Premier League

Hegemonia do Arsenal? Como pode ser disputa pelo título da próxima Premier League

Principais concorrentes dos Gunners, como Manchester City e Liverpool, estão em processo de transição

A conquista do Arsenal, que quebrou um tabu de 22 anos sem o título da Premier League, consolidou a era Mikel Arteta. O técnico assumiu em 2019 e tem sido a cara da reconstrução do clube, reformulando o elenco, a mentalidade e a filosofia de um time que era coadjuvante e virou protagonista sob seu comando.

A temporada 2025/26 já começou com grandes expectativas pelos investimentos e pela formação do melhor elenco da Inglaterra. Acabou com a taça levada com uma rodada de antecedência, provando a força dessa equipe.

Na próxima, 2026/27, há mais otimismo para o lado gunner. Será, provavelmente, um ano de pressão no Liverpool e de muitas mudanças no Manchester City, os principais concorrentes nas disputas nacionais. No Chelsea, uma possível surpresa, existem muitas dúvidas. Tottenham, se ficar na primeira divisão, e Manchester United, apesar do terceiro lugar, não estão preparados para esse passo. É o cenário perfeito para o Arsenal se consolidar ainda mais.

Manchester City está em processo de reformulação

Guardiola em partida do Manchester City
Guardiola em partida do Manchester City (Foto: IMAGO / Mark Pain)

A saída ou não de Pep Guardiola do comando do Manchester City, cravada pela imprensa, mas não confirmada pelo técnico, não mudará o processo pelo qual o clube tem passado.

A reformulação tem sido gradual ao longo dos últimos anos. Muitos ídolos recentes, como Kevin De Bruyne, Ederson e Ilkay Gundogan, saíram. Ao fim desta temporada, estão confirmadas as despedidas de Bernardo Silva e John Stones, mas podem vir mais por aí, como Nathan Aké e Mateo Kovacic.

Metade da escalação ideal que marcou a reta final da Premier League contava com jogadores que chegaram aos Citizens no último um ano e meio. É uma nova geração que tem aprendido a ser campeã com a camisa azul, mesmo que a taça do Campeonato Inglês já não venha desde 2024.

E a dúvida na comissão técnica muda tudo. Caso Guardiola realmente saia, será uma grande incógnita como será o 26/27 do City. Enzo Maresca, apontado como o único substituto cotado, teve bons trabalhos no Leicester e no Chelsea, mas nada como assumir um projeto grandioso como o dos azuis de Manchester.

Pode dar tremendamente certo a sucessão, como foi com Arne Slot no Liverpool, imediatamente campeão após a saída de Jürgen Klopp — mesmo que agora esteja em crise –, ou exigir mais tempo para adaptar, o que o Grupo City deve dar ao italiano, que tem ideias próximas às do técnico atual.

Se Guardiola continuar, o desejo por um grande título em sua última temporada será enorme, o que pode mobilizar o elenco de uma forma especial. Mas o cenário mais provável é a saída dele e a chegada de Maresca.

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Liverpool conviverá com pressão e questões

Premier League: Manchester United v Liverpool
Florian Wirtz em ação pelo Liverpool (Foto: IMAGO / News Images)

Slot, depois de ganhar o título da Premier League em seu primeiro ano na Inglaterra, teve uma péssima temporada. Errou em quase tudo, desde suas escolhas táticas até falas controversas em coletivas, como questionar o apoio da torcida a técnicos ou os atritos com o ídolo Mohamed Salah em seus últimos momentos em Anfield.

A ruptura parecia um caminho, afinal, a torcida passou a vaiá-lo e, quando Salah publicou que o Liverpool “deveria voltar a ser o time de ataque heavy metal”, como era com Klopp, diversos jogadores do elenco atual curtiram a publicação.

— Essa é a identidade que precisa ser recuperada e mantida para sempre. Isso não pode ser negociável e todos que se juntam a este clube devem se adaptar a ela. Ganhar alguns jogos aqui e ali não é o que o Liverpool deve ser. Todos os times ganham jogos — escreveu Salah em outro trecho da mensagem publicada nas redes sociais.

A gestão do Liverpool, no entanto, prevê que o técnico holandês cumpra seu contrato até o fim da próxima temporada. Ele terá a obrigação de mostrar muito mais soluções e potencializar os dois maiores reforços da história do futebol inglês que não brilharam com os Reds: Alexander Isak e Florian Wirtz.

O clube de Anfield precisará de mais contratações, pois, além de Salah, Andrew Robertson deixará a equipe e faltam atacantes. Será mais um ano de dúvidas e mudanças no time do norte da Inglaterra.

Chelsea pode dar muito certo ou muito errado com Alonso

Enzo Fernández comemora gol do Chelsea
Enzo Fernández comemora gol do Chelsea (Foto: IMAGO / IPS)

A aposta em Xabi Alonso é ótima para o Chelsea. O técnico que marcou época no comando do Bayer Leverkusen, desbancando o Bayern de Munique na Bundesliga com um título invicto em 2023/24, vem de trabalho curto e abaixo no Real Madrid, mas que, pelo contexto de um vestiário de muitos egos, não fez o jovem profissional perder moral no mercado.

O novo técnico ainda vem com a alcunha de “manager“, função que, além de trabalhar os aspectos táticos em treinamentos e tomar decisões em jogos, participa do planejamento no mercado de transferências e tem gerência até em outros setores do clube. É o primeiro treinador que terá esse cargo desde a aquisição da BlueCo, em 2022.

O elenco recheado de jovens a serem potencializados é outra parte que combina com as ideias de Alonso, o responsável por fazer Wirtz atingir seu melhor nível na carreira.

A questão é se o clube londrino conseguirá manter suas poucas lideranças. Enzo Fernández e Marc Cucurella, dois dos mais experientes dos Blues, praticamente se “ofereceram” para Real Madrid e Barcelona, respectivamente. Perdê-los seria um duro golpe e tornaria o grupo ainda mais inexperiente.

Outro problema da gestão desastrosa do consórcio americano, que tem os empresários Todd Boehly e Behdad Eghbali como tomadores de decisão, é o ambiente conturbado para treinadores, frequentemente impactados por intervenção dos proprietários. Xabi, com sua filosofia intensa e ofensiva, precisa de tempo para trabalhar, o que não pode ser garantido pelo time de Stamford Brigde.

Será uma temporada sem Champions League sendo disputada, o que é uma vantagem no quesito calendário, podendo focar 100% na Premier League, forma com que Antonio Conte, ainda na era Roman Abramovich, venceu a Premier League na temporada 2016/17. Eram outros tempos no Chelsea, um clube hoje sem identidade e um norte claro.

Arsenal está pronto para manter nível

David Raya comemora vitória do Arsenal
David Raya comemora vitória do Arsenal (Foto: IMAGO / Mark Pain)

Enquanto há muitas interrogações nos possíveis três principais concorrentes, o Arsenal só ganha certezas. A pressão de ser campeão que cada jogador de vermelho carregava não existe mais. Os xingamentos de “pipoqueiros”, “amarelões” e afins em cada tropeço acabaram com o título inglês. Tudo fluirá mais fácil e de forma menos pesada nos Gunners.

Transformações no elenco, porém, podem ser algo que exija um tempo na próxima temporada. O jornal “Telegraph” publicou que o clube pode ser forçado a fazer uma grande venda para equilibrar as finanças após o enorme investimento recente do clube, que ficou com o grupo de jogadores mais completo da Inglaterra, com pelo menos duas opções para cada setor.

Jakub Kiwior, ficando em definitivo no Porto, pode ajudar a aliviar isso, mas há mais saídas no radar. Ben White, Gabriel Martinelli, Gabriel Jesus, Leandro Trossard e Christian Norgaard terão seus futuros avaliados pela gestão londrina, apontou o periódico “The Times”.

A possível reformulação, porém, não terá só saídas. A ideia é ter um reforço de peso para o ataque, meio-campo e laterais, segundo a “Sky Sports News”. Julian Álvarez, do Atlético de Madrid, é um dos especulados por sua boa relação com o diretor-esportivo Andrea Berta, que, no Atleti, negociou a chegada do argentino, vindo do Manchester City.

Um nome pesado como Álvarez ou outro será necessário ao ataque, que nesta temporada se viu com a ausência de protagonistas pela irregularidade de praticamente todos os seus integrantes: Martinelli, Trossard, Bukayo Saka, Viktor Gyokeres, Noni Madueke, Martin Odegaard e Eberechi Eze.

A retomada da boa fase desses jogadores, no entanto, será ainda mais importante do que diversas contratações. Arteta também leva lições: seu jogo muito físico, pouco controlado e muito direcionado a bolas paradas, que colocou o time na liderança, o tirou de lá em 19 de abril, quando o time estava em absoluta queda de desempenho e parecia não ter mais alternativas ofensivas.

A retomada com as vitórias sobre Newcastle, Fulham — a mais marcante –, West Ham e Burnley é o caminho para o time voltar a ter um futebol mais ofensivo e dominante. Agora que o título veio com muito conservadorismo, quem sabe a ousadia pode voltar.

O Arsenal pode fazer ainda mais história nesta temporada em 30 de maio, quando disputa a final da Champions League contra o PSG. Não é o favorito, mas tem capacidade para sair campeão europeu, o que seria inédito em sua história mais do que centenária.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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