1/4 já foi

Matematicamente, não é bem 1/4. Afinal, cada equipe russa disputará 44 partidas nesta edição do Russão. Como já tivemos 16 rodadas… mas, na prática, o primeiro quarto da competição acabou. Para se adaptar ao calendário europeu, o Campeonato Russo realiza sua temporada de transição, com dois turnos normais em 2011 e no primeiro semestre de 2012 outros dois turnos, com os times divididos em dois grupos de oito – a parte de cima, logicamente, brigando pelo título, e os demais lutando contra o descenso.
Assim, chegou a hora de fazermos um balanço inicial do torneio, que para agora e só volta no final de semana dos dias 23 e 24 de julho – o CSKA Moscou joga antes a sua partida atrasada contra o Volga, fora de casa, no dia 21. Essa é a tradicional pausa que os russos sempre fizeram no verão. O pensamento deles era que, como já teriam que parar a cada dois anos devido às Copa do Mundo ou Eurocopa, seria mais fácil já introduzir essa parada no calendário oficial.
Sem mais delongas, vamos aos tópicos e às análises:
Destaque: CSKA Moscou
Melhor ataque, melhor defesa, artilheiro da competição, liderança isolada e futebol mais bonito. Tudo isso com uma partida a menos. Esse é o CSKA Moscou, líder absoluto do Campeonato Russo e melhor equipe sem dúvida alguma.
O técnico Leonid Slutsky sofreu um pouco no início para arrumar seu 4-4-2. Tentou colocar Keisuke Honda como um segundo volante, mas não deu certo. Abriu o japonês pela direita e sacou Alan Dzagoev do time, mantendo Zoran Tosic pela esquerda. Acertou o meio com Evgeni Aldonin e Pavel Mamaev, dois volantes com boa saída de bola. Atrás, colocou Alexei Berezutski como lateral-esquerdo novamente, deixou Kirill Bababkin na direita e fechou o miolo da zaga com Vasili Berezutski e Sergei Ignashevich. Defesa segura, que pouco sobe.
No ataque, o principal diferencial do CSKA: a dupla formada por Seydou Doumbia e Vagner Love. O marfinense é o artilheiro do Russão com nove gols, ao lado de Danko Lazovic. Está em uma fase impressionante, marcando golaços a cada partida. Ao seu lado o brasileiro, aos poucos, reencontrou seu bom futebol – algo que não apareceu no início, quando sua cabeça estava no Flamengo. Além disso, Slutsky passou a tirar mais Vagner Love da área, deixando Doumbia como referência, o que melhorou o rendimento de ambos.
Com tudo isso, o CSKA, que já estava no grupo dos favoritos, se credenciou ainda mais. Ainda acho que a falta de um elenco mais numeroso vá pesar mais à frente, mas de qualquer modo o time do Exército tem feito muito bem seu papel e somado pontos importantíssimos. Afinal, para a fase decisiva a pontuação será levada sem alterações.
Status confirmado: Zenit São Petersburgo
Desde o início do ano tenho apontado o Zenit como o grande favorito. Basicamente porque, como acabei de apontar no caso do CSKA, o elenco será fundamental nesta longa e desgastante temporada na Rússia. Clube mais rico do país, o Zenit tem jogadore talentosos para todas as posições e ótimos reservas, que seriam titulares em diversas equipes da competição.
Na frente conta com o bom momento vivido, mais uma vez, por Aleksandr Kerzhakov, vice-artilheiro do Russo com sete gols. Lazovic, já citado, é obviamente outro destaque, assim como o goleiro Vyacheslav Malafeev, que faz sua melhor temporada da carreira – apesar da tragédia familiar que o atingiu, com a morte de sua esposa em um acidente de carro.
A defesa é outro ponto forte. Apesar de não valer os US$ 20 milhões gastos nele, Bruno Alves é o melhor zagueiro do campeonato até agora. Quem não tem rendido tanto é a dupla de volantes formada por Konstantin Kyryanov e Igor Denisov. Com isso, o time tem perdido pontos bobos, como na última rodada para o Terek Grozny no estádio Petrovskiy.
Para brigar de igual para igual com o CSKA, precisará recuperar a regularidada que marcou seu título na última temporada.
Podem surpreender: Dynamo Moscou e Anzhi
Depois do CSKA, o Dynamo Moscou é quem apresenta o melhor futebol do Campeonato Russo até agora. A goleada por 4 a 1 sobre o Lokomotiv, por exemplo, foi a melhor partida da competição. Depois que o técnico montenegrino Miodrag Bozovic deixou o clube em abril, Sergey Silkin assumiu e colocou a tradicional equipe moscovita no rumo certo.
Isso graças, também, a Andriy Voronin e Kevin Kuraniy que começaram a jogar, finalmente. Contando também com um meio-campo habilidoso e eficiente, formado por Aleksandr Kokorin, Igor Semshov, Aleksandr Sapeta e Aleksandr Samedov, o Dynamo tem feito ótima campanha, que resulta na terceira colocação e o sonho da inédita conquista do Campeonato Russo.
E temos, também, o Anzhi Makhachkala, equipe que mais chamou a atenção do público brasileiro em 2011, graças às contratações de Roberto Carlos, João Carlos, Jucilei e Diego Tardelli. Os dois últimos ainda não renderam o esperado, e estão inclusive machucados. O segundo passou muito tempo lesionado. Somente o lateral-esquerdo tem cumprido com as expectativas depositadas nele.
Hoje, Roberto Carlos é o dono do time ao lado do marroquino Mbark Boussoufa, outra contratação cara desta temporada. Ainda acho que o clube lutará apenas por vagas europeias, mas se a equipe evoluir mais um pouco pode ter chances de competir com os grandes do país. O aspecto negativo da campanha do Anzhi é a suspeita de manipulação de pelo menos dois resultados: vitórias sobre Volga e Lokomotiv.
Decepções: Rubin Kazan e Spartak Moscou
Particularmente, acho o Rubin Kazan o time mais chato de se ver jogar. O técnico Kuban Berdyev arma seu time sempre na defesa, priorizando jogadores medíocres a outros talentosos – esta é a única explicação que encontro para Gökdeniz Karadeniz ser mais reserva do que titular. Ok, essa tática deu certo no bicampeonato russo, mas não preciso gostar.
Só que, nesta temporada, o Rubin tem jogado feio e perdido jogos bobos, contra adversários que lutam apenas contra o rebaixamento. Assim, o quinto lugar é até um pouco ilusório, dado o fraco futebol apresentado após 16 partidas.
Mas quem decepciona, mesmo, é o Spartak Moscou. Na sétima posição, chegou a fica na lanterna no início do Campeonato Russo. A diretoria também foi responsável pelo ato bizarro da temporada: demitiu Valery Karpin do posto de técnico e o deixou somente como diretor Esportivo – isso após a traumática eliminação na Liga Europa, massacrado pelo Porto. Passada uma semana, ele voltou (e continua até hoje) como interino. E o time segue colecionando resultados medíocres… nem de longe tem condições de lutar pelo título.
Cavalo paraguaio precoce: Lokomotiv Moscou
A temporada começou promissora para o Lokomotiv Moscou. Na metade do primeiro turno, a equipe figurava no topo da tabela e aparecia como uma concorrente ao título, ao lado dos favoritos CSKA e Zenit. Porém, tudo desandou com o escândalo de manipulação de resultados que resultou na queda do técnico Yuri Kraznohan.
Para recapitular: Kraznohan fazia ótimo trabalho no clube, após ser contratado do Spartak Nalchik; até que na 11ª rodada, em casa, o time foi batido pelo Anzhi por 2 a 1; alguns dias depois, Kraznohan foi demitido pela presidenta Olga Smorodskaya. Oficialmente, problemas no comando do time foram alegados pela diretoria. Mas essa versão passa longe da verdade.
Yuri Kraznohan caiu porque teria entregue esse jogo, em acordo feito no ano anterior, pelo antigo técnico Yuri Semin, que bateu o Anzhi no segundo turno de 2010. Kraznohan nada teria feito para impedir. Assim, desde sua saída, com Vladimir Maminov como interino, o Lokomotiv saiu dos trilhos e ainda não reencontrou o caminho. Fez várias contratações nos últimos dias, sinal de que o alerta já foi aceso no clube.
Ah, o rebaixamento: Krylya Sovetov
Antes do Campeonatob Russo começar, o Krylya Sovetov já era apontado como um dos principais candidatos ao rebaixamento. Principalmente por conta de sua crise financeira, que quase culminou na sua exclusão da competição. Dívidas contornadas, ao menos inicialmente, a equipe de Samara confirmou as previsões: é a pior do Russão até agora.
Não há talentos, a força em casa já não é a mesma e a campanha fora é pífia. Ainda há muito campeonato pela frente, e a torcida voltou a ter esperanças nesta semana com a demissão do técnico Aleksandr Tarkhanov e a indicação do bom Andrey Kobelev, ex-Dynamo Moscou. Mas como este não deve receber reforços, terá que fazer mágica para evitar o provável descenso.
Além do Krylya, Volga, Rostov e Spartak Nalchik, nessa ordem, são os meus candidatos ao rebaixamento.


