Chance de ouro

As duas partidas entre Rússia e Eslovênia, válidas pela repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, poderá representar um marco simbólico para o país. A conquista da vaga selaria de vez a recuperação de um futebol que parecia fadado ao segundo escalão, mas que virou o jogo nos últimos anos e atualmente apresenta uma liga cada vez mais prestigiada no continente, além da boa equipe formada por Guus Hiddink. Para a maioria dos jogadores, porém, estar na África do Sul pode significar a maior oportunidade de suas vidas.
Isso porque a média de idade do grupo convocado por Hiddink para os jogos contra a Eslovênia, levando-se em consideração o ano de nascimento dos jogadores, é de 26.6 anos, e, durante a Copa, se a classificação for conseguida o elenco for mantido, será um pouco maior. É a chance de ouro da geração semifinalista da Euro 2008 disputar um Mundial no auge da forma física, técnica e psicológica e levar ao país um resultado histórico.
O craque do time, Andrei Arshavin, é um dos que pode aproveitar esse espaço para fincar de vez seu nome entre os maiores jogadores da história do país. Aos 28 anos, Arshavin não disputou a Copa de 2002 e apareceu para o mundo apenas em 2007, quando comandou o Zenit na conquista da Copa da UEFA. Atualmente no Arsenal, o meia-atacante vive a melhor fase da carreira e não pode se dar ao luxo de esperar o Mundial de 2014, no Brasil, quando estará com 33 anos.
Os outros atacantes chamados por Hiddink também vivem a mesma situação. Roman Pavlyuchenko completa 28 anos no dia 15 de dezembro, enquanto Alexander Kerzhakov tem 27, e Dmitry Sychev e Pavel Pogrebnyak, 26. Todos terão mais de 30 primaveras completadas em 2014, e apenas Sychev esteve presente no Mundial de 2002, quando, aos 19 anos, encantou o mundo com uma belíssima exibição contra a Bélgica na derrota por 3 a 2 que eliminou os russos do torneio.
A situação fica mais preocupante quando constatamos exceto por Alan Dzagoev, playmaker que tem idade e talento para pelo menos mais duas Copas do Mundo, a renovação parece não ser tão qualificada quanto em outras posições. No meio-campo, por exemplo surgem garotos como Nika Piliyev, Alexander Ryazantsev, Pavel Mamayev e Pavel Yakovlev, que, junto com Vladimir Bystrov e Dmitry Torbinsky, ambos de 25 anos, e Diniyar Bilyaletdinov, 24, oferecem um grande leque de opções para o futuro.
Para três meias, porém, a Copa do Mundo é uma oportunidade de encerrar a carreira na seleção com chave de ouro. Sergei Semak, 33 anos Igor Semshov, 31, e Konstantin Zyryanov, 32, são o sopro maior de experiência do time e provavelmente serão muito úteis tanto na luta pela conquista da vaga, quanto, se os russos se classificarem, na própria Copa do Mundo. Semak e Semshov estavam no grupo em 2002.
Na defesa, o problema é um pouco mais grave e as soluções imediatas não existem. O miolo de zaga, formado por Vasily Berezutsky e Sergei Ignashevich, não inspira confiança, e até a naturalização do brasileiro Rodolfo já foi cogitada. Uma renovação se faz necessária, mas a falta de bons jovens jogadores na posição é facilmente notada, e há a necessidade de melhoras no trabalho de base na posição. Os laterais Renat Yambaev e Yuri Zhirkov, em compensação, têm correspondido e provavelmente vão continuar como titulares da seleção por um bom tempo. No gol, Igor Akinfeev reina absoluto, e assim o fará por pelo menos mais uma década.
Se mantiverem o excelente nível da Euro, os russos certamente vão acrescentar muita qualidade à Copa do Mundo. Falar em título soa, no momento, exagerado, mas não impossível. Afinal, todos conhecem a capacidade de Guus Hiddink, que já operou verdadeiros milagres no comando de Coreia do Sul – é bem verdade que os árbitros ajudaram – e Austrália.
E se o Campeonato Russo continuar crescendo e apresentando jovens jogadores ao mundo, a renovação da seleção será um processo cada vez mais acelerado e tranquilo. Basta que os clubes locais se mexam e percebam que investir na base é muito mais barato e rentável do que gastar rios de dinheiro contratando jogadores habilidosos que sofrem para “se adaptar ao estilo de vida local” e começam a falar em voltar antes mesmo do fim do primeiro ano de contrato.
O “canto do cisne” de Sheva?
O duelo entre Ucrânia e Grécia pela repescagem parece ser o único entre os quatro jogos que não possui, nem na teoria, um favorito. Ambas as equipes são consideradas medianas no continente e tiveram alguns bons brilharecos nos últimos anos. Mas existe um fator que pode fazer a diferença a favor dos ucranianos, e ele atende pelo nome de Andriy Shevchenko.
O atacante, que retornou ao Dynamo Kiev nessa temporada, é o tipo de jogador que não pode, jamais, ser subestimado. E tem em suas mãos a oportunidade de, enfim, brilhar com sua seleção em uma grande competição. Seu desempenho em 2006 foi decepcionante, apesar dos ucranianos terem chegado as quartas de final, e há, agora, uma oportunidade perfeita para Sheva se redimir e sacramentar ainda mais sua condição de melhor jogador do país em todos os tempos.
Com a faca e o queijo na mão
Depois de ver o Spartak Moscou perder para o Krylia Sovetov, o Rubin Kazan venceu com autoridade o CSKA por 2 a 0, gols de Karadeniz e Bukharov, e, com isso, pode garantir o bicampeonato já na próxima rodada. Basta uma vitória simples contra o Zenit, em Kazan, ou, caso não consiga o triunfo, uma derrota do Spartacus para o CSKA no clássico de Moscou. A diferença entre as duas equipes é de quatro pontos e, faltando apenas duas rodadas, apenas um milagre impede a festa dos Tártaros.
Com o título praticamente resolvido, a grande disputa ainda em aberto é pela terceira posição, atualmente ocupada pelo Zenit. A briga envolve, no total, quatro equipes – além do Zenit, com 50 pontos, Lokomotiv Moscou e FC Moskva, com 48, e CSKA, com 46, estão na disputa -.
O Zenit, apesar de levar vantagem na classificação, tem a tabela mais complicada: encara os dois líderes do campeonato, Rubin Kazan e Spartak Moscou. O Loko, por sua vez, encara o Dynamo Moscou e o já rebaixado Khimki, enquanto o Moskva enfrenta, respectivamente, Spartak Nalchik e Dynamo Moscou. O CSKA, com chances reduzidas de classificação, joga contra Spartak Moscou e Saturn.


