Inglaterra

Atacante da Premier League cobra condenação à prisão em casos de racismo: ‘Muito doloroso’

Semenyo, do Bournemouth, alega ter sofrido ofensas discriminatórias no jogo contra o Liverpool e quer sanções mais pesadas

O atacante Antoine Semenyo, do Bournemouth, pediu que racismo no futebol seja julgado com mais rigor na Inglaterra e tenha consequências firmes, como possíveis sentenças de prisão aos que forem condenados.

A declaração dada à “ITV News”, do Reino Unido, ocorreu pouco depois da estreia dos Cherries na Premier League 2025/26. O clube acabou derrotado pelo Liverpool por 4 a 2, mas a partida teve contornos diferentes para Semenyo ainda na primeira etapa.

O ganês de 25 anos teria sido alvo de ofensas racistas por parte de um dos torcedores dos Reds presente em Anfield e comunicou à equipe de arbitragem, que deu início às averiguações. O jogo esteve interrompido durante a análise das imagens, mas prosseguiu pouco depois.

No dia seguinte, a Polícia de Merseyside confirmou a detenção de um suspeito de 47 anos que teria sido o responsável pela “ofensa à ordem pública com agravante racial”, segundo a imprensa inglesa. No tribunal, o homem recebeu liberdade sob fiança e ficou impedido de entrar em estádios de futebol britânicos como parte da punição.

“O que quer que a Premier League esteja fazendo, não é o suficiente. Há mais que precisa ser feito”, disse Semenyo ao veículo.

Pode ser prisão, pode ser banimento dos estádios pelo resto da vida, pode ser qualquer coisa neste sentido, mas sinto que precisa ser feito algo mais — destacou.

Semenyo marcou o gol da virada do Bournemouth
Semenyo celebra gol pelo Bournemouth ao lado de colegas de time (Foto: Imago)

Semenyo também agradeceu o apoio de torcedores, companheiros de clube e dos jogadores do Liverpool, mas revelou ter sido alvo de ofensas raciais também por meio das redes sociais depois do duelo.

“Sinto que, hoje em dia, simplesmente não faz sentido. Queremos saber por que isso continua acontecendo. Foi muito doloroso”, declarou.

O que diz a Premier League sobre casos de racismo na liga

Depois da alegação de Semenyo em Liverpool x Bournemouth, o CEO da Premier League, Richard Masters, alegou à “BBC Sport” que qualquer discriminação dentro de um estádio da competição causa, primeiramente, expulsão do suposto agressor do local.

As punições seguem com banimento e, por fim, possibilidade de enfrentar acusações criminais.

Campanha da Premier League contra o racismo (Foto: Iconsport)

“Nenhum jogador deveria sofrer esse tipo de abuso, seja no local de trabalho ou online. É um problema na sociedade, e isso vaza para o futebol, mas não deveria acontecer”, enfatizou o CEO.

Masters afirmou que ele e “outros profissionais responsáveis pelo esporte” se questionam sobre quais ações podem ser aplicadas para garantir que o racismo no futebol não aconteça no futuro. O gestor informou ainda que a liga investiga a ocorrência de Semenyo e ofereceu apoio ao jogador e aos clubes envolvidos.

No Brasil, a CBF permite o uso do protocolo antirracista para investigar supostas acusações de cunho discriminatório no decorrer das partidas, e a polícia pode instaurar inquérito com foco em determinar se há provas o suficiente para sustentar a denúncia.

O crime de injúria racial no País está previsto na Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, e a pena é de dois a cinco anos de reclusão e multa. No entanto, eventuais condenações podem ser convertidas em prestação de serviços à comunidade, por exemplo.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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