Tottenham gastou bastante, mas é o suficiente para voltar a brigar no topo?
O adeus de Son, a aposta em Thomas Frank e o alto investimento: o que esperar dos Spurs versão 2025/26?
O Tottenham sofreu grandes mudanças durante a pré-temporada 2025/26. Thomas Frank chegou para assumir o comando da equipe, o ídolo Son Heung-min se despediu do clube rumo à Major League Soccer (MLS), e investimentos significativos foram feitos no mercado de transferências.
Com caras novas no elenco e um novo plano de jogo proposto pela comissão técnica recém-chegada, o time londrino buscou se fortalecer para a disputa dos campeonatos que terá pela frente, sobretudo Premier League e Champions League.
Mas será que as contratações são suficientes para colocar os Spurs na briga pelo topo? Analisamos os reforços, o plantel atual, o estilo de Thomas Frank, e chegamos a uma “conclusão”.
Mercado do Tottenham: quem chegou?
- Mohammed Kudus — 63,8 milhões de euros
- Mathys Tel — 35 milhões de euros (já estava no elenco — contratado pós-empréstimo)
- Kevin Danso — 25 milhões de euros (já estava no elenco — contratado pós-empréstimo)
- Kota Takai — 5,8 milhões de euros
- João Palhinha — empréstimo
*Cifras retiradas do site “Transfermarkt”
Contratações e análise de elenco do Tottenham

O Tottenham fez um movimento audacioso ao tirar o versátil meia-atacante Mohammed Kudus do West Ham. A compra definitiva de Mathys Tel junto ao Bayern de Munique (após empréstimo), ao que tudo indica, também foi uma decisão acertada.
Apesar de jovem (20 anos), Tel goza de muitas virtudes. O atacante francês possui bom porte físico, mas se destaca mesmo pela velocidade e pela qualidade técnica. É ótimo no mano a mano, ostenta um notável repertório de dribles e finaliza com precisão. O garoto atua tanto como ponta quanto como centroavante, e já mostrou na temporada passada que pode ser útil aos Spurs.
Kudus, por sua vez, traz a experiência de Premier League e uma capacidade impressionante de drible. É um verdadeiro motorzinho que, ao lado de Tel, tem tudo para formar dupla interessante. Quem sabe não estamos falando da nova força ofensiva do clube londrino após a saída de Son?
O meio-campo, que já contava com talentos como Yves Bissouma, Lucas Bergvall e Pape Sarr, ganha ainda mais profundidade a partir da chegada do português João Palhinha. Trata-se de um volante defensivo de alta qualidade, que pode dar maior solidez e sustentação aos zagueiros, algo que o Tottenham ansiava desde 2024/25.
Em contrapartida, a grave lesão de James Maddison é uma grande preocupação e prejudica diretamente a criatividade do time. Principal maestro e cabeça pensante da equipe, o meia inglês rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito (LCA) e deve ficar afastado dos gramados por um bom tempo.
Para a defesa, o Tottenham contratou Kevin Danso, do Lens, e Kota Takai, do Kawasaki Frontale, aumentando as opções de Frank na zaga. Com Cristian Romero, Micky van de Ven e Radu Dragusin (perto de retornar de lesão), o time agora tem mais variações/soluções no setor, ainda que a adaptação da dupla à Premier League possa levar algum tempo.
Em síntese, o elenco ganhou em equilíbrio e profundidade. Conta com uma boa mescla de jovens talentos e jogadores experientes.
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Estilo e desafios de Thomas Frank

O novo técnico do Tottenham, Thomas Frank, prometeu um futebol corajoso, agressivo e ofensivo, alinhado com o lema do clube “To dare is to do” — “Ousar é fazer” em português. A promessa, claro, precisa sair do papel. Porém, é importante frisar: ele já mostrou ser capaz de fazer isso.
Frank construiu uma trajetória marcante de sete anos com o Brentford, conduzindo o clube da Championship à Premier League. Sua reputação se estabeleceu pela criação de times ofensivos e destemidos, capazes de apresentar um futebol de ataque rápido e audacioso, mesmo contra oponentes mais poderosos financeiramente. À frente dos Bees, o treinador dinamarquês solidificou a equipe na elite inglesa ao longo de quatro temporadas.
No Tottenham, ele assume um elenco com mais qualidade técnica e talento individual, mas que é também um “mosaico” de diferentes filosofias de jogo — resquícios de trabalhos anteriores. O maior desafio será moldar o time à sua visão, fazendo com que a mentalidade e o estilo arrojado que o notabilizaram no Brentford se tornem a identidade de um clube com ambições (e cobranças) maiores.
Sobre as novas peças, o dinamarquês terá a missão de encaixá-las rapidamente, especialmente no ataque, onde a saída de Son deixa uma lacuna de liderança e gols. A ausência de Maddison também o força a repensar a criação de jogadas. A conferir como ele lidará com as expectativas e a forte pressão de um clube do Big Six.
— Tenho princípios muito claros. Quero ver a equipe ser corajosa, agressiva e atacar. Coragem está ligada ao lema do clube. Se você não for corajoso, é muito difícil alcançar qualquer coisa — disse Thomas Frank em entrevista recente.
As perspectivas são boas, mas…
O Tottenham parece ter se fortalecido o suficiente para virar a página da trágica campanha da última temporada (17º colocado) e competir de forma mais consistente em 2025/26. As chegadas de Kudus, Palhinha e da dupla de zagueiros, dão à equipe um novo fôlego e resolvem algumas das lacunas do plantel.
Lutar por vaga na Champions é uma meta bem razoável. Brigar pelo título da Premier League, no entanto, é outra história.
A competição no topo é feroz, e times como Manchester City e Liverpool continuam sendo os principais favoritos. Os Spurs têm um grande potencial, mas o sucesso dependerá da rápida adaptação do novo técnico, além de evitar as oscilações que marcaram o clube nos últimos anos.
As novas contratações mostram um caminho promissor para o futuro, ainda que a transição possa ser desafiadora. O Tottenham tem tudo para ter uma temporada forte, mas o topo da tabela ainda parece um desafio enorme — e bem distante.



