Leste Europeu

Auxiliar da Croácia na Copa de 2018, Olic ganha a primeira chance como técnico: dirigirá o CSKA Moscou, onde foi ídolo

O CSKA Moscou anunciou seu novo treinador nesta terça-feira – um nome que, não há muito tempo, ainda brilhava nos gramados europeus. Aos 41 anos, Ivica Olic foi escolhido ao cargo e terá sua primeira experiência expressiva como técnico, num clube onde atravessou um dos melhores momentos da carreira. O ex-atacante era uma das estrelas no time que conquistou a Copa da Uefa em 2005 e de lá se projetou à Bundesliga, onde ganharia mais fama, especialmente por Hamburgo, Bayern e Wolfsburg. Agora, tenta repetir o mesmo impacto com os moscovitas à beira do campo.

Depois de pendurar as chuteiras em 2017, Olic começou sua caminhada na casamata. O croata tirou a principal licença da Uefa e ganhou um cargo na comissão técnica da seleção da Croácia, como assistente. A experiência seria valiosa ao ex-atacante, considerando que ele já integrava o grupo durante a Copa do Mundo de 2018. O veterano mantinha uma relação próxima com os jogadores, muitos deles seus antigos companheiros, e deu sua contribuição no vice-campeonato mundial celebrado sob as ordens de Zlatko Dalic.

Nesta semana, diante do anúncio iminente, o próprio Dalic ressaltou a importância do auxiliar no ambiente da seleção: “Olic e eu conversamos sobre isso no sábado. Sentirei muito se Ivica deixar a seleção. Ele significa muito para mim e me ajuda bastante. Entretanto, se ele der esse passo, terá meu apoio em todos os sentidos. É um grande desafio para ele, num grande clube, mas também uma grande coisa ao futebol croata. Não estou pensando em alguém para substituí-lo, vamos ver o que acontece”.

A proposta do CSKA Moscou tira de Olic a possibilidade de ser assistente da Croácia também na Eurocopa, mas o treinador não viraria as costas à oportunidade e ao seu antigo clube. Depois da saída do lendário Leonid Slutski em 2016, após sete anos à frente do elenco, o CSKA passou os últimos quatro anos sob o comando de Viktor Goncharenko. O homem que projetou o Bate Borisov no cenário europeu teve relativo sucesso em Moscou, ao levar a equipe de volta à Champions, mas não levantaria títulos expressivos. Com a campanha morna no atual Campeonato Russo e a queda de desempenho que pode tirar os moscovitas até das copas europeias na próxima temporada, o belarusso sai de cena.

Olic assume um elenco com capacidade de se reerguer, mas dentro de um clube com padrões bem mais altos do que o vivido nos últimos anos. Dentre os destaques no atual plantel está um conhecido, Nikola Vlasic, que virou titular na seleção da Croácia durante o ciclo posterior à Copa do Mundo de 2018. Além disso, Olic foi companheiro de Igor Akinfeev, capitão do CSKA e elo com o passado glorioso do clube no início do século.

Embora tenha passado antes pelo Hertha Berlim, Olic estourou como profissional no NK Zagreb, se tornando protagonista no surpreendente título croata de 2001/02. Presente na Copa de 2002, o atacante defendeu o Dinamo Zagreb por uma temporada, antes de assinar com o CSKA Moscou em julho de 2003. Ficou três anos e meio no clube, com 44 gols marcados em 116 partidas disputadas. Era uma das referências no time que levou três taças do Campeonato Russo durante o período. Já o grande feito aconteceu na Copa da Uefa de 2004/05, quando o CSKA derrotou o Sporting na decisão em Lisboa e levou o inédito troféu para Moscou. Olic formava dupla de ataque com Vágner Love, em equipe que já contava com Akinfeev, além de ter Daniel Carvalho, Yuri Zhirkov e Milos Krasic entre outros destaques.

Olic disputou a Euro 2004 e a Copa de 2006 como jogador do CSKA Moscou. Seria vendido em janeiro de 2007, ao Hamburgo. O atacante atravessou ótimos momentos com os Dinossauros, antes de também deixar sua marca no Bayern e no Wolfsburg. Voltaria brevemente ao Hamburgo, até pendurar as chuteiras no Munique 1860 em 2017. O retorno à Rússia reata os laços com o CSKA depois de 14 anos. E gera certas expectativas, não apenas pela identificação natural com a antiga equipe, mas também pelo bom trabalho que Olic ajudava a conduzir na Croácia.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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