Itália

Entenda por que grupo chinês teve de deixar Internazionale mesmo com sucesso em campo

Multicampeã sob o comando do Grupo Suning, a Internazionale agora passa a ser gerida pela Oaktree Capital Management

Na Itália, ninguém foi melhor do que a Internazionale, que conquistou o 20º título da Serie A de sua história e garantiu a segunda estrela em seu emblema. O que ajuda a explicar o sucesso recente dos Nerazzurri é a gestão do Grupo Suning, que assumiu em 2016 e recuperou o protagonismo no futebol europeu. Contudo, nesta quarta-feira (22), a empresa chinesa deixou de ser a sócio majoritária do clube.

A Oaktree Capital Management agora é a nova dona da Inter de Milão. A Suning, que pertence ao empresário Zhang Jindong, não pagou no prazo uma dívida de € 395 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) à empresa americana, que fez um empréstimo aos chineses há três anos. Devido ao calote, a firma sediada na Califórnia ficou com os 68,55% das ações dos Nerazzurri.

Um fim melancólico para os oito anos do Grupo Suning, que conseguiu colocar a Internazionale de volta nos trilhos após anos de instabilidade. Tanto que a ideia da Oaktree é continuar o bom trabalho com as finanças sem perder força esportiva. Mas afinal de contas, por que os chineses tiveram que passar os Nerazzurri para o comando dos americanos? Isso é o que a Trivela vai te responder.

Por que a Internazionale trocou de dono?

Primeiro, precisamos voltar um pouco no tempo. Em 2019/20, a Internazionale de Antonio Conte ficou com o vice da Serie A e da Liga Europa, em um claro crescimento dentro de campo. Fora dele, as coisas complicaram de vez graças à pandemia da Covid-19. Como consequência, o futebol mundial ficou um período parado, o que impactou diretamente as receitas dos Nerazzurri.

Mesmo quando a temporada foi retomada, a Inter sofria com o San Siro vazio, e depois, com o público limitado para evitar o contágio do coronavírus. Em 2020/21, a Suning constatou o tamanho do rombo nos cofres: um prejuízo de € 245,6 milhões (em torno de R$ 1,4 bilhão). Os chineses não viram outra saída que não fosse um empréstimo para manter seus negócios com os Nerazzurri.

Foi nesse cenário que a Oaktree Capital Management cedeu € 275 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) para o Grupo Suning, há três anos. Como garantia de pagamento, os chineses colocaram sua participação majoritária na Internazionale. De lá para cá, Zhang tentou honrar seu acordo, mas a falta de liquidez falou mais alto, e os Nerazzurri passaram a ser comandados pelos americanos.

Aqui vale ressaltar que a Suning tentou refinanciar o empréstimo junto à Oaktree, que recusou e exigiu o pagamento integral do saldo devedor mais juros. Sem dinheiro para isso, os chineses buscaram outras linhas de crédito para não perder o controle da Inter de Milão. Mais uma vez, os esforços foram em vão. Portanto, os americanos que darão início a um novo capítulo na história dos Nerazzurri.

Suning foi fundamental

Algo que não pode ser apagado é que o Grupo Suning foi fundamental para a Inter. Zhang Jindong não tocou os negócios na Itália, transferindo a responsabilidade para seu filho, Steven. A princípio, o jovem chinês fez parte do conselho administrativo dos Nerazurri. Já em 2018, ele assumiu a presidência. E a gestão dos chineses sempre se baseou nos preceitos da sustentabilidade, austeridade e recuperação financeira.

A Internazionale adotou a estratégia de investir em jogadores em final de contrato, além de buscar talentos com potencial para o futuro. Tudo isso para respeitar o fair play financeiro e não sofrer sanções da Uefa. Com as finanças em dia, os Nerazzurri se permitiram ousar mais no mercado. Só que bem nesse momento veio a Covid-19, o que trouxe instabilidade para a Suning na China.

Fato é que, apesar dos empecilhos e falta de investimento robusto após as incertezas causadas pelo coronavírus, o Grupo Suning se despede da Internazionale como multicampeã. Ao todo, foram sete títulos: dois da Série A (2020/21 e 2023/24), duas Copa da Itália (2021/22 e 2022/23) e três Supercopa da Itália (2021/22, 2022/23 e 2023/24). Isso sem falar no vice da Liga dos Campeões, em 2022/23.

Resta saber se os Nerazzurri continuarão nessa pegada com a Oaktree Capital Management. A ver cenas dos próximos capítulos.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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