Balanço do Campeonato Russo (I)

Equilíbrio na parte de cima da tabela, times financiados por companhias de petróleo, presença cada vez maior de brasileiros, nova geração de craques surgindo e dois títulos da Copa da UEFA nos últimos cinco anos. Esses são atrativos que, por si só, mostram que o Campeonato Russo, além de ter evoluído muito nos últimos anos, merece ser acompanhado com a devida atenção. E não só a parte de cima da tabela.
Existem também os times médios, chatos, aqueles que tiram ponto dos grandes sob seus domínios e jogam fechadinhos fora de casa, esperando um contra ataque mortal. Alguns deles surpreendem pela tranquilidade com a qual fugiram do rebaixamento. Outros, apontados como candidatos a vagas em copas europeias, decepcionaram, mas ainda assim apareceram em momentos cruciais do campeonato.
Esses times, que terminaram entre a 9ª e 16ª posição do Campeonato Russo, serão analisados a partir de agora. Confira abaixo:
Tom Tomsk
Colocação final: 9º, com 41 pontos
Técnico: Valeri Nepomniachi
Maior vitória: Tom Tomsk 4 x 0 Khimki
Maior derrota: Spartak Moscou 5 x 0 Tom Tomsk
Maior série de vitórias: 3 (da 28ª à 30ª rodada)
Maior série de derrotas: 2 (da 11ª à 12ª rodada)
Maior série invicta: 3 (da 28ª à 30ª rodada)
Maior série sem vencer: 5 (da 9ª à 13ª rodada)
Principal jogador: Dmitri Michkov
Decepção: Norbert Németh
Artilheiro: Sergei Kornilenko (7 gols)
Depois de lutar contra o rebaixamento nas últimas temporadas, o Tom Tomsk fez uma campanha tranquila durante todo o ano. A equipe oscilou entre a 10ª e a 14ª posição durante o campeonato inteiro e, no final, teve uma boa sequência de vitórias e subiu para o nono lugar. O maior feito, sem dúvida, foi a vitória sobre o CSKA, em Moscou, pela segunda rodada, mas os siberianos sentiram a falta de um atacante mais qualificado.
Prova disso é que o artilheiro da equipe foi o bielorruso Sergei Kornilenko, que se transferiu para o Zenit em julho. A defesa, apesar de ter sido a sexta pior da competição com 39 gols sofridos, foi vazada na maioria das vezes em goleadas, mas, comandada pelo bom volante Dmitri Michkov e pelo goleiro estoniano Sergei Pareko, mostrou boa consistência no geral.
Krylia Sovetov
Colocação final: 10º, com 36 pontos
Técnicos: Leonid Slutsky (do início à 26ª rodada) e Yuri Gazzaev (da 26ª à 30ª rodada)
Maior vitória: Krylia Sovetov 3 x 0 Khimki
Maior derrota: Rubin Kazan 4 x 1 Krylia Sovetov
Maior série de vitórias: 2 (1ª e 2ª rodada)
Maior série de derrotas: 3 ( da 15ª à 17ª rodada)
Maior série invicta: 3 (da 4ª à 6ª rodada)
Maior série sem vencer: 7 (da 11ª à 17ª rodada)
Principal jogador: Jan Koller
Decepção: Ramón
Artilheiro: Jan Koller (9 gols)
Apontado como possível candidato a vagas em competições europeias, o Krylia Sovetov teve um bom início de temporada, chegando a liderar o campeonato na sexta rodada. Mas a dependência excessiva de Jan Koller e uma terrível sequência de sete jogos sem vitórias acabou com as pretensões da equipe, que passou a militar na metade inferior da tabela. Outro ponto negativo da campanha foi o desempenho em casa. Ao todo, seis das 14 derrotas do time aconteceram em Samara.
De positivo, fica o fato do Krylia ter praticamente decidido o campeonato com uma vitória por 2 a 1 sobre o Spartak Moscou na penúltima rodada. E a performance de Koller, que, aos 36 anos, continua exibindo uma combinação mortal de altura, falta de categoria e oportunismo.
Spartak Nalchik
Colocação final: 11º, com 35 pontos
Técnico: Yuri Krasnozhan
Maior vitória: Spartak Nalchik 4 x 0 Kuban
Maior derrota: Spartak Nalchik 2 x 4 Spartak Moscou
Maior série de vitórias: 2 (da 19ª à 20ª rodada)
Maior série de derrotas: 3 (da 16ª à 18ª rodada)
Maior série invicta: 6 (da 22ª à 27ª rodada)
Maior série sem vencer: 11 (da 7ª à 17ª rodada)
Principal jogador: Miodrag Djukovic
Decepção: Ricardo Baiano
Artilheiro: Shamil Asildarov (9 gols)
Na 18ª rodada, o Spartak Nalchik era apontado como forte candidato ao rebaixamento. O clube tinha conquistado, até então, apenas uma vitória no campeonato, e oscilava entre a 14ª e a 15ª posição. Mas os sete triunfos nos 12 jogos restantes acabaram livrando, com relativa tranquilidade, a equipe do rebaixamento. E o mais impressionante é que, apesar de ter passado sufoco, o Nalchik terminou o campeonato com o saldo positivo de três gols (36 marcados contra 33 sofridos).
A dupla formada pelo brasileiro Leandro da Silva e pelo russo Shamil Asildarov foi responsável por 17 desses 36 tentos e os dois provavelmente não permanecerão no clube para 2010. Outro que também correspondeu, assim como em 2008, foi o montenegrino Miodrag Djukovic.
Amkar
Colocação final:12º, com 33 pontos
Técnico: Dimitar Dimitrov (da 1ª à 20ª rodada) e Rashid Rakhimov (da 21ª à 30ª rodada)
Maior vitória: Amkar 3 x 1 Dynamo Moscou
Maior derrota: Spartak Moscou 5 x 1 Amkar
Maior série de vitórias: 3 (da 21ª à 23ª rodada)
Maior série de derrotas: 4 (da 17ª à 20ª rodada)
Maior série invicta: 3 (da 21ª à 23ª rodada)
Maior série sem vencer: 6 (da 6ª à 11ª rodada)
Principal jogador: Georgi Peev
Decepção: Jean Carlos
Artilheiro: Martin Kushev (8 gols)
Depois de surpreender o país inteiro com a quarta colocação no Campeonato Russo em 2008, o Amkar figurou, desde o início do ano, na parte debaixo da tabela, e pode se dar por satisfeita em ter conseguido fugir da degaola. O time sentiu falta do técnico Miodrag Bozovic e não conseguiu se adaptar à filosofia de trabalho do búlgaro Dimitar Dimitrov, seu substituto, demitido após quatro derrotas seguidas.
Para salvar a pátria, foi acionado Rashid Rakhimov, velho conhecido da torcida, que comandou uma pequena reação e conseguiu livrar-se com relativa tranquilidade da zona de rebaixamento. O momento digno de registro fica por conta da vitória fora de casa sobre o campeão Rubin Kazan por 2 a 1, que, àquela altura, pôs fogo no campeonato.
Terek Grozny
Colocação final: 13º, com 33 pontos
Técnicos: Vyacheslav Grozny (da 1ª à 27ª rodada) e Shahin Diniyev (da 27ª à 30ª rodada)
Maior vitória: Terek 4 x 0 Tom Tomsk
Maior derrota: Lokomotiv Moscou 4 x 0 Terek
Maior série de vitórias: 2 (da 23ª à 24ª rodada)
Maior série de derrotas: 6 (da 25ª à 30ª rodada)
Maior série invicta: 6 (da 10ª à 15ª rodada)
Maior série sem vencer: 6 (da 25ª à 30ª rodada)
Principal jogador: Blagoy Georgiev
Decepção: Arthuro
Artilheiro: Shamil Lakhiyalov (11 gols)
Na segunda temporada em que pôde jogar em seus domínios – a cidade de Grozny fica na Chechênia, território separatista russo, e o clube era impedido de atuar em casa até 2008 -, o Terek fez uma temporada tranquila e militou, durante quase todo o campeonato, entre a oitava e a 12ª posição, graças ao desempenho em casa – ao todo, sete das nove vitórias da equipe na competição foram dentro dos seus domínios -.
No fim do ano, porém, uma sequência de seis derrotas empurrou o time para baixo, mas já não havia mais o risco de rebaixamento. O temperamental meia búlgaro Blagoy Georgiev e o experiente atacante Shamil Lakhiyalov foram responsáveis pela boa consistência ofensiva da equipe.
Rostov
Colocação final: 14º, com 32 pontos
Técnico: Oleg Dolmatov
Maior vitória: Terek 1 x 3 Rostov
Maior derrota: Spartak Moscou 5 x 1 Rostov
Maior série de vitórias: 2 (da 6ª à 7ª rodada)
Maior série de derrotas: 4 (da 26ª à 29ª rodada)
Maior série invicta: 5 (da 5ª à 9ª rodada)
Maior série sem vencer: 5 (da 26 à 30ª rodada)
Principal jogador: Alexandru Gatcan
Decepção: Mikhail Osinov
Artilheiro: Dmitri Akimov (6 gols)
Apontado como candidato ao rebaixamento no início da temporada, o Rostov surpreendeu o mundo ao bater CSKA, Zenit e Rubin Kazan – o primeiro e o último colocado fora de casa – em um curto espaço de tempo. A empolgação inicial, porém, logo foi freada com resultados negativos, e a 14ª posição soa cruel com uma equipe que, com exceção das cinco últimas rodadas, fez um campeonato razoável, sem maiores sustos.
O meia Milhail Osinov, apontado como principal jogador do time antes do início da temporada, sentiu o peso de seus 34 anos e pouco fez dentro de campo. E deixou o papel de protagonista para o moldávio Alexandru Gatcan, que, com quatro gols e seis assistências, foi fundamental na campanha que decretou a permanência da equipe na elite do país.
Kuban
Colocação final: 15º, com 28 pontos
Técnicos: Sergei Ovchinnikov (da 1ª à 17ª rodada) e Poghos Galstyan (da 18ª à 30ª rodada)
Maior vitória: Kuban 2 x 1 Khimki
Maior derrota: Spartak Moscou 4 x 0 Kuban
Maior série de vitórias: 1
Maior série de derrotas: 3 (da 16ª à 18ª rodada)
Maior série invicta: 3 (da 6ª à 8ª rodada)
Maior série sem vencer: 8 (da 11ª à 18ª rodada)
Principal jogador: Dramane Traoré
Decepção: Haruna Babangida
Artilheiro: Draman Traoré (8 gols)
Vice-campeão da segunda divisão russa em 2008, o Kuban era apontado como candidato ao rebaixamento desde o início do campeonato, mas parecia que iria escapar até a 23ª rodada, no início da reação do Spartak Nalchik. Sem forças para buscar os outros concorrentes, restou à equipe de Krasondar o consolo de ter vencido os três grandes de Moscou, Spartak, CSKA e Lokomotiv.
Exceto pelo centroavante Dramane Traoré, emprestado pelo Loko no início da temporada e que ajudou a evitar um vexame maior, a aposta em africanos se revelou mal-sucedida. O winger nigeriano Haruna Babangida que um dia foi chamado de craque quando jogava pelo Barcelona B, simboliza bem esse fracasso.
Khimki
Colocação final: 16º, com 10 pontos
Técnicos: Konstantin Sarsania (da 1ª à 22ª rodada) e Igor Chugainov (da 23ª à 30ª rodada)
Maior vitória: Khimki 2 x 0 Amkar
Maior derrota: Tom Tomsk 4 x 0 Khimki
Maior série de vitórias: 1
Maior série de derrotas: 15 (da 16ª à 30ª rodada)
Maior série invicta: 3 (da 7ª à 9ª rodada
Maior série sem vencer: 15 (da 16ª à 30ª rodada)
Principal jogador: Dragan Blantjak
Decepção: Ivan Starkov
Artilheiro: Antipenko (6 gols)
O Khimki foi, definitivamente, o time mais regular da temporada. Ocupou a última posição desde a terceira rodada, venceu apenas duas partidas em 30 e conseguiu, no segundo turno, a impressionante marca de 15 derrotas em 15 jogos. Um saldo trágico para um time que anunciava contratações razoáveis no início da temporada, mas viu alguns de seus principais jogadores, como o finlandês Jari Virtanen, abandonarem o barco no meio do caminho.
De positivo, fica a afirmação do talentoso meia Yuri Kirillov, 19 anos, que conseguiu mostrar um pouco de lucidez em meio ao caos total vivido pela equipe e pode pintar em um time mais forte no ano que vem.


