A todo vapor

No final de março, Lokomotiv Moscou e Dynamo Moscou eram o tema principal desta coluna. Os dois clubes haviam começado mal o Campeonato Russo, tropeçando contra pequenos. E indiquei, justamente, a necessidade de se impor, reviver o passado, voltar a ser grande. O Lokomotiv, ao menos, reagiu, e já ameaça ser uma das sensações da competição.
Nas últimas três rodadas, foram três vitórias seguidas. A boa fase teve início contra o Volga Nizhny Novgorod, oriundo da segunda divisão, mas que vinha com grande campanha, e seguiu contra Krasnodar e Kuban – todos com a mesma definição do Volga.
O técnico Yuri Kraznohan, na base da conversa e muito treino, conseguiu fazer sua escalação ofensiva render como um time. Guilherme consolidou-se como goleiro titular, tendo à frente uma linha de defensores com Roman Shishkin, Taras Burlak, Jan Durica e Renat Yanbaev – dois laterais que gostam de atacar.
No meio, outra linha de quatro: Vladislav Ignatyev e Dmitri Torbinskiy abertos, com Denis Glushakov (estava com uma lesão muscular, mas já se recuperou) e Dmitri Loskov centralizados. Na frente, Maicon, ex-Fluminense, é titular absoluto e vive sua melhor época na Rússia. Ao seu lado, Senijad Ibricic e Baye Djiby Fall têm alternado para suprir a ausência de Dmitri Sychev, lesionado.
Em um 4-4-2 sem mistérios, mas eficiente, Kraznohan tem feito a equipe se impor, e essas três vitórias contra times menores, alias com a vice-liderança com 13 pontos após sete rodadas, comprovam isso. Porém, para sonhar com algo a mais, é preciso ir além de meros triunfos sobre os pequenos, e o primeiro grande teste dessa boa fase do Lokomotiv já será neste domingo: Zenit, em São Petersburgo.
O adversário, mesmo sem apresentar um futebol brilhante nesse início de temporada, lidera a Premier Liga com um ponto a mais que o Lokomotiv. E o exemplo do Zenit precisa ser tomado pelo Loko como fator motivador. Porque, assim como a equipe de São Petersburgo, os outros favoritos ao título também capengam, casos de CSKA Moscou, Rubin Kazan e Spartak Moscou. E além disso, montaram elencos limitados, que não conseguirão manter um rendimento alto por toda – longa e desgastante – temporada russa 2011/12.
Assim, se o Lokomotiv Moscou se classificar para a fase final da competição com uma boa pontuação, nada o impede de sonhar com o título russo. Competição que o clube não conquista desde 2004, e no início da temporada parecia algo completamente impossível.
Seleção russa
Dick Advocaat terá mais dois compromissos pela frente para provar que pode fazer a seleção russa apresentar um bom futebol novamente. Em 7 de junho enfrentará a equipe de Camarões, em amistoso na Áustria, e em 10 de agosto encarará a Sérvia, em Moscou. Antes disse, porém, joga em São Petersburgo com a Armênia, pelas eliminatórias da Eurocopa, em 4 de junho.
A pressão sobre o treinador prossegue inalterada. Na Rússia, pouquíssimas pessoas apoiam o trabalho do holandês, que soma péssimos resultados nos últimos jogos da seleção, como derrota para o Irã e empates com Qatar e os próprios armenos.
A tabela das eliminatórias, passado o primeiro turno do Grupo B, também dá mostras da má fase: 10 pontos em cinco jogos, em uma chave sem adversários fortes – a Eslováquia lidera também com 10, e depois russos aparecem Irlanda, Armênia, Macedônia e Andorra. Passou da hora de reagir.


