Itália

De Laurentiis: ‘Torcedores acham que jogadores honram a camisa. Eles só honram o dinheiro!’

Presidente do Napoli revela que só trabalhou com um atleta que fugiu à regra, relembrando saída forçada de astro

Quando faliu em 2004, o Napoli foi comprado por Aurelio De Laurentiis, responsável por investir pesado na reestruturação do clube. E com os Azzurri de volta ao protagonismo na Itália, o empresário do cinema garante que, no futebol atual, poucos não tratam a profissão como um negócio.

— Os torcedores querem ganhar e acham que os jogadores vão honrar a camisa para sempre. Mas não é verdade! Eles só honram o dinheiro — declarou De Laurentiis ao “The Athletic”.

O proprietário do Napoli deu risada quando foi perguntado sobre a lealdade dos jogadores. Aurelio De Laurentiis argumenta que, em mais de duas décadas, teve apenas um atleta que conquistou sua admiração por fugir à regra daqueles que priorizam o aspecto financeiro: Marek Hamsik.

— Existem poucos casos (de lealdade). Eu tive um cara fantástico, Marek Hamsik, que era o capitão do nosso time. Ele ficou conosco para sempre. Mas esse é apenas um caso — lamenta o dono dos Azzurri.

Marek Hamsik, ídolo do Napoli (Foto: Imago/PA Images)
Marek Hamsik, ídolo do Napoli (Foto: Imago/PA Images)

O meia eslovaco se destacou no Brescia e chegou ao Napoli em 2007, logo após o retorno à Serie A. Hamsik se tornou um dos principais jogadores dos Azzurri, sendo bicampeão da Copa da Itália (2011/12 e 2013/14), além de erguer uma taça da Supercopa da Itália (2014), os primeiros títulos relevantes da era De Laurentiis.

Ao todo, o ídolo ficou 12 anos no Diego Armando Maradona, se tornando o jogador com mais jogos disputados na história do clube (520). Marek Hamsik deixou o Napoli aos 32 anos para se juntar ao Dalian Pro, da China. O eslovaco ainda passou por IFK Göteborg, da Suécia, e Trabzonspor, da Turquia, antes de se aposentar.

De Laurentiis relembra saída forçada de Kvaratskhelia do Napoli

Como contraponto, o proprietário dos Azzurri relembrou a polêmica saída de Khvicha Kvaratskhelia, um dos principais responsáveis pela conquista do scudetto em 2022/23, encerrando um jejum de 33 anos sem levantar a taça da elite italiana.

No início de 2024/25, o técnico Antonio Conte foi contratado e fez um pedido a Aurelio De Laurentiis: não vender o atacante georgiano. O dono do Napoli relembra que, naquela temporada, o PSG e outros clubes tentaram contratar Kvaratskhelia e Victor Osimhen juntos por 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,1 bilhão na cotação atual).

Khvicha Kvaratskhelia pelo Napoli em janeiro de 2025 (Foto: Imago/Giuseppe Maffia)
Khvicha Kvaratskhelia pelo Napoli em janeiro de 2025 (Foto: Imago/Giuseppe Maffia)

O treinador italiano abriu mão do atacante nigeriano sob a promessa de continuar trabalhando com o georgiano. Entretanto, De Laurentiis considera que cometeu um “grande erro”, pois Khivicha Kvraratskhelia, seu pai e seu agente, começaram a forçar uma transferência. O dono do clube explica que o atacante e seu staff ameaçaram invocar o Artigo 17 da Fifa para rescindir o contrato unilateralmente.

— Qualquer jogador com menos de 28 anos, após três anos de contrato, pode se desvincular por quase nada. E como esse jogador e seu agente estavam absolutamente determinados a deixar Nápoles, decidi que era melhor vendê-lo — ponderou Aurelio De Laurentiis.

Em janeiro do ano passado, Kvaratskhelia se junto aos parisienses por 70 milhões de euros (em torno de R$ 436 milhões à época). Conte ficou “decepcionado” com a postura de seu astro, que era peça fundamental para o futuro do projeto. Mesmo sem ele, os Azzurri voltaram a ser campeões da Serie A.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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