Agora sim

Ninguém, em sã consciência, na Rússia, imaginava que a seleção ficaria fora da Copa do Mundo. Todos os times queriam enfrentar a Eslovênia nos play-offs do Mundial, inclusivo os russos. A dura eliminação custou o emprego de Guus Hiddink e abalou a confiança da equipe, que após muito tempo em baixa, havia sido recuperada com a excelente campanha na Eurocopa de 2008.
Pois bem. Hiddink foi embora e Dick Advocaar chegou. O belga, com larga experiência no Zenit São Petersburgo, teria a responsabilidade de recuperar o ótimo plantel russo e fazê-lo acreditar que a série contra os eslovenos foi “apenas” um terrível acidente. Passados alguns meses, a Rússia parece reencontrar seu caminho.
As vitórias sobre Irlanda e Macedônia, fora de casa, nos últimos dias, pelas eliminatórias da Euro de 2012, confirmaram o que todos esperavam, mas tinham algumas dúvidas: a Rússia é a potência do Grupo B. Passadas quatro rodadas, lidera com nove pontos – e só não é 100% por causa da absurda derrota, em casa, para a Eslováquia, na estreia (quando a confiança ainda estava abaladíssima).
Nos dois jogos Advocaat armou a Rússia no já tradicional 4-2-3-1. A defesa foi composta por Igor Akinfeev, Aleksandr Anyukov, Vasili Berezutski, Sergei Ignashevich e Yuri Zhirkov. À frente deles, um volante marcador (Roman Shirokov) e outro com bom toque de bola (Konstantin Zyrianov). A ligação defesa-ataque ficou por conta do jovem, e cada vez melhor, Alan Dzagoev.
Abertos jogaram Andrei Arshavin e Igor Denisov, enquanto a responsabilidade de marcar gols (que foi bem cumprida) ficou a cargo de Aleksandr Kerzhakov, que substituiu o lesionado Roman Pavlyuchenko. E vale o registro: Advocaat recuperou o atacante do Zenit para a seleção, após anos em baixa com Hiddink.
Com essa escalação, o treinador belga não inventa e coloca em campo o que a Rússia tem de melhor. Além disso, ainda fica com boas opções no banco de reservas para mudar o rumo da partida (Vladimir Bystrov, Diniyar Bilyaletdinov, Sergey Semak, Pavel Pogrebnyak, Aleksandr Bukharov e o próprio Kerzhakov, quando Pavlyuchenko jogar).
É uma excelente equipe, que já deveria ter ido para a Copa na África do Sul. Certamente estará na Polônia e na Ucrânia, e poderá, mais uma vez, figurar nas primeiras posições.
Já a Ucrânia…
Já escrevi aqui sobre a dificuldade em renovar o elenco de uma seleção. Em países como o Brasil isso é fácil, mas onde o pé-de-obra não é tão vasto, como na Ucrânia, a dificuldade é enorme. E esse é o grande dilema dos ucranianos.
A geração pós Tymoschuk e Shevchenko não tem conseguido segurar a onda. Além disso, enquanto a federação não define o nome do novo treinador (Yuriy Kalytvyntsev é interino), meses de trabalho visando a Euro 2012 – em casa – são perdidos.
Os fracos jogos contra Canadá e Brasil foram provas incontestáveis que algo precisa ser feito logo. Acho que o ideal, nesse momento, é trazer um técnico experiente, que conheça muito bem os jogadores e comece a montar um time para daqui dois anos.
Que mescle a experiência dos supracitados líderes da equipe, com talentos nem tão jovens assim (Artem Milevskiy e Oleksandr Aliyev) e os bons garotos da base (vale lembrar que a Ucrânia sub-19 conquistou o Europeu da categoria no ano passado).
Talvez uma boa sugestão seja o retorno de Oleg Blohkin, atualmente diretor esportivo do Chornomorets Odessa, ao comando da equipe.


