‘É normal isso?’: Presidente do Napoli usa Modric para expor ferida do futebol italiano
Em semana desastrosa para seleção italiana, fala do dirigente recoloca em pauta as limitações técnicas e estruturais do Calcio
A eliminação da Itália para a Bósnia, nos pênaltis, na repescagem da Copa do Mundo, ainda reverbera no país. Fora do Mundial pela terceira edição consecutiva, a Azzurra viu a pressão sobre seu futebol aumentar de vez — e, no meio desse cenário, Aurelio De Laurentiis resolveu mirar em um ponto sensível.
Presidente do Napoli e figura influente no Calcio, o dirigente usou Luka Modric, do Milan, como exemplo para questionar o nível atual do futebol italiano. A fala, ao “Corriere dello Sport”, mexeu com um tema que voltou ao centro das discussões após mais um vexame da Azzurra.
— É normal que o Modric, que jogou poucos minutos no Real Madrid na última temporada, venha pra cá com 40 anos e vire titular absoluto, dominando o jogo? — questionou.
A provocação não é exatamente sobre Modric, mas sim sobre a capacidade de competição da Serie A e, por consequência, a dificuldade do futebol italiano de acompanhar a evolução do jogo em nível internacional.
O que De Laurentiis quis dizer ao usar Modric como exemplo?
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Faurelio-de-laurentiis-napoli-scaled.jpg)
A observação de De Laurentiis toca em um debate inevitável neste momento: afinal, qual é hoje o real nível de competitividade do futebol italiano?
Quando um jogador consagrado, mas já em fase final de carreira, chega e se impõe com tanta naturalidade, a discussão deixa de ser apenas sobre talento individual e passa a envolver o ambiente em que ele está inserido.
Não se trata de diminuir Modric, um meio-campista cuja inteligência, leitura de jogo e capacidade de controlar o ritmo seguem em altíssimo nível. O ponto levantado é outro: o que o sucesso imediato de um veterano diz sobre a exigência do campeonato que o recebe?
A crítica ganha ainda mais força porque aparece justamente em uma das semanas mais constrangedoras da história recente da Azzurra. A queda para a Bósnia consolidou um cenário impensável até pouco tempo atrás: uma seleção tetracampeã do mundo ausente de três Copas seguidas.
Mais do que um tropeço isolado, a nova eliminação reforça a sensação de que o problema da Itália não está somente na troca de técnicos, em uma geração específica ou em um ciclo ruim de seleção. O debate passou a ser mais amplo e envolve a base do sistema: a formação de jogadores, o nível de exigência doméstico e a capacidade de o país produzir equipes e atletas realmente competitivos no topo do futebol mundial.
A Itália segue tendo camisa, tradição, torcida, estádios cheios em jogos grandes e clubes relevantes no continente europeu. O problema é que, quando o debate sai do peso histórico e entra no nível de exigência, intensidade e renovação, a distância para as principais potências parece cada vez mais evidente.
No centro da crítica de De Laurentiis está uma constatação incômoda: o problema já não parece ser apenas da seleção, mas de um futebol italiano que há tempos dá sinais de desgaste.