Itália

‘O futebol de hoje é socialismo. Antes, um armador só driblava, agora recua para a defesa’

Hernanes, o "Profeta", compartilhou sua opinião sobre mudanças táticas do esporte e revelou histórias de sua carreira como meia

Desde os tempos de São Paulo, nos anos 2000, Hernanes se consolidou no folclore do futebol brasileiro não só graças a seu talento como meio-campista, mas também às declarações profundas que o renderam o apelido de “Profeta”.

Em entrevista ao jornal italiano “Gazzetta dello Sport”, o ex-jogador compartilhou sua opinião sobre as mudanças táticas do esporte nos últimos anos. Para Hernanes, os jogadores mais criativos, como ele, perderam parte de sua liberdade ofensiva devido às tarefas defensivas.

O futebol de hoje é socialismo. Antes, um armador como eu, só driblava, agora ele recua para a defesa. Eu era pura criatividade e anarquia, não suportava ordens.

Aos 40 anos, o ex-meia agora compartilha suas análises nas redes sociais. Hernanes confessa que, ao longo de sua carreira, não era fissurado por táticas, mas tudo mudou quando passou a jogar xadrez e se aprofundar no tema através dos estudos.

— No início, detestava análise de vídeo e só compreendi a sua importância no final da minha carreira. É preciso comunicar o jogo como se os jogadores fossem peças num tabuleiro de xadrez. Sempre gostei da dinâmica da construção — concluiu o brasileiro.

Além de ser um entusiasta das táticas, Hernanes tem uma história diferenciada que marcou a sua carreira. Inicialmente, o atleta era destro, mas decidiu mudar seu pé principal e passou a chutar com a perna esquerda.

— Quando criança, eu não tinha força nas pernas, não conseguia correr bem, mas com treinamento melhorei. Além disso, em certo momento, decidi me tornar… canhoto. Eu queria ser elegante como eles. Mudei a mão com que escrevia e também o pé com o qual batia escanteios e faltas — contou o Profeta.

Hernanes pelo São Paulo
Hernanes em passagem pelo São Paulo (Imago / OneFootball)

Tática também chamou a atenção no futebol italiano

Além do São Paulo, o Profeta também tem passagens chamativas pelo futebol italiano, em que defendeu Lazio, Internazionale e Juventus. Apenas no time de Milão que o atleta não conquistou títulos. Na Biancocelesti foi campeão da Copa da Itália 2012/13. Já na Velha Senhora conquistou a Serie A 2015/16 e a Copa da Itália da mesma temporada.

Apesar da longa passagem pelo futebol italiano, Hernanes sentiu diferenças ao chegar no novo país. Dentre as principais mudanças, estava a tática e as metas impostas pelos clubes, segundo o ex-jogador.

— Quando cheguei na Lazio, a meta era vencer o campeonato italiano e jogar a Champions League. A primeira coisa estranha que vi na Itália foi essa. Um padre uma vez me disse que, do outro lado do oceano, o conceito de esperança era diferente. Eu almejava ganhar o título, mas em Roma os treinadores não pensavam da mesma forma que eu — começou o Profeta.

— A tática também era esquisito. Stefano Mauri me disse: ‘Primeiro, pensamos em não levar gol’. Depois, o dérbi. Eu venci a histórica Copa da Itália de 26 de maio de 2013: dois dias depois, na Piazza di Spagna, os torcedores fizeram o funeral da Roma, com caixão e gente fantasiada, como se estivessem de luto — seguiu.

— Um entregador baixou as calças na porta da minha casa. Queria me mostrar uma tatuagem dedicada à Copa da Itália. Na Lazio, fui tratado como um Deus. Fica o arrependimento de termos deixado escapar duas classificações para a Champions — uma delas por diferença de gols. Nós merecíamos ter ido — completou.

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Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.
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Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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