Leste Europeu

A URSS morreu há duas décadas, mas sua liga pode ressuscitar

A dissolução da União Soviética completará 22 anos em 2013. Contudo, a passagem do tempo parece não ter sido suficiente para encerrar os laços entre algumas das antigas repúblicas, especialmente no futebol. Nos últimos meses, as propostas de criação de ligas conjuntas entre diferentes países da região têm se tornado comuns. E algumas federações parecem mesmo empenhadas em transformar as ideias em realidade.

A última declaração sobre o assunto foi dado por Zviad Sichinava, chefe do futebol na Geórgia. O dirigente quer unir o campeonato nacional de seu país com os de Azerbaijão e Cazaquistão. “Este é o plano, mas primeiros precisamos da aprovação das outras federações”, declarou. Além disso, outro entrave seria mudar o calendário do futebol cazaque, que não segue o padrão europeu, como as outras duas ligas.

O renascimento esportivo da União Soviética já havia se manifestado em outros países. Gigante da exploração de gás natural e dona de vários investimentos no futebol, a Gazprom apresentou em dezembro um projeto para unir os campeonatos de Rússia e Ucrânia. O novo torneio contaria com 20 equipes, 10 de cada país, e premiação na casa de US$ 1 bilhão. Zenit, Anzhi e CSKA Moscou foram os primeiros a se posicionar ao lado da ideia.

Na própria região, há o exemplo da KHL, liga de hóquei no gelo que une times de Rússia, Ucrânia, Belarus, Cazaquistão, Letônia, República Tcheca e Eslováquia. Criada em 2008, a competição suplantou o Campeonato Russo e vem crescendo desde então – a média de público aumentou em 27,3% entre as temporadas 2008/09 e 2012/13. Nos últimos meses, enquanto a NHL, a liga norte-americana, permanecia interrompida por conta da negociação de acordos salariais, muitos astros do esporte se mantiveram em atividade na KHL.

A oposição política à nova liga de futebol, porém, foi grande. As federações russa e ucraniana se manifestaram contra a transformação. Além disso, a Fifa e a Uefa também não permitem a criação de ligas regionais em depreciação às nacionais. “Não vejo lógica nisso. Nós temos nossa liga e precisamos nos concentrar nela. Se tivermos recursos financeiros, iremos colocar em nosso futebol”, afirmou na época Vitaly Mutko, ministro dos esportes russo.

Do ponto de vista financeiro, ao menos, a proposta faz bastante sentido. A visão é de que a unificação das ligas possa aquecer não apenas os interesses comerciais, como também o dos torcedores. O público seria atraído por uma competição com equipes mais fortes e reavivada por antigas rivalidades do período soviético.

O entrave maior ficaria para o jogo político entre as federações, em uma discussão similar com a que se tem no Brasil, diante do possível fim dos campeonatos estaduais. O fim das ligas nacionais para dar espaço às competições supranacionais enfraqueceria a influência dos dirigentes. E, enquanto o poder estiver em xeque, as mudanças não entram na pauta dos cartolas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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