogador.

Trabalhará daqui em diante em parceria com Suleyman Kerimov e Guus Hiddink para transformar o Anzhi em um clube forte na Rússia. Depois, o passo sonhado é se tornar forte na Europa. Dinheiro para isso há de sobra, mas por mais que Roberto Carlos tenha mostrado em campo um dos maiores talentos de todos os tempos para se jogar futebol, fora dele precisará demonstrar ainda mais competência para alcançar seus objetivos.

De qualquer modo, se vai um grande do futebol. Mas como em tudo na vida, sempre há um fim.

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