Leste Europeu

Análise das seleções

Começa nesta sexta-feira a Euro 2012. A Ucrânia, uma das sedes, tem como objetivo avançar até as quartas de final, pelo menos, para não fazer feito diante da sua torcida. A Rússia, que certamente terá um bom apoio dos torcedores que viajarão para acompanhar a competição, tem a mesma meta.

No entanto, o momento das seleções é bem diferente, assim como a capacidade de cada uma em atingir os objetivos traçados. Abaixo, análises das duas equipes.

UCRÂNIA

Grupo D, ao lado de França, Suécia e Inglaterra

O craque: Andriy Shevchenko
O fiel escudeiro: Anatoliy Tymoschuk
A aposta: Andriy Yarmolenko
O número: 46 gols – recorde de Shevchenko pela seleção. O segundo é Serhiy Rebrov, com 15.
Time titular (4-1-3-2): Andriy Pyatov, Oleg Husev, Taras Mykhalyk, Yevhen Khacheridi e Yaroslav Rakitskiy; Anatoliy Tymoschuk; Serhiy Nazarenko, Andriy Yarmolenko e Yevhen Konoplyanka; Andriy Voronin e Andriy Shevchenko.
Treinador: Oleh Blohkin

Na Copa do Mundo de 2006, quando a Ucrânia avançou até as quartas de final e só foi eliminada pela campeã Itália, muita gente vislumbrou um belo futuro para o futebol ucraniano. Passados seis anos, a evolução não aconteceu e o time que disputará a Euro 2012 tem a mesma base daquela histórica equipe.

Em campo, Andriy Shevchenko e Anatoliy Tymoschuk ainda são as principais referências. Aos 35 anos, o ex-atacante do milan e do chelsea anunciou que vai se aposentar da seleção ao final da eurocopa. Além disso, é bem provável que ele se aposente do futebol também – atualmente defende o Dynamo Kiev, clube que o revelou. No entanto, tem sofrido demais com problemas físicos, e por isso pode até ser reserva. De qualquer modo,terá ao seu lado na frente Andriy Voronin, ex-Liverpool, atualmente jogador do Dynamo Moscou.

No meio-campo, o volante Tymoschuk ficará encarregado da marcação. Aos 33 anos, foi muito importante na temporada do Bayern Munique atuando como zagueiro na maior parte das partidas, mas pela seleção joga na sua posição de origem. Tymoschuk é, também, o jogador com maior número de partidas pela Ucrânia, com 116.

No comando do time outro ídolo: Oleg Blokhin, treinador experiente, de 59 anos, que retornou ao time no ano passado. Ele era o comandante na Copa de 2006, mas deixou o cargo após o torneio. Foi chamado às pressas pela Federação Ucraniana para recolocar a equipe nos trilhos. Blokhin é considerado o maior jogador ucraniamo de todos os tempos, mesmo sem nunca ter defendido a seleção de seu país: ele atuou no período soviético.

Para não dizer que o time é composto apenas por veteranos, é preciso citar o bom meia andriy yarmolenko, de 22 anos, do Dynamo Kiev. É a principal revelação do país nos últimos tempos e muitas esperanças estão depositadas nele nesta competição. No ataque, há Yevhen Seleznyov, do Shakhtar Donetsk, artilheiro das duas últimas edições do Campeonato Ucraniano.

Classificada para a Eurocopa por ser um dos países sede, dificilmente a Ucrânia ficaria com a vaga se tivesse jogado as eliminatórias. Agora, busca a classificação para as quartas de final em uma chave complicada: o Grupo D conta com França, Inglaterra e Suécia. Precisarão de muita motivação, apoio dos torcedores e sorte também para avançar.

RÚSSIA

Grupo A, ao lado de Polônia, Grécia e República Tcheca

O craque: Andriy Arshavin
O fiel escudeiro: Aleksandr Kerzhakov
A aposta: Alan Dzagoev
O número: 570 minutos – tempo de jogo de Anyukov em Euros. É o recordista desse time.
Time titular (4-3-3): Igor Akinfeev, Aleksandr Anyukov, Sergei Ignashevich, Aleksei Berezutskiy e Yuri Zhirkov; Konstantin Zyrianov, Igor Denisov e Roman Shirokov; Alan Dzagoev, Andrei Arshavin e Aleksandr Kerzhakov.
Treinador: Dick Advocaat

O time é muito talentoso, não há como questionar isso. O treinador, Dick Advocaat, conhece muito bem competições como a Eurocopa, o que ajuda demais. Além disso, o momento da seleção russa é excelente, e para comprovar isso basta analisar o histórico recente de jogos: não perde uma partida, somando jogos oficiais e amistosos, desde 9 de fevereirodo ano passado, quando foi batida por 1 a 0 pelo Irã. De lá para cá soma sete vitórias e sete empates.

Ao contrário de outras seleções desta Euro, a Rússia praticamente não terá baixas. Apenas a defesa não poderá contar com Vasili Berezutskiy, do CSKA Moscou. No entanto, o setor nem sentirá muito a falta do defensor. Seu irmão, Aleksei, estará por ali ao lado de Anyukov, Ignashevich e Zhirkov. É um time que usa muito os laterais, até porque há bastante proteção do meio-campo. No gol, a dúvida é entre Vyacheslav Malafeev e Igor Akinfeev, com o primeiro levande vantagem por dois motivos: fez uma temporada melhor e está mais inteiro fisicamente do que o companheiro, que ficou oito meses afastado dos gramados por conta de uma lesão no joelho direito.

Sobre o meio-campo, já citado, três jogadores que marcam e conseguem chegar ao ataque com facilidade: Zyrianov, Denisvo e Shirokov. O primeiro é o mais marcador de todos, mas tem um bom toque de bola também e dá muita experiência ao setor. Os outros dois viveram situações opostas nas carreiras: isso porque Denisov começou como meia ofensivo e foi recuado para atuar como volante; já Shirokov era volante e passou, nos últimos meses, a jogar como meia adiantado – será quem terá mais liberdade para criar no meio.

Abertos pelos lados do campo, duas gerações: Arshavin, ídolo do time e grande nome na histórica campanha da Euro de 2008, quando o time avançou até as semifinais; e Dzagoev, principal revelação do futebol russo nos últimos tempos. Arshavin, 31 anos, defendeu o Zenit nos últimos meses, emprestado pelo Arsenal, justamente para ganhar ritmo de jogo, já que era reserva absoluto na Inglaterra. Começou mal demais, mas melhorou nos últimos jogos da temporada. Já DZagoev, 21, vive entre altos e baixos na carreira, e tem a oportunidade agora de mostrar ao mundo que evoluiu e pode ser o jogador que tantos esperam que ele se torne.

No comando de ataque, Advocaat pretendia, inicialmente, escalar Pavel Pogrebnyak, que brilhou no Fulham nos últimos meses. Mas a forma impressionante de Aleksandr Kerzhakov, vice-artilheiro do último Russão com 23 gols, fez com que ele mudasse de ideia. Assim, no 4-3-3, a Rússia pretende surpreender a todos mais uma vez e, quem sabe, repetir as semifinais da última campanha. Deve avançar no Grupo A, que conta também com Polônia, República Tcheca e Grécia – chave muito equilibrada -, mas depois o bicho pega, já que deve encarar Alemanha ou Holanda. Aliás, se pegar os holandeses, poderá repetir mesmo o retrospecto de 2008, quando deixou a Orange para trás nas quartas de final.

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Equipe Trivela

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