Caminho de Arshavin

A novela continua. No próximo dia 2 de fevereiro, a janela de transferências do mercado europeu se fecha. Ou seja: quem não mudar de clube até lá, terá que se contentar em permanecer onde está pelo menos até a metade do ano. Faltando menos de duas semanas para a data, a situação do atacante Andrei Arshavin segue indefinida.
O jogador já manifestou seu desejo de deixar o Zenit St. Petersburg. Há seis meses, ele tinha muito mais mercado do que agora (traduzindo, os russos deixaram de ganhar dinheiro quando o Tottenham o queria), mas de qualquer modo, há ao menos um interessado oficial: o Arsenal. O clube russo já aceitou negociar e recebeu a primeira proposta inglesa, de aproximadamente € 12,8 milhões. Recusou e pediu € 16 milhões.
As negociações seguem avançadas, com os representantes dos Gunners estabelecidos em São Petersburgo para tentar um acordo. Enquanto isso, Arshavin espera. E treina.
O jogador optou por seguir com o Zenit para os Emirados Árabes Unidos, onde a equipe realiza sua pré-temporada e aguarda o confronto contra o Stuttgart, nos dias 18 e 26 de fevereiro, pela próxima fase da Copa Uefa (lembrando que há outros soviéticos na disputa: Dynamo Kiev e Valencia, Aston Villa e CSKA Moscou, Sampdoria e Metalista Kharkiv e Shakhtar Donetsk e Tottenham). “Preciso desses treinamentos para me preparar para a próxima temporada. Treinar é, em qualquer caso, melhor do que ficar sentado em São Petersburgo. Já disse minha posição para o presidente Alexandr Dyukov e o técnico Dick Advocaat. Ela não mudou desde novembro”, afirmou Arshavin em entrevista ao Sport-Express nesta semana.
Apesar das dificuldades impostas por seu atual clube, ele afirmou que ainda acredita que a negociação com o Arsenal vai sair da teoria e se tornar realidade. “Tudo depende do Zenit apenas. Se eles quiserem me vender, farão isso rapidamente. Mas o problemas é que eu não vejo esse desejo e ninguém tem tomado o passo necessário para isso. Eu ainda acredito que nos próximos dias alguma coisa vai acontecer e minha boa preparação para a temporada será útil”.
Arshavin ainda demonstrou boa compreensão do momento atual da economia global. “Está bem claro: ninguém vai oferecer o que o Zenit quer nessa crise. Devemos tratar a questão realisticamente. Acho que a oferta do Arsenal é mais ou menos o que o mercado pode oferecer”, completou.
Na Rússia, já há uma certa apreensão em relação à essa situação. Torcedores e jornalistas temem que a seleção russa seja prejudicada. Caso Arshavin não acerte a saída para o futebol inglês, ele será obrigado a ficar no Zenit, mesmo contra sua vontade. E não é preciso ser vidente para imaginar o quanto um jogador insatisfeito rende.
Enquanto isso, os caminhos que Arshavin pode percorrer vão ficando cada vez mais limitados. E pelo menos, essa será uma novela com data certa para terminar: 2 de fevereiro.


