Gabriel Magalhães, um dos melhores cabeceadores do mundo, não sabia cabecear
Pilar do time comandado pelo técnico Mikel Arteta, o zagueiro brasileiro é peça principal da letal bola aérea ofensiva do Arsenal.
Gabriel Magalhães é um dos melhores cabeceadores da elite do futebol atual. Mas nem sempre foi assim.
Pilar do time de Mikel Arteta, Gabriel Magalhães é peça principal da letal bola aérea ofensiva do Arsenal. Com cinco gols em 27 jogos pelos Gunners em 2024/25, o zagueiro brasileiro já igualou seu ano mais artilheiro — marcou cinco gols em 21/22.
O último deles quase aconteceu nesta quarta-feira (15). O brasileiro cabeceou para o fundo das redes no clássico contra o Tottenham no fim do primeiro tempo e empatou o jogo. Para variar, numa cobrança de escanteio. O time vermelho ainda virou a partida antes do intervalo, porém, a arbitragem registrou gol contra de Dominic Solanke por ter desviado no atacante dos Spurs.
Desde o início da última Premier League, cerca de 20% dos gols do Arsenal saíram em escanteio: são 26 no total. E 10 desses tentos abriram o placar.
Do alto de seu 1,90 m de altura e sua incrível capacidade de desmarque, Gabriel Magalhães muitas vezes soa imparável pelo alto. Mas nem sempre foi assim.
Diferente do que se vê hoje, Gabriel Magalhães não tinha bom cabeceio e nem bom passe, qualidades que são primordiais para a Premier League. Ele precisou fazer trabalhos extras para evoluir nos quesitos.
— Gabriel era alto, mas não sabia cabecear. Quantas vezes nós fizemos trabalhos para aprimorar! Ele era muito atento ao que se falava e ao trabalho, então tinha uma capacidade ótima de absorver ideias — relata Fabinho, treinador do zagueiro no sub-17 e sub-20 do Avaí.
Em 2016, Gabriel Magalhães fez uma Copa São Paulo de Futebol Jr. excelente e o coordenador executivo do profissional do Avaí estava assistindo aos jogos presencialmente. Ele gostou do defensor e, após a competição de juniores, o zagueiro subiu direto para o time principal.
Quieto, mas sempre com sorriso no rosto, o jovem zagueiro chegou a um time que há pouco tempo havia sido campeão catarinense duas vezes, chegou à sexta posição do Campeonato Brasileiro e disputou a Copa Sul-Americana. Ainda que naquele ano o clube disputava a Série B, havia lideranças de respeito no elenco, como Marquinhos e Vinícius Pacheco.
— Apesar de ser muito menino ainda, já era responsável e víamos uma qualidade diferente nele, de liderança. Muito sério. Chegava muito cedo e saía depois. Muito profissional, mesmo sendo um menino ainda. Já sabíamos que era apenas uma transição, porque ele não ficaria ali — relembra Silas, que treinou Gabriel Magalhães no primeiro ano do zagueiro como profissional.
Começo no futebol
Da infância à vida adulta, diversos episódios da carreira de Gabriel Magalhães mostram que o defensor estava destinado ao mais alto nível do futebol.
O zagueiro deu os primeiros passos em uma escolinha de futebol de Osasco, na grande São Paulo, que pertence a José da Silva. O local na metrópole paulistana também revelou o lateral-direito Rodinei, ex-Flamengo e atualmente no Olympiacos, da Grécia.
Por anos, a escolinha manteve estreita relação com o Avaí de Florianópolis, capital catarinense, clube atualmente na Série B do Brasileirão.
O ano era 2010 quando Diogo Fernandes, coordenador da base do Avaí, foi recebido por José da Silva em Osasco. Em pauta estava a ida a Florianópolis de três zagueiros para uma avaliação. Um deles era Gabriel Magalhães, que foi o escolhido para ficar no time catarinense.
— Optamos justamente pelo Gabriel, que na oportunidade chamou bastante a atenção da gente por ser alto, canhoto e aprovamos ele — conta Diogo.
A trajetória do zagueiro, porém, logo foi amaçada pela saudade de casa. Aos 14 anos, na primeira semana de Avaí, Gabriel pediu para voltar para casa. E assim foi.
A carreira poderia ter acabado ali. Os seis gols do defensor pelo Arsenal testa temporada poderiam não existir. Mas saudade deu e passou. Poucos dias depois, incentivado pelo pai, a coordenação da base do Avaí receberia um pedido por uma segunda chance. E lá foi Gabriel.
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Frustração com Barcelona e o gol de cabeça que mudou tudo

Logo no primeiro ano da maioridade, Gabriel Magalhães teve que conciliar a disputa da Série B com as convocações para a seleção brasileira sub-20, o que despertou interesse de clubes europeus. Ele fez apenas cinco jogos como titular do Avaí na segunda divisão, tendo apenas uma derrota jogando os 90 minutos sob o comando do técnico Claudinei Oliveira.
No único jogo que ele não foi tão bem, o Barcelona havia enviado representantes para assistir ao jogo. Foi uma derrota por 3 a 0 para o Atlético-GO. “Talvez, isso tenha mudado o destino inicial dele, mas ele está no lugar que tinha que estar“, opina Claudinei.
Mas o aperfeiçoamento nos treinos de bola aérea ofensivos gerou um episódio marcante na vida de Gabriel Magalhães. Em 17 de setembro, o defensor entrava em campo contra o Bragantino pouco tempo depois de perder um grande amigo, que foi atropelado por um trem. O defensor acaba marcando o gol de cabeça que sacramentou a vitória por 2 a 0.
— Tínhamos o Marquinhos que bate muito bem na bola e ele fez um golaço de cabeça, antecipando do marcador. Já víamos essa capacidade dele no jogo aéreo. A questão física ele evoluiu muito. O Gabriel se emocionou bastante depois daquele gol — conta Claudinei.
Relação entre Gabriel Magalhães e Raphinha

Raphinha e Gabriel Magalhães jogaram juntos nas categorias de base do Avaí. O ponta-direita, que hoje atua no Barcelona, ajudou o defensor do Arsenal a aprender a marcar adversários rápidos e que gostam de driblar no um contra um.
— Raphinha sempre teve o talento que mostra hoje e gostava de ir para cima, usava as duas pernas. E o Gabriel com esse embate teve que aprender a marcar o Raphinha, por isso aprendeu bastante. Essa equipe era muito amiga, faziam churrascos juntos. Gabriel e Raphinha eram daquelas pessoas que todo mundo gosta. Estavam sempre juntos — revela Fabinho.
Curiosamente, os companheiros de Seleção se enfrentaram apenas uma vez na Premier League, num empate sem gols entre Leeds e Arsenal em novembro de 2020.
Eles se reencontraram num amistoso entre Arsenal e Barcelona em julho de 2023, no SoFi Stadium, na cidade de Inglewood, subúrbio de Los Angeles, nos Estados Unidos. Os Gunners acabaram vencendo a partida por 5 a 3.







