Leste Europeu

A vez de Zhirkov

Andrei Kanchelskis, um dos jogadores russos com maior destaque no cenário europeu nas últimas décadas, há cerca de dois anos deu uma entrevista ao Sport-Express, maior diário esportivo do país, criticando muito seus compatriotas atletas. Disse que eles não tinham grandes ambições, se contentavam com pouco, faltava-lhes experiência internacional e que eles precisavam começar a deixar o país e encarar novos desafios em outros campeonatos para enfrentar esses problemas. Passado um bom tempo das declarações do ex-jogador do Manchester United, parece que os russos ouviram o recado.

Nesta semana, foi a vez de Yuri Zhirkov deixar a comodidade de atuar na Premier Liga russa e se transferir para uma competição mais forte. É, até agora, a principal contratação do Chelsea para a temporada da Premier League. Por aproximadamente € 21 milhões, o clube ingles, bancado por Roman Abramovich, convenceu o CSKA Moscou a liberar o atleta da seleção. Ele se junta na Inglaterra a Andrei Arshavin, no Arsenal, e Roman Pavlyuchenko, no Tottenham.

Os três são exemplos para os demais atletas russos. O que acontece, e esta coluna já explicou diversas vezes, é que existe uma cultura entre os jogadores da Rússia de não deixar o país. Uma mescla de comodidade pelo ótimos salários pagos pelos times e um sentimento histórico, motivado por razões sociais e políticas, de não abandonar a nação. No passado, ainda nos tempos soviéticos, era impossível pensar em deixar para trás a Mãe Rússia. Isso foi se alterando nos últimos anos, mas gradualmente.

No futebol, como os clubes mais poderosos da Rússia são bancados por grandes companhias, a folha salarial é extremamente alta, e estas equipes são capazes de realizar grandes contratações e recusar, também, ofertas milionárias por seus atletas. Tanto que para tirar um jogador da seleção russa da Premier Liga, é preciso investir muito dinheiro. Pavlyuchenko foi por € 17 milhões e Arshavin, após uma enorme novela com o Zenit para liberá-lo, saiu por cerca de € 18 milhões. Isso explica, em tese, a pequena quantidade de russos espalhados pela Europa – Marat Izmailov, no Sporting, de Lisboa, é mais um caso.

No passado recente, grandes nomes do futebol russo brilharam em outras competições europeias. O citado Kanchelskis foi um, com ótima passagem pelo Manchester United e depois Everton, Fiorentina e Glasgow Rangers. Outro que brilhou no futebol inglês foi o volante Alexei Smertin, que, aliás, anunciou a aposentadoria nesta semana. Smertin defendeu o Chelsea entre 2003 e 2006, após uma boa passagem pelo Bordeaux. Sem falar em Valery Karpin (Real Sociedad, Valencia e Celta), Yuri Nikiforov (Sporting de Gijón e PSV), Dmitri Khokhlov (Real Sociedad e PSV), Aleksandr Mostovoi (Benfica, Celta e Alavés) e Vladimir Beschastnykh (Werder Bremen, Racing de Santander e Fenerbahçe). Ou seja, são muitos os exemplos.

Voltando a Zhirkov, o jogador canhoto tem tudo para dar certo no Chelsea, carente por um jogador por esse lado do campo, já que Malouda nunca satisfez a todos em Stamford Bridge. O russo, que assinou por cinco anos, foi revelado nas categorias de base do pequeno Spartak Tambov e vestirá a camisa 18, é um meia, mas tem atuado como lateral-esquerdo com Guus Hiddink na seleção. É um atleta polivalente, muito habilidoso e com personalidade forte. Não fala inglês, o que pode ser um empecilho no começo, mas para isso, Abramovich, certamente, dará um jeito.

Situação complicada

O Tom Tomsk continua em uma situação financeira complicadíssima. A equipe siberiana pediu ajuda ao Kremlin nesta semana para tentar buscar soluções para seus problemas. O clube deve mais de US$ 6 milhões e os salários dos jogadores não são pagos há pelo menos dois meses. Na coluna de duas semanas atrás, a situação do clube já foi debatida.

A questão é que, de lá para cá, nenhuma novidade positiva apareceu. A diretoria espera que novos patrocinadores apareçam e ajudem a, pelo menos, manter o caixa do time em dia. Os jogadores já foram informados que podem buscar transferências para outros clube, que não haverá qualquer empecilho na negociação.

Infelizmente, a possibilidade de o Tom ser obrigado a abandonar a disputa da Premier Liga russa é real. Seria a primeira vez na história da competição que isso aconteceria.

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Equipe Trivela

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