Leste Europeu

A batalha de Moscou

Com gols de Igor semshov, Sergei Ignashevich e Roman Pavlyuchenko, a Rússia venceu, com alguma dificuldade, a seleção de País de Gales por 3 a 1, em Cardiff, nesta quarta-feira. O resultado, junto com a previsível vitória por 4 a 0 dos alemães contra o Azerbaijão, manteve a disputa no grupo 4 das Eliminatórias da Copa em aberto. Tudo porque a diferença entre as equipes se manteve em um ponto, e ambas têm encontro marcado para o dia 10 de outubro no estádio Luzhniki, em Moscou. Quem vencer praticamente garante lugar na África do Sul, e um empate deixa os alemães em situação extremamente confortável.

Além da dramaticidade inerente ao próprio jogo, alguns ingredientes podem torná-lo ainda mais interessante para os amantes do futebol e de política. E o primeiro deles nos remete à história. A partida acontece exatamente 70 anos após o início da Segunda Guerra Mundial, conflito protagonizado pelas duas nações – a Rússia era a maior república da União Soviética – e que contou com a participação de quase toda a Europa, parte da África, da Ásia, Estados Unidos e Brasil. De acordo com os documentos mais recentemente revelados, morreram cerca de 70 milhões de pessoas em seis anos de conflito.

A partida também acontece no vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim, marco simbólico da reunificação alemã e do desmembramento União Soviética em 1991, que selou o fim da Guerra Fria. De lá para cá, os ventos da globalização e da multipolarização sopraram, e as seleções se enfrentaram apenas quatro vezes, com duas vitórias para os germânicos e dois empates. Para os russos, portanto, a grande oportunidade de bater os rivais coincide justamente com o jogo mais importante entre eles.

Outra curiosidade da partida diz respeito à origem dos jogadores das duas seleções. Enquanto os russos apresentam uma base 100% nacional com vários jogadores do Zenit – clube assumidamente racista – , os alemães contam com um elenco multinacional, em que a lista de nomes pode sugerir aos mais desavisados que se trata de uma big band de world music. E na ocasião do aniversário da Segunda Guerra, o fato de Klose e Podolski terem nascido na Polônia é, no mínimo, uma coincidência que pode fazer a alegria de muitos piadistas infames.

Conjuntura política à parte, trata-se de um jogo tecnicamente interessantíssimo, e que seria o mais emocionante de todas as Eliminatórias, não fosse o fato da agonizante Argentina ter que decidir sua sorte contra o Uruguai em Montevidéu.. Afinal de contas, é o confronto entre os vice-campeões europeus e os semifinalistas da competição.

Ambos fazem uma excelente campanha nas eliminatórias, e não seria exagero supor que, se caíssem em um grupo mais fácil, poderiam estar, nesse momento, classificados para o Mundial. A notável evolução da seleção russa com Guus Hiddink no comando faz com que o jogo, que poderia ser encarado apenas como “difícil” para os alemães, seja elevado ao status de clássico europeu.

Para os russos, é a chance de voltar a uma Copa do Mundo e finalmente apresentar um futebol razoável. Nas duas participações anteriores como Rússia, em 1994 e 2002, o máximo que conseguiram foi uma goleada por 6 a 1 em 1994 contra uma ressacada seleção de Camarões, quando as duas seleções estavam eliminadas. O jogo em si só teve uma utilidade: consagrar Oleg Salenko como um dos artilheiros daquele Mundial com seis gols.

Em caso de classificação, a expectativa é de chegar pelo menos às quartas-de-final na África do Sul. Uma eventual boa campanha em 2010 seria capaz até de colar de vez um certificado de qualidade ao Campeonato Russo, onde atuam 18 dos 23 convocados para a última lista de Hiddink, e para onde imigram cada vez mais estrangeiros de qualidade. Dos outros cinco, quatro estão na Premier League e apenas um, o centroavante Pavel Pogrebnyak, joga a Bundesliga pelo Stuttgart.

Por fim, a vitória no confronto significa escapar de uma repescagem que se desenha perigosíssima. O perdedor corre o risco de enfrentar seleções como Portugal ou França por uma vaga, o que, por si só, é motivo de preocupação. Além disso, caso passe pela disputa, terá menos tempo para preparar a equipe para o Mundial.

Zico fora

Descontente com a quarta colocação no campeonato e consequente possibilidade de ficar fora da próxima Liga dos Campeõses, a diretoria do CSKA anunciou, nesta quinta-feira, a demissão do técnico Zico. Seu substituto será Juande Ramos, ex-Real Madrid, Tottenham e Sevilla.

Campeão da Copa da Uefa em 2006/07 com o Sevilla, Ramos estava desempregado desde que saiu do Real Madrid, em maio de 2009. Nos merengues comandou uma bela recuperação no Campeonato Espanhol, apesar de não ter levado o título, e recuperou o prestígio perdido com a péssima campanha no Tottenham no início da temporada passada, quando os Spurs chegaram a ocupar a lanterna da Premier League.

Outro desafio de Ramos no CSKA é classificar a equipe na fase de grupos de Liga dos Campeões. Os russos estão no grupo B, ao lado de Manchester United, Besiktas e Wolfsburg. Caso seja bem-sucedido, seu contrato, que dura até o fim do ano, será prorrogado até o fim da temporada europeia.

Se não fosse a polícia…

Negociado pelo Spartak Moscou com o Zenit há duas semanas atrás, o meia Vladimir Bystrov se envolveu em uma confusão com os torcedores de seu clube, que tentaram agredi-lo após um treinamento com a seleção Russa, em São Petersburgo, às vésperas do jogo contra Lichtenstein, realizado no último sábado, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

O motivo da confusão é simples Bystrov foi revelado no Zenit, vendido ao Spartak e, quando estava no clube moscovita, marcou alguns gols importantes contra seu clube de origem. Os torcedores do Zenit, conhecidos pelo comportamento hostil e violento, o acusam de traição e, se não fosse uma enérgica intervenção policial, o saldo da confusão poderia ter sido muito maior.

Após o incidente, o meia-atacante Andrey Arshavin saiu em defesa do seu companheiro de seleção. “Conheço o Bystrov há muito tempo e sei do esforço que ele fez para voltar a São Petersburgo. A torcida está sendo muito injusta com ele”, afirmou Arshavin, campeão da Copa da Uefa com o Zenit na temporada 2007/08.

Fim de semana

Após os jogos das seleções, o Campeonato Russo terá sua 21ª rodada disputada neste fim de semana. O Rubin, que lidera a classificação com 43 pontos, recebe o Saturn, 8º colocado, em Kazan. Já o vice-líder Spartak Moscou faz o clássico local com o Dynamo e, se perder, pode começar a dar adeus às poucas chances que tem de conquistar o título.

Em franca evolução no campeonato, o Lokomotiv encara, fora de casa, o Spartak Nalchik e, se vencer, entra definitivamente na briga por uma vaga na Liga dos Campeões. O mesmo acontece com o Zenit, que recebe o Rostov em São Petesburgo.
Ucrânia

A seleção sub-21 da Ucrânia roubou a cena nesta quarta-feira e arrancou um empate fora de casa por 2 a 2 com a França, em jogo válido pelo Campeonato Europeu da categoria. O principal responsável pelo feito foi o zagueiro Volodymyr Chesnakov, do Vorskla Poltava, autor dos dois gols ucranianos na partida. Com o resultado, a Ucrânia chegou a quatro pontos em dois jogos e assumiu a vice-liderança do Grupo 8 com quatro pontos, dois atrás da Bélgica.

Já o Campeonato Ucraniano só retorna no próximo fim de semana, com o líder Dynamo Kiev enfrentando fora de casa o Metalist Kharkiv, e o vice-líder, Shakhtar Donetsk, indo à capital para encarar o Arsenal Kyiv.

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Equipe Trivela

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