Inglaterra

Um rastro de desilusão: Edu Gaspar deixará o Nottingham Forest pela porta dos fundos

Ex-executivo do Arsenal foi afastado de suas funções e deve ter demissão anunciada em breve

O ambiente do Nottingham Forest, um dos clubes comandados pelo grego Evangelos Marinakis, foi um dos mais agitados da Premier League na temporada que se encerrou no último domingo (24). Com quatro treinadores em um intervalo de um ano, noites eletrizantes de Europa League e tensões na estrutura interna do futebol, os Tricky Trees passaram longe da expectativa de resultados que se criou no início de 2025/26.

Diante deste cenário, Edu Gaspar, que foi contratado para supervisionar “todas as funções relacionadas ao futebol”, segundo Marinakis, foi um dos que sofreu com tantas turbulências e se encontra na “geladeira” há alguns meses. No entanto, até o seu afastamento das funções que lhe foram prometidas, houve um processo de isolamento e atritos específicos dentro do Nottingham Forest, inclusive com o magnata grego.

A contratação de Edu Gaspar

Edu Gaspar foi contratado em julho de 2025, com a missão de exercer a função de Diretor Global de Futebol dos clubes de propriedade de Marinakis, incluindo o Nottingham Forest, papel parecido com o que tinha no Arsenal, supervisionando recrutamento, desempenho e estratégia de elencos. Porém, além da experiência no cargo, existia a expectativa por uma janela de transferências agressiva na Inglaterra, explorando justamente as relações construídas pelo brasileiro ao longo de sua carreira.

No entanto, a realidade não saiu como o esperado e o Forest se resumiu às chegadas de Douglas Luiz, Igor Jesus e Oleksandr Zinchenko, em termos de contratações de impacto. Inclusive, a atuação do clube na última janela de verão europeu gerou um novo problema para Edu: sua relação com o treinador Nuno Espirito Santo.

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Atrito com Nuno Espirito Santo no Forest

Ainda no início da temporada europeia, Edu Gaspar viu sua relação com Nuno Espirito Santo se desgastar rapidamente após o fechamento da janela de transferências. Com a crítica pública do português ao trabalho e planejamento que envolvia o diretor brasileiro, houve um rompimento entre as partes e Nuno foi demitido ainda em setembro com apenas três rodadas da Premier League disputadas.

Antes da demissão do treinador, Edu sequer se fazia presente no centro de treinamento do Nottingham Forest por conta da tensão entre ele e Nuno Espirito Santo, o que preocupou Marinakis, afinal, não havia comunicação entre os dois nomes fortes do futebol do clube.

No fim, o grego escolheu defender Edu Gaspar, o que gerou outra declaração polêmica do português, afirmando que sua relação com o dono do clube já não era a mesma.

Desde então, Edu conviveu com mais duas trocas de treinadores. Ange Postecoglou substituiu Nuno Espirito Santo, mas comandou o Forest por apenas um mês, sem conseguir entregar uma reação em resultados e desempenho. Assim, a solução seguinte foi Sean Dyche, que conseguiu trazer uma sobrevida na situação de zona de rebaixamento, mas seu trabalho durou apenas quatro meses.

Saída de Edu Gaspar do Nottingham Forest parece questão de tempo
Saída de Edu Gaspar do Nottingham Forest parece questão de tempo (Foto: Imago/Crystal Pix)

Isolamento no processo de tomada de decisão

Ao longo da temporada, Edu Gaspar foi perdendo voz e espaço dentro do organograma de futebol do Nottingham Forest. O afastamento teria se iniciado pela desconfiança em seu trabalho como gestor e pelos atritos prematuros com lideranças. Porém, segundo o “The Guardian”, a gota d’água com Evangelos Marinakis teria sido na vitória contra o Liverpool, em Anfield. O brasileiro teria deixado o estádio antes do apito final no triunfo histórico por 3 a 0, o que soou como um desrespeito à instituição.

Posteriormente, o “Telegraph Sport” apurou que, após o empate com o Wolverhampton, que culminou na demissão de Sean Dyche, Edu foi impedido de entrar na sala de reuniões enquanto se discutia o futuro do então treinador do Forest. O brasileiro escolheu esperar no estacionamento do Estádio City Ground por horas até que o rompimento com Dyche foi oficializado.

Desde então, Edu foi instruído a não entrar mais no centro de treinamento do Nottingham Forest e parar de frequentar os jogos do clube, que já tinha Vitor Pereira no comando da equipe. A tendência, neste momento, é do anúncio de sua demissão em breve, restando apenas frustração pelo trabalho que prometia ser promissor.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaRedator de esportes

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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