Itália

Juventus, Internazionale, Milan e Roma são acusadas de querer ‘mini Superliga’

Após a polêmica da Superliga, o presidente do Torino alega que o quarteto tentou implementar um modelo parecido na própria Itália

O futebol europeu vive uma polêmica. Os clubes gigantes do continente já expressaram seu desejo de criar uma Superliga, um torneio que reúne os times mais tradicionais (e ricos) do continente. A ideia tem sido firmemente combatida pela Fifa e pela Uefa, e os tribunais devem decidir se esse projeto sairá do papel. Agora, foi a vez da Itália proporcionar uma história parecida a nível doméstico.

Pelo menos, essa é a acusação do presidente do Torino, Urbano Cairo, contra Juventus, Internazionale, Milan e Roma. Isso porque, na última segunda-feira (12), os 20 clubes da Serie A votaram a ideia de reduzir o número de participantes da primeira divisão do país para 18, assim como acontece na Bundesliga (Alemanha) e na Ligue 1 (França). O quarteto foi o único a aceitarem o projeto, sendo que as 16 equipes restantes barraram a mudança:

– “O que eles queriam fazer era uma mini Superliga. A reunião de hoje (12) confirmou que a grande maioria dos clubes quer manter 20 equipes, já que as outras principais divisões europeias, incluindo as ligas espanhola e inglesa, também têm 20 times. Isso mostra que 20 clubes é o formato que funciona”, disse Cairo em entrevista à agência italiana ANSA.

Como citado pelo mandatário do Toro, Premier League e LaLiga também seguem o formato de 20 clubes na sua divisão de elite, o que, junto à atual Serie A, resulta no esquema favorito entre as cinco principais ligas europeias. Bianconeri, Nerazzurri, Rossoneri e Giallorossi gostariam de um campeonato com 18 times. Pelo menos por enquanto, a ‘mini Superliga’ italiana não irá para frente.

Por que o quarteto italiano queria uma ‘mini Superliga’?

É importante ressaltar que o Campeonato Italiano era disputado no formato com 18 equipes até 2004/05, cuja temporada marcou a expansão para 20 clubes, que se mantém até hoje. Antes da votação, o presidente do Milan, Paolo Scaroni, declarou à Rai Radio 1 que a reunião serviu como uma tentativa de retomada de influência da Serie A dentro da Federação Italiana de Futebol (FIGC).

Para o cartola dos Rossoneri, o prestígio da Liga Italiana deveria ser “muito forte” na federação, mas é “fraco”. Juventus, Milan, Internazionale e Roma votaram a favor da redução para 18 times na Serie A sob a justificativa de que o campeonato seria mais competitivo, além de que a redução do calendário poderia ajudar os times do país na briga por títulos europeus, e não a tentativa de fazer uma ‘mini Superliga’.

Esse argumento foi repetido por Scaroni, que acredita que o excesso de jogos na temporada é um dos causadores das inúmeras lesões na Europa, principalmente nesta temporada. O presidente dos Rossoneri defende que a solução para esse problema é a mudança no formato do Campeonato Italiano, já que 18 clubes na primeira divisão do país diminuiria o número de rodadas de 38 para 34. Ou seja, quatro partidas a menos:

– Os jogadores jogam nas competições europeias (Champions League, Liga Europa e Conference League), nas partidas de seleções, na Copa da Itália e no campeonato (Serie A). Tudo isso leva a uma sobrecarga de jogos que se torna insuportável e que é a causa de muitas lesões.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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