Se cumprir o prometido, Chelsea acerta na escolha do técnico com Alonso após tantos erros
Blues devem assinar contrato até 2030 com espanhol que trabalhou como técnico no Bayer Leverkusen e no Real Madrid
Após o vice na Copa da Inglaterra neste sábado (16), o Chelsea deu um jeito rápido de fazer seu torcedor esquecer o revés para o Manchester City. Como relatado pelos principais meios ingleses de comunicação, Xabi Alonso será o novo treinador dos Blues, com contrato até 2030.
O espanhol esteve em Londres na última semana e, sendo o principal alvo do time, aceitou o projeto que inicia para a próxima temporada — ele superou a concorrência de Andoni Iraola, de saída do Bournemouth.
2026/27 será um ano desafiador para o Chelsea, afinal, eles não estarão na Champions League e talvez nem disputem uma competição europeia — ocupam a nona posição na Premier League a duas rodadas do fim.
Alonso chega com um status diferente no clube do que Graham Potter, Mauricio Pochettino, Enzo Maresca e Liam Rosenior, os quatro técnicos principais contratados pelo consórcio BlueCo desde 2022, quando compraram o clube do oligarca russo Roman Abramovich.
Segundo o conceituado site “The Athletic”, ele será o “manager” — gerente, em tradução literal — do clube, função que também trata diretamente de contratações e do planejamento do elenco, em vez de “head coach” — técnico –, como foram os quatro anteriores, cargo totalmente focado em treinamentos e no campo, deixando as decisões para a direção.
A informação do portal também casa com o que foi reportado pelo jornalista Fabrizio Romano, referência na cobertura do mercado de transferências. “Entende-se que Alonso estará muito envolvido nos planos de transferências de verão do Chelsea“, apontou nas redes sociais. Caso a gerência do clube permita isso, promete ser interessante e corrige erros anteriores.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fxabi-alonso-02-scaled.jpg)
Por que é tão bom que Xabi Alonso seja o ‘manager’ do Chelsea
O caos na gestão de contratações do Chelsea foi, justamente, um dos grandes problemas desde a chegada dos novos donos, liderados pelo americano Todd Boehly e pelo iraniano-americano Behdad Eghbali.
Sob o comando da dupla, mais o trabalho de cinco diretores esportivos, o clube de Londres se tornou uma máquina de jorrar dinheiro em jovens promessas. Foram investidos cerca de 1,9 bilhão de libras (R$ 12 bilhões) em diversos jogadores, alguns que nem mais estão no clube, outros emprestados, e dezenas deles com contratos inflados até 2030 ou depois para diluir os custos da negociação nos balanços — o custo é dividido pelos anos de vínculo nas regras do fair play financeiro.
A ideia dessa gestão do Chelsea é ver o futebol pura e simplesmente como um negócio. A compra de quase adolescentes mira o lucro futuro que pode acontecer com a valorização desses ativos. O elenco chegou a ter mais de 30 jogadores, com grupos treinando em separado porque não havia espaço para todo mundo.
O jornal “The Times” destacou no fim de abril a dificuldade que um futuro treinador dos Blues teria: “qualquer treinador que queira controle total pode esquecer. O próximo técnico terá que trabalhar com os diretores esportivos e estar disposto a participar do processo de tomada de decisões, em vez de liderá-lo”.
Quem mais sofreu com o pouco poder de influência foi Enzo Maresca. O italiano, em cerca de um ano e meio no cargo, teve embates públicos sobre falta de contratações, que culminaram na sua saída. Um dos incômodos revelados após a demissão, em janeiro deste ano, era a forma como o departamento médico, fora do clube, impactava em decisões de escalações.
🚨 Até rival envolvido: Como polêmica nos bastidores implodiu relação entre Maresca e Chelsea
— Trivela (@trivela) January 1, 2026
Técnico foi demitido nesta quinta-feira
https://t.co/Xua4k3c7wO pic.twitter.com/9P0qbAiuLO
Tudo aponta que Alonso, como manager, não terá “controle total”, mas, ainda assim, uma voz mais forte que seus antecessores e pode trazer mais vontade de vencer títulos e ter sucesso esportivo do que o desejo de vendas futuras.
No Bayer Leverkusen, o profissional espanhol, junto do diretor Simon Rolfes, conseguiu ter sucesso na janela de contratações com as chegadas dos titulares Alejandro Grimaldo, Jonas Hofmann, Granit Xhaka e Victor Boniface. Todos viveram o melhor momento da carreira após o “chamado” de Alonso em 2023/24 com os títulos invictos da Bundesliga e da Copa da Alemanha.
— Ficou bastante claro a partir do momento em que o Xabi Alonso me ligou [para me contratar]. Ser treinado por ele é especial — disse Grimaldo ao “The Athletic”, em 2024.
No Real Madrid, contexto diferente de um vestiário muito forte e gestão centralizada em Florentino Pérez, Alonso teve pouco poder de decisão e foi demitido após apenas sete meses.
Claro que Xabi, atuando como manager no Chelsea, não será como as figuras de Pep Guardiola no Manchester City, que já chegou ao clube como um dos maiores da história, ou Mikel Arteta no Arsenal, onde consolidou um projeto com Edu Gaspar e virou a maior figura no departamento de futebol. Mais no passado, nomes como Sir Alex Ferguson, no Manchester United, e Arsène Wenger, também nos Gunners, tiveram esse cargo.
Se tiver tempo, o que é difícil em Stamford Brigde — o último a emplacar dois anos no cargo foi José Mourinho entre 2013 e 2015 –, o espanhol pode ir se tornando maior até ser o cara que dê o aval para contratações.
A breve e fracassada passagem no Real Madrid não apaga que Xabi Alonso mostrou ser um dos melhores técnicos desta geração e tem tudo para ter sucesso na carreira, como fez ao tornar o Leverkusen, um time que estava lutando contra o rebaixamento quando chegou no fim de 2022, em uma potência na Alemanha.