Leste Europeu

Amor da minha vida…

Diniyar Bilyaletdinov, 26 anos, meia. Roman Pavlyuchenko, 30 anos, atacante. O primeiro foi revelado nas categorias de base do Lokomotiv Moscou e em 2009 foi negociado com o Everton. O segundo começou no pequeno Dynamo Stavropol, passou pelo Rotor Volvogrado e surgiu para a Rússia vestindo o uniforme do Spartak Moscou entre 2003 e 2008, quando saiu para defender o Tottenham. Hoje, Bilyaletdinov defende o Spartak e Pavlyuchenko o Lokomotiv.

As transferências dos dois jogadores ainda geram muita discussão entre os russos. É aquele velho questionamento de amor à camisa, paixão por um clube, fidelidade a uma camisa… Discussão que, no mundo profissional de hoje em dia, fica cada vez mais questionável.

A presidenta do Lokomotiv, Olga Smorodskaya, partiu em defesa do clube. Admitiu que poderia ter contratado Bilyaletdinov, mas que a prioridade da comissão técnica era um atacante. O próprio jogador, quando soube do interesse do Spartak, afirmou que na Rússia só defenderia seu antigo clube, no entanto, sem outras propostas e jogando muito pouco no Everton, foi “obrigado” a aceitar a negociação.

O torcedor sonha sempre com o passado, quando atletas ficavam em um único clube por toda carreira. O melhor exemplo disso no futebol russo vem do maior jogador do país em todos os tempos: Lev Yashin defendeu o Dynamo Moscou por duas décadas. Hoje, com a globalização, é impossível proibir os jogadores de pensarem em transferências milionárias, com salários astronômicos em ligas transmitidas para o mundo inteiro.

Quando era técnico da seleção russa, Guus Hiddink sempre criticou demais o provincianismo dos jogadores russos. Afirmava que, por receberem bons salários no país, se contentava em disputar apenas o Russão. Não queriam novos desafios, e segundo Hiddinh esse intercâmbio internacional é fundamental para a evolução de uma seleção. Com ele no comando, muitos jogadores foram para fora, casos dos dois já citados, além de Andrei Arshavin, Pavel Pogrebnyak e Yuri Zhirkov – este último já de volta também, mas não para o CSKA Moscou, e sim para o Anzi Makhachkala.

Em um mundo ideologicamente perfeito, todos voltariam para o clube que os projetou. Voltariam para os braços da torcida que sempre os apoiou na Rússia, e não para a rival, que sempre os xingou. Mas ninguém joga somente por amor, jogam pelos seus salários também. Bilyaletdinov queria ter voltado para o Lokomotiv, mas não houve oferta. O que ele vai fazer? Seguir encostado no Everton? De certa maneira, mancha sua história no clube, mas nem sempre é possível fazer somente o que queremos.

CURTAS

– Dois torneios amistosos na Espanha movimentaram clubes russos e ucranianos nos últimos dias.

– Na Copa del Sol, o Spartak Moscou bateu o Kobenhavn, da Dinamarca, por 1 a 0 na final e ficou com o título. A competição aconteceu em Cartagena e contou também com as participações de Shakhtar Donetsk e Anzhi.

– Esse foi o primeiro título conquistado pelo Spartak desde 2003, em qualquer competição, desde a vitória sobre o Rostov na final da Copa da Rússia daquele ano.

– Já a Marbella Cup ainda está em andamento. Conta com a presença de CSKA Moscou, Rubin Kazan, Krylya Sovetov e Dynamo Kiev, além de Guangzhou Evergrande (China), Lech Poznan (Polônia), Timisoara (Romênia) e Zestafoni (Geórgia).

– Após perder o meia Danny pelos próximos oito meses, com o rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito, o Zenit corre atrás desesperadamente de um meia. Recebeu um não de Jakub Blaszczykowski, do Borussia Dortmund, e busca acordo com a Juventus para o empréstimo de Milos Krasic.

– O Anzhi, que fiou quietinho durante toda janela de transferências na Europa, agora pretende tomar as manchetes dos jornais esportivos mundiais novamente. Prepara uma oferta para seduzir Wesley Sneijder a deixar a Internazionale.

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