Leste Europeu

Cenário parecido

O fantasma daqueles dois jogos ainda assombram os russos. Na eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 a Rússia chegou a ameaçar a classificação direta da Alemanha. Não conseguiu superar os germânicos no confronto direto, mas garantiu a segunda colocação da chave com enorme tranquilidade. A campanha na Euro de 2008, quando alcançaram as semifinais, e o elenco recheado de excelentes jogadores credenciavam a seleção russa como uma das melhores do continente à época. Quando o sorteio dos play-offs colocou a Eslovênia no caminho a festa já estava preparada em Moscou. O final desse roteiro todos já conhecem.

Pois bem. Passados 21 meses daqueles dois fatídicos jogos contra os eslovenos, a Rússia se vê mais uma vez no início de uma campanha para retornar ao Mundial. Ausente desde 2002, quando foi eliminada na primeira fase, a Rússia agora caiu mais uma vez em um grupo nas eliminatórias onde, teoricamente, no mínimo a segunda colocação está garantida. No Grupo 9 terá pela frente a favorita Portugal e os azarões Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão e Luxemburgo.

Ou seja, assim como foi contra os alemães, contra os portugueses a equipe do técnico Dick Advocaat definirá uma das 31 vagas restantes no Brasil em 2014. Mas aí é que está o grande “problema”…

Os traumas da última eliminação ainda são muito fortes, e para piorar o treinador holandês é extremamente contestado no país. Nas eliminatórias da Euro do próximo ano a Rússia é vice-líder do Grupo 13, com a mesma pontuação da líder Eslováquia e da terceira colocada Irlanda – diferença nos critérios de desempate. O trabalho de Advocaat não consegue receber elogios principalmente quando comparado ao de seu antecessor, Guus Hiddink.

A verdade é que o acidente provocado pela Eslovênia atrasou a evolução do futebol russo em pelo menos dois anos. Hiddink fazia um trabalho espetacular, de refortalecimento da seleção e conscientização dos jogadores russos sobre a necessidade de obter experiência internacional. Foi ele que incentivou diversos deles a deixarem a comodidade de atuar na Premier Liga russa, receber ótimos salários e estar próximos de seus familiares para encarar novos desafios em grandes centros. Exemplos? Andrei Arshavin no Arsenal, Roman Pavlyuchenko no Tottenham, Pavel Pogrebnyak no Stuttgart e Diniyar Bilyaletdinov no Everton.

Hoje em dia o maior questionamento sobre Advocaat é sobre como ele não consegue obter bons resultados com o mesmo time de Hiddink, que ganhou ótimas novidades jovens, como Alan Dzagoev, do CSKA Moscou.

A Rússia tem plenas condições de mais uma fazer uma ótima campanha nas eliminatórias. Inicialmente os portugueses são favoritos. Têm jogadores como Cristiano Ronaldo e Fábio Coentrão, que vivem momentos muito superiores aos principais atletas russos. Mas não dá para cravar Portugal na primeira colocação. Assim como, apesar dos pesares, também não dá para garantir os russos nas praias e matas brasileiras em 2014.

Já a Ucrânia…

…esta sim vive o mesmo cenário. Afinal, terá no Grupo 8 a Inglaterra, que nas eliminatórias de 2010 ficou com a primeira colocação no Grupo 6 relegando os ucranianos à segunda posição e os play-offs. O cenário, depois, também já é notório: favoritismo contra a Grécia, empate em 0 a 0 fora de casa e uma incrível derrota por 1 a 0 na Donbass Arena.

E desta vez a chave está um pouco mais tranquila, apesar de mais uma vez ter que encarar o English Team. Afinal, antes teve três seleções fracas no caminho (Belarus, Cazaquistão e Andorra) e um adversário forte, a Croácia. Agora pega mais uma vez três rivais fracos (Montenegro, Moldova e San Marino) e outro apenas mediano, no caso a Polônia.

Só que os ucranianos sofrem um pouco mais com sua seleção do que os russos. Após a brilhante campanha na Copa do Mundo de 2006, quando caiu somente nas quartas de final para a Itália – derrota por 3 a 0, mas que não reflete o que foi o jogo, dominado pelo time do Leste Europeu -, a Ucrânia ficou de fora da Euro em 2008 e do Mundial em 2010. Como já tem classificação automática para a próxima Eurocopa, a pressão sobre o time diminuiu, mas mesmo assim a complicada federação ucraniana presidida por Hryhory Surkis se complicou.

Após meses de indefinição sobre o cargo de técnico, ocupado provisoriamente por Yuriy Kalitvintsev entre 2010 e este ano, os dirigentes optaram pelo retorno de Oleh Blohkin ao posto. Blohkin que levou a seleção para a Alemanha em 2006 e é considerado um dos maiores jogadores de toda história da nação.

Oleh Blohlkin agora terá o trabalho de promover uma renovação focando um bom resultado em casa na Euro, o que não é fácil. Nomes como Anatoliy Tymoschuk, Andriy Voronin e Andiy Shevchenko ainda fazem parte da equipe, que tenta mesclar o talento de gerações intermediárias (Artem Milevskiy, Oleksiy Hai e Andriy Rusol) com os mais experientes e a boa safra de jovens vindos das seleções menores (Yaroslav Rakitskiy, Andriy Yarmolenko e Yevhen Konoplyanka).

Há tempo para tudo isso, mas a partir de agora é preciso correr contra o atraso.

 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo