Ah, Advocaat…

Quando Guus Hiddink deixou o comando da seleção russa após a catastrófica e traumática eliminação para a Copa do Mundo diante da Eslovênia, o nome de Dick Advocaat para o cargo era algo natural. É preciso reconhecer isso, afinal, vinha de ótimo trabalho no Zenit. Porém, passados sete meses de sua indicação, o panorama russo é bem desalentador.
Nesta quarta-feira, a Rússia foi derrotada pela fraca seleção do Irã, em amistoso disputado nos Emirados Árabes Unidos, por 1 a 0 (gol sofrido aos 45 minutos do segundo tempo). Detalhe: os iranianos estão com um treinador interino, e Advocaat chamou seus principais jogadores à disposição e tinha poucos lesionados, casos de Roman Shirokov e Alan Dzagoev. Foi a segunda derrota seguida da equipe em amistosos – em novembro do ano passado foi batida com tranquilidade pela Bélgica por 2 a 0.
A situação nas eliminatórias da Eurocopa pode até indicar o contrário, ou seja, que tudo está muito bem com a seleção. Afinal, após quatro rodadas, os russos lideram o Grupo B com nove pontos. Só que a chave não é nem um pouco complicada, com Irlanda, Armênia, Eslováquia, Montenegro e Andorra, por ordem de classificação atual.
A campanha tem uma vitória insignificante sobre Andorra, uma derrota inaceitável em casa para os eslovacos e dois bons triunfos fora contra irlandeses e macedônios. Mas, para uma seleção que foi terceira colocada na última Euro, vinha de um trabalho excelente de Hiddink (repito o que já escrevo aqui há algum tempo: foi um acidente a eliminação para a Eslovênia, acidente que pode atrasar em alguns anos o desenvolvimento do futebol no país) e tem um elenco com jogadores de destaque em importantes ligas, a classificação para Ucrânia/Polônia 2012 é obrigação nesse grupo.
E o que mais preocupa é o péssimo futebol apresentado nesses dois últimos jogos. Contra os iranianos, a Rússia conseguiu chutar menos a gol do que o adversário (9×13) e não foi superior em momento algum do jogo.
Passa-se o tempo, e a seleção não evolui, simplesmente não sai do lugar. O trabalho de Advocaat, ao invés de evoluir o de Hiddink, parece caminhar para trás. Para o tempo em que a Rússia havia se tornado saco de pancadas na Europa, deixando seus dias gloriosos no continente bem distantes.
Advocaat, quando foi contratado pela federação russa, teve que assinar um contrato (de quatro anos) com cláusulas de desempenho. E este, certamente, não está sendo satisfatório até agora. Talvez seja o caso de analisar isso agora, para evitar surpresas desagradáveis mais para frente.
Aventura de Gullit
A passagem de Ruud Gullit pelo Rubin Kazan começou na última quarta-feira, com a chegada do treinador à Chechênia. Fotos pra cá, fotos pra lá, sempre acompanhado por Ramzan Kadyrov, presidente da região. Declarações vagas, na mesmice de sempre. Até que ele revelou o mais importante: não ficará na cidade.
Sim, é isso mesmo. Gullit revelou que não vai morar em Grozny e o time só vai se dirigir para lá em dias de jogos. Durante todo o período em que ele estiver no comando, a equipe treinará em um centro a 200 km da capital chechena.
Sobre a contratação de Gullit, a coluna de 20 de janeiro contém minha opinião sobre o assunto (vai durar pouco no cargo e servirá apenas para chamar a atenção da mídia para a Chechênia). E com essa declaração, fica claro que Gullit não passa de um aventureiro em terras russas.


