O técnico da Suécia, Janne Andersson, admitiu em entrevista que Zlatan Ibrahimovic pode voltar a defender a seleção do país. De acordo com a Gazzetta dello Sport, o técnico disse que teve uma conversa com o atacante, de 39 anos, e a possibilidade de voltar a convocá-lo existe. Os dois se encontraram em novembro e esse assunto esteve em pauta.

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Houve um entrevero entre o técnico e o jogador, que teria acusado Andersson de ser racista – algo que o atacante negou. Ele expressou preocupações ao técnico, porém, por ter um histórico de imigração. Em entrevista recente à Sky Sports Italia, Ibrahimovic confirmou a conversa com o técnico da seleção da Suécia sobre o retorno.

“Eu falei com o técnico e expliquei para ele a situação. Por 20 anos, eu trilhei o caminho para aqueles que não eram bem-vindos: estrangeiros que tinham diferentes origens. Quando ele chegou, ele fez escolhas diferentes, fechou a porta para o que eu vinha fazendo nos 20 anos anteriores. Eu não gostei”, contou Ibrahimovic.

“Eu reclamei porque Dejan [Kulusevski] foi deixado de fora dos titulares. A Juventus gastou muito dinheiro nele, mas ele não jogou peal seleção. Eu sinto falta da Suécia, poderia retornar se eu me sinto bem, mas minha presença não deve incomodar ninguém. Nós veremos o que acontece quando o momento certo chegar”, explicou ainda o atacante.

“Nós conversamos e ele confirmou que nunca me acusou de ser racista”, afirmou Andersson à imprensa sueca. “Se Zlatan abrir a porta, nós iremos conversar. O que nós dissemos um ao outro deve permanecer privado”.

Em novembro, o técnico já tinha deixado claro que essa possibilidade poderia acontecer. “Quando Zlatan abriu a porta para jogar pela seleção, eu senti que era natural e importante encontrá-lo para falar sobre isso o mais rápido possível”, afirmou, então, o técnico. “O encontro foi bom e frutífero, e nós concordamos em continuar o diálogo”.

Quando ganhou o prêmio de melhor jogador sueco do ano pela 12ª vez, no fim de 2020, Ibrahimovic manifestou publicamente o desejo de voltar. “Se você me perguntar, eu serei honesto e direi: sim, eu sinto falta da seleção”, afirmou o atacante ao Aftonbladet. “Não é segredo”.

“Quem não sente falta já encerrou a carreira. E eu não encerrei a minha”, continuou Ibra. O atacante se aposentou da seleção sueca depois da Eurocopa de 2016. Especulou-se que ele poderia voltar depois da equipe se classificar para a Copa 2018, ao eliminar a Itália, mas isso não aconteceu. Ele tem 116 jogos pela Suécia, com 62 gols marcados.

Origem imigrante

Ibrahimovic é filho de pai bósnio muçulmano e mãe croata e católica. Nasceu em Malmö, na Suécia, em 3 de outubro de 1981, e já disse algumas vezes que ele simboliza “a nova Suécia”, formada por imigrantes. Seu pai imigrou para o país em 1977 e foi lá que Ibra nasceu e cresceu, além de se formar como jogador. Em 2015, o jogador gravou o hino da Suécia e a música se tornou um hit no país, ganhando inclusive disco de ouro.

“Isso é como a Suécia se parece em 2014. Eu não falo sueco perfeito, mas é assim que é. Misturas em todos os lugares. Eu sou sueco de qualquer forma. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, iguais. Meu pai é da Bósnia e é muçulmano. Minha mãe é croata e católica. Mas eu nasci na Suécia e eu sou cidadão sueco. Você não pode mudar isso”, explicou o jogador na época.

Kulusevski tem uma história similar. Nascido em Estocolmo, ele é filho de pais macedônios, país que fica na região dos Bálcãs, mesmo lugar de onde vieram os pais de Ibra. A ausência do jogador no time titular, mesmo sendo destaque da Serie A, irritou Ibra na época, mas isso foi esclarecido.

A questão do racismo é algo que mexe muito com Ibrahimovic. Em 2018, ele reclamou do tratamento da imprensa sueca, que, para ele, o trata diferente justamente pela sua origem. “Isso é sobre racismo. Eu não digo que há racismo, mas eu digo que há um racismo velado. Isso existe, eu tenho 100% de certeza. Porque eu não sou Andersson ou Svensson. Se eu fosse, acredite em mim, eles iriam me defender mesmo se eu roubasse um banco. Mas eles não estão me defendendo do modo como deveriam”, contou o jogador.

Apesar do orgulho da sua origem como imigrante, Ibrahimovic também se diz muito orgulhoso por ser sueco. Quando perguntado sobre o que a Suécia significa para ele, ele respondeu assim, em 2017: “Tudo! É da Suécia que eu venho, é a Suécia que eu represento e sempre penso em tudo que eu faço. Tudo que é bom para mim fora da Suécia é um bônus que eu fico extremamente feliz e orgulhoso, mas a Suécia que é tudo para mim. O que acontece na Suécia é mais importante para mim. Tudo que eu faço é ligado à Suécia. Eu faço questão que todo mundo saiba o que a Suécia é”.