Por que técnico do Celtic acha que a Premier League e a Liga Escocesa deveriam se unir?
Martin O'Neill fez longo desabafo sobre disparidade financeira entre dois países e dificuldade de competir no cenário europeu
Apesar de viver uma das temporadas mais conturbadas de sua história recente, o Celtic conseguiu uma vaga nos playoffs da Liga Europa. Entretanto, a goleada sofrida para o Stuttgart por 4 a 1, em Glasgow, pelo jogo de ida, praticamente encerrou a participação do time escocês no torneio da Uefa.
A derrota foi ainda mais dolorida para Martin O’Neill, que estava visivelmente abalado após completar seu 1000º jogo como treinador. Em coletiva na quinta-feira (19), o norte-irlandês fez um longo desabafo sobre a dificuldade do Celtic em se equiparar com gigantes do continente em meio à disparidade financeira.
— É muito difícil para as equipes escocesas competirem (na Europa). Não há dinheiro — começou O’Neill.
O interino do gigante escocês fez um paralelo com a potência dos rivais no mercado. Martin O’Neill apontou que “times da Premier League e da Bundesliga compram jogadores por 40 ou 50 milhões de libras (entre R$ 279,1 a R$ 349 milhões) que nem sequer jogam”.

Além da indignação, o treinador endossou uma ideia que tem ganhado força na Escócia nos últimos anos: integrar a liga local à Premier League. Para O’Neill, Celtic, Rangers e os demais clubes do país poderiam receber maiores receitas caso fizessem parte do futebol da Inglaterra.
— É ridículo. Temos que tentar competir com isso. É aí que reside a dificuldade. Tentamos contratar jogadores baratos porque não há dinheiro. No final, se a Scottish Premiership fizesse parte da Premier League, acho que não teríamos problemas — concluiu o norte-irlandês.
Celtic e Rangers na Premier League?
A discussão para que o clássico Old Firm fizesse parte da Premier League não é recente. A hegemonia de Celtic e Rangers em solo escocês, com 55 títulos do campeonato para cada, expõe o abismo da dupla para o restante do pelotão.
Não à toa, a campanha do Hearts como líder da Scottish Premiership é louvável. Caso a equipe de Edimburgo se sagre campeã, será a primeira vez que os rivais não ficam com o título desde 1984/85, quando Alex Ferguson comandou o bicampeonato do Aberdeen.

Isso ajuda a explicar porque Celtic e Rangers sondam a possibilidade de jogar na Inglaterra, seja na elite, ou começando em divisões inferiores. Contudo, é improvável que o sonho de Martin O’Neill se concretize por decisão dos clubes que integram a English Football League (EFL).
Em setembro de 2016, eles votaram contra o envolvimento de clubes não-ingleses em qualquer proposta de reestruturação das ligas de acesso à Premier League. Ciente disso, o técnico do time alviverde fez um apelo à torcida: não deixem de apoiar nas arquibancadas, principalmente após os protestos recentes contra a diretoria.
— Estamos jogando contra a Roma, que gastou 400 milhões de euros (em torno de R$ 2,4 bilhões) para montar seu elenco. O Celtic não consegue competir assim. Nem contra o Stuttgart. O time deles vale 332 milhões de euros (aproximadamente R$ 2 bilhões) e o nosso 125 milhões de euros (cerca de R$ 763 milhões). O que temos é o Celtic Park e torcedores incríveis, mas se nossos torcedores não nos apoiarem, nos tornamos apenas um clube comum — finalizou O’Neill.



