Leste Europeu

A expectativa é grande

Lembram daquela propaganda do Bamerindus? Pelo menos os mais velhos se lembrarão, e os mais novos busquem no YouTube. Pois é, o tempo passa, o tempo voa, e o Anzhi Makahachkala continua sendo o centro das atenções na Rússia. Um ano após o início da longa e desgastante temporada de adaptação ao calendário europeu, o Campeonato Russo volta neste final de semana com a equipe do Daguestão como a protagonista, mesmo longe da briga pelo título.

Sim, o Zenit São Petersburgo trouxe de volta Andrei Arshavin, o Spartak Moscou repatriou Roman Pavlyuchenko, assim como o Lokomotiv Moscou fez com Dniyar Bilyaletdinov, mas mesmo com todas essas contratações o time que chama mais a atenção de todos na Premier Liga ainda é o Anzhi.

No mercado a equipe do Daguestão atuou pouco, até por conta do complicado momento político/administrativo pelo qual passou o clube justamente durante o período de inter-temporada. Mas foi por causa dessa agitação que o Anzhi conseguiu mobilizar a opinião futebolística nacional. Ao trazer Guss Hiddink para o lugar de Yuriy Krasnozhan, o presidente Suleyman Kerimov finalmente deu um caminho para seu clube seguir.

Roberto Carlos, quando foi contratado, fez questão de ressaltar o famoso “projeto”. À época, era uma aposta do brasileiro, por mais que ele não admita isso. Era impossível ter a certeza de que um clube pequeno russo, comprado recentemente por um bilionário do país, se tornaria  a equipe respeitável da atualidade. É muito fácil os desejos e caprichos dos donos mimados se sobreporem aos interesses esportivos, mas parece esse não ser o caso do Anzhi.

Desde a chegada de João Carlos, o primeiro reforço para esta temporada, vindo do Genk, outros 12 jogadores chegaram a Moscou, já que todos moram e treinam na capital, até o centro de treinamentos em Makhachkala ficar pronto (2013, provavelmente). Nessa brincadeira, alguns já até foram negociados, caso de Balázs Dzsudzsák, mas no total Kerimov já gastou € 58,1 milhões. E o último reforço, Christopher Samba, voltou a falar no “projeto”.

Não existia projeto. Este começa a ser construído agora, com Hiddink, que assinou contrato de 18 meses. Gadzhi Gadzhiev, o primeiro técnico da era Kerimov, nunca teve força suficiente para tirar o Anzhi da Rússia e conduzi-lo para a Europa. Krasnozhan foi um erro absurdo da diretoria, rapidamente consertado pelos jogadores, liderados por Roberto Carlos. Agora o Anzhi tem um treinador top, entre os melhores do mundo, e que aos poucos já implanta sua filosofia de trabalho.

Tanto é que o holandês assumiu, também, o posto de vice-presidente do clube e a incumbêmbia de gerenciar e arrumar as categorias de base do clube. E já está fazendo isso, frequentando os treinos dos juniores e participando de reuniões com os técnicos da base. Além disso, dá exemplos para os garotos no trato com os profissionais: Eto'o e companhia se atrasarem para o jantar, por exemplo, pagarão multa de € 1 mil. Quem tem moral, pode fazer isso sem sofrer represálias.

Bola rolando

Guus Hiddink assinou seu contrato com o Anzhi Makhachkala em 17 de fevereiro. De lá para cá trabalhou incessantemente todos os dias e comandou a equipe em dois amistosos nesta inter-temporada.

No dia 21, contra o Shakhtar Donetsk, derrota por 3 a 1 com a seguinte escalação: Vladimir Gabulov, Arseniy Logashov (Aleksei Ivanov no intervalo), Rasim Tagirbekov, João Carlos e Ali Gadzhibekov (Kamil Agalarov aos 29'/2T); Odil Akhmedov e Jucilei (Oleg Shatov no intervalo); Mbark Boussoufa (Makhach Gadzhiev aos 30'/2T), Shamil Lakhiyalov (Mehdi Carsela-Gonzalez aos 16'/2T) e Yuri Zhirkov; Samuel Eto`o, (Holenda, 81).

Cinco dias depois, vitória por 3 a 0 sobre o Arsenal Kiev: Evgeniy Pomazan, Benoît Angbwa (Kamil Agalarov aos 40'/2T), Rasim Tagirbekov, João Carlos e Ali Gadzhibekov; Odil  Akhmedov e Jucilei (Sharif Muhammad aos 29'/2T); Aleksei Ivanov (Makhach Gadzhiev no intervalo), Oleg Shatov (Jan Holenda no intervalo) e Shamil Lakhiyalov (Aleksandr Prudnikov no intervalo); Samuel Eto`o.

Nas duas partidas o técnico usou o mesmo 4-2-3-1 que foi utilizado por Gadzhi Gadhzhiev no primeiro turno do Russão e nas duas primeiras partidas da fase final. Ainda sem Roberto Carlos e o recém-chegado Samba. Contra o Arsenal, uma mudança grande no intervalo, alterando para o 4-3-3. Nos dois jogos, de qualquer modo, Hiddink usou muitos jogadores e já deu oportunidades a alguns jovens, como o lateral direito Arseniy Logashov e os meias Oleg Shatov e Sharif Mukhammad.

Com todo elenco à disposição, minha aposta do time titular do Anzhi para a retomada do Russão, disposto em uma linha de quatro defensores, meias centrais (volantes), três meias/atacantes avançados e um centroavante é: Gabulov, Angbwa, Tagirbekov, Samba e Gadzhibekov; Akhmedov e Jucilei; Boussoufa, Lakhiyalov e Zhirkov; Eto'o.

Mudanças devem acontecer. Uma possibilidade é o recuo de Zhirkov para a lateral-esquerda, afinal foi o próprio Hiddink que inventou o jogador nesta posição na Euro de 2008. Além disso, ainda há uma incógnita sobre a participação de Roberto Carlos nesse time. Ele seguirá atuando mais fora de campo do que dentro? Jogando, será volante – como foi nos últimos meses – ou pode retornar à lateral, ponto fraco do time? Respostas somente nas próximas rodadas.

Rodadas que, aliás, serão determinantes para o Anzhi. Faltam 12 jogos para o término do Campeonato Russo e o Anzhi está na sétima posição, 12 pontos atrás do líder Zenit e sete distante do segundo colocado, CSKA Moscou, que seria o último classificado para a Liga dos Campeões. Na teoria, ainda dá para lutar até mesmo pela taça, por mais improvável que eu considere isso. O que está mais próximo, naturalmente e matematicamente, é essa vaguinha na Champions, o que seria algo espetacular para um clube que se tornou novo rico nesta temporada.

Só que, como vocês já sabem, estamos no octogonal final do Russão, com os oito melhores times do país. Garantindo, assim, somente rodadas difíceis para o Anzhi. A minha aposta é que o Anzhi belisca no máximo uma vaga na Liga Europa. Champions só na próxima temporada, quando certamente mais reforços de peso chegarão ao Daguestão.

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Equipe Trivela

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