Aposta correta

Quando Guus Hiddink assumiu o comando da seleção russa, em abril de 2006, a equipe atravessava um péssimo momento. Outrora forte, a Rússia havia perdido o respeito dos adversários. Ninguém encarava mais o time com um certo cuidado. Era como se fosse um timinho qualquer.
Hiddink permaneceu no cargo ao longo de quase quatro anos. Fez um trabalho magistral. Recuperou o orgulho do time, montou uma base sólida, incentivou o intercâmbio dos atletas russos (que pouca vontade tinham de deixar a Premier Liga), fez uma campanha brilhante na Eurocopa – semifinais – e devolveu a força da seleção russa. Falhou no único momento que não podia falhar: nos playoffs contra a Eslovênia, valendo uma vaga na Copa do Mundo de 2010.
Esse foi um daqueles fatos que transformam o futebol em algo inexplicável. Afinal, a Rússia quase eliminou a poderosa Alemanha na primeira fase, mas enfim… a vida segue.
E assim, Dick Advocaat está prestes a ser anunciado oficialmente como o novo técnico da seleção russa de futebol. O holandês já confirmou que será o treinador, mas ainda aguarda a confirmação oficial por parte da federação russa – há pouco mais de uma semana ele deixou o cargo de técnico da Bélgica, gerando muito polêmica em seu país, mas diz que seguirá com seu trabalho no AZ até o final da temporada.
Em suas primeiras palavras, Advocaat ressaltou a boa relação que tem com o futebol do país – ele treinou o Zenit entre 2006 e 2009, tendo conquistado um Campeonato Russo e uma Copa da Uefa.
“Falamos a mesma língua com a administração do futebol russo e isso é o mais importante. Mantenho contato com Sergey Fursenko (diretor da Gazprom e do Zenit) o tempo todo. Passarei na Rússia o tempo suficiente para um trabalho frutífero. Agora ainda não posso dizer exatamente quanto, porque não assinei o contrato”, disse o holandês.
Falou mais um pouco. “Na minha opinião, a Rússia tem um potencial muito grande. Esse país é capaz de se tornar uma super potência no futebol, e é muito interessante para mim participar disso. Vou focar primeiro a Euro 2010, e nosso grupo nas eliminatórias é bem mais fácil do que o da Bélgica, por exemplo”.
Dick Advocaat, com todo o conhecimento adquirido nos anos que passou na Rússia, é a escolha mais sensata da federação russa. Além do mais, é amigo de Guus Hiddink, o que lhe facilitará muito nesta transição.
Ele, no entanto, terá um trabalho muito mais duro do que o que o amigo enfrentou. Hoje, a Rússia já tem uma pressão por grandes resultados, e a eliminação surpreendente da Copa do Mundo aumentará isso ainda mais.
Advocaat tem condições de exercer um grande papel – seu currículo vitorioso comprova isso. Já conhece os principais jogadores e clubes e entende bem como funciona a mentalidade de dirigentes, jornalistas e torcedores. A aposta foi correta. Agora os dados estão na mesa.
Seleção ucraniana
O técnico da seleção ucraniana, Myon Markevych, anunciou nesta semana uma lista de 24 convocados para um período de treinos e uma série de três amistosos no final de maio e início de junho. A Ucrânia enfrenta a Lituânia em 25 de maio, em Kharkiv, a Romênia quatro dias depois, em Lviv, e por fim viaja até Oslo, onde encara a Noruega em 2 de junho.
Goleiros: Andriy Piatov (Shakhtar) e Olexander Horiainov (Metalist);
Defensores: Dmytro Chygrynsky (Barcelona-ESP), Andriy Rusol (Dnipro), Yevhen Khacheridi (Dynamo), Vitaliy Mandziuk (Dnipro), Vasyl Kobin (Shakhtar), Ihor Oschypko (Karpaty), Volodymyr Poliovy (Metalurh Zaporizhya) e Vitaliy Fedoriv (Amkar-RUS);
Meias: Anatoliy Tymoschuk (Bayern-ALE), Taras Mykhalyk (Dynamo), Serhiy Valiaev (Metalist), Denys Oliynyk (Metalist), Ruslan Rotan (Dnipro), Yevhen Konoplianka (Dnipro), Ihor Khudobiak (Karpaty), Olexander Aliyev (Lokomotiv-RUS) e Olexander Yakovenko (Westerlo-BEL);
Atacantes: Andriy Shevchenko (Dynamo), Artem Milevsky (Dynamo), Marko Devic (Metalist), Andriy Voronin (Dinamo Moscou-RUS) e Yevhen Selezniov (Dnipro).


